24 horas em Milão com Arthur Arbesser

Foto: Tassali Calatroni

‘Countdown to Sundown’ é uma nova iniciativa da i-D e da Martini que revela a cultura do aperitivo no contexto da temporada da Fórmula 1. A i-D sai do circuito da F1 e vai para cidades icônicas conhecer gente do mundo da moda local em uma jornada de descoberta que mostra o momento perfeito para tomar um aperitivo. Neste episódio, temos um encontro com o estilista Arthur Arbesser no estúdio dele em Milão. Uma co-criação com Martini.

Assista a Countdown to Sundown com Jack Guinness e Arthur Arbesser.

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Mesmo quando era adolescente e obcecado pela Helmut Lang em sua cidade natal, Viena, Arthur Arbesser sabia que um dia acabaria virando estilista. Depois de estudar na prestigiada faculdade Central Saint Martins, em Londres, há 11 anos ele mora e trabalha em Milão, onde o trabalho e o agito são intensos, a princípio na Armani e hoje como diretor criativo da Iceberg.

Há mais de uma década em Milão, Arbesser se apaixonou pela cidade, em especial pela cultura de tomar um aperitivo depois do expediente, que dá a sua força de trabalho a oportunidade de descontrair e se conectar com os amigos tomando uma bebida e comendo um petisco depois de um dia duro de labuta. Conversamos com o estilista sobre sua jornada até aqui, sobre a importância do aperitivo e a cidade que ele chama de lar.

VICE: Oi, Arthur. Você mora em Milão há 11 anos. Como você acha que a cidade moldou o que você faz?
Arthur Arbesser: Ser estrangeiro em Milão automaticamente torna você mais atento ao que está ao seu redor. Existe uma noção estranha de que a cidade não é tão bonita quanto, digamos, Roma, Florença ou Veneza – então você começa a procurar com um pouco mais de afinco essa beleza, o que te inspira. A arquitetura de Milão tem um atrevimento que eu gosto muito. Eu diria que ser curioso e ter um afeto pelas coisas que você comentou me fazem procurar inspiração fora do campo da moda.

Como sua criação contribuiu para essa curiosidade?
Na infância em Viena, eu sempre tive muita proximidade com a arte – meus pais me arrastavam para exposições ou coisas assim – e a ideia de ser curioso e ficar de olho em tudo sempre fez parte da minha natureza. Também sou muito sociável, então muitas das coisas acontecem através da conversa – um amigo que me fala de uma exposição ou alguém que eu deveria ver ou conhecer. Quando saio para jantar ou beber, sempre tiro alguma coisa disso.

Foto: Tassali Calatroni

Sendo de Viena, como você foi parar em Milão?
Nos anos 90, eu lia muito sobre McQueen, Galliano e Stella McCartney em Londres. Era tanta publicidade em torno deles que eu achei que ser estilista era um trabalho que se podia fazer. Isso já estava bem definido desde que eu tinha 12 ou 13 anos. O grande boom de estilistas britânicos fez com que eu me apaixonasse pela ideia de morar em Londres, então uma coisa foi levando a outra. Basicamente, desde o começo da adolescência, eu não tinha nenhuma outra opção do que fazer no futuro. E aí Helmut Lang tinha aberto a primeira loja em Viena e ainda estava na cidade – eu era muito novo, mas gastava toda a minha mesada em camisetas dele ou coisas assim. Então, pois é… Eu era supernerd da moda mesmo.

Eu me formei na Saint Martins em Londres em 2005 e depois mudei para a Itália para trabalhar na Armani. É um desses lugares que parecem estar fora do mundo. Existe uma “bolha milanesa”. É muito importante sair daqui o máximo possível, mas como base, é excelente.

O que você mais gosta na cidade?
Ela é muito humana. A melhor coisa de Milão, para mim, é meu grupo de amigos. É muito fácil se conectar com as pessoas. Ela é muito sociável nesse sentido. Gosto que também que Milão é de certa forma, desprezada – não é igual a Paris, Nova York ou Londres. Eu me lembro que, quando mudei para cá, as pessoas não acreditavam, diziam que eu iria odiar. Mas depois de alguns meses, eu e vários estrangeiros fomos nos unindo e nos misturando com alguns italianos e acabamos nos apaixonando por aqui.

E o que mudou nesses 11 anos?
Devo dizer que, nos últimos dois anos, a cidade está muito mais viva. Milão está despertando um pouco, se tornando mais internacional e mente aberta. Mas ao mesmo tempo, gosto do fato de que ainda é muito italiana. São tantos os lugares no mundo hoje em dia onde você olha em volta e não sabe onde está. O mundo fica muito homogeneizado, então fico muito feliz quando os lugares têm muita personalidade, com suas próprias tradições e etiquetas – um jeito próprio de fazer as coisas, de tomar café, de dar boa noite. Todas essas coisinhas de Milão e dos italianos que eu gosto.

Se eu chegasse hoje em Milão, reconheceria na hora? É perceptível assim?
É, isso mesmo! Todas as coisas ligadas à gastronomia e aos prazeres da vida, não tem como não reconhecê-las imediatamente. Quer dizer, pode ser que dependa da sua personalidade – sou muito sociável, então me joguei logo de cara e me senti em casa.

Foto: Tassali Calatroni

Como você acha que a noite em Milão é diferente da de Londres ou Viena?
Adoro como não tem pretensão em Milão. Aqui é muito fácil. Às vezes, também é cafona, mas isso na verdade é muito divertido, se você olhar com um senso de humor. É menos pesada e agressiva que muitos lugares de Londres. Tem mais senso de humor, é mais descontraída e tem menos chateação.

Foto: Tassali Calatroni

Como seria a noite de aperitivos perfeita para você?
Começaria no nosso ponto de encontro, um dos bares clássicos de Milão. Eu e meus amigos moramos todos próximos uns dos outros e conhecemos o dono, o Mauricio, e os garçons antigos, como o Georgio – quando você chega é aquele monte de beijo e abraço. É muito legal quando você atinge aquela fase em um bar ou um restaurante em que você sabe todas as histórias dos bartenders e das ex-mulheres deles ou coisa assim.

E depois?
Jantar, que é sempre bem demorado. Depois, talvez, iríamos para nossa balada favorita, que é meio cafona, mas muito divertida, e tem uma mistura de públicos muito boa. Todas as pessoas de Milão que conheço trabalham muito durante a semana, mas mesmo assim arrumam tempo para tomar um aperitivo.

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