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Abelhas-Robôs Podem Substituir As Abelhas de Verdade?

Imagine um futuro em que abelhas robotizadas assumiram o papel desempenhado pelas abelhas de verdade – essa é a fábula moral conjurada no mais recente esforço de ficção ativista do Greenpeace. O vídeo, feito no estilo que já é marca registrada do grupo, pode parecer um pouco forçado e até dar vontade de desviar o olhar, mas a verdade é que ele levanta uma questão bastante pertinente: estamos de acordo com a ideia de que abelhas-robôs podem, um dia, polinizar a nossa flora? Pesquisadores da Universidade de Harvard acham que nós viveremos para ver isso acontecer.

Preciso admitir que entrei um pouco em pânico depois de assistir ao vídeo-denúncia do Greenpeace – ele descreve um lugar em que as abelhas foram extintas e substituídas por enxames de abelhas robotizadas, chamadas de “NewBees” – então resolvi entrar em contato com a organização ambiental para entender melhor as suas preocupações.

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“O conceito de abelhas-robôs desempenhando o papel de polinizadores naturais é ficção científica e deve permanecer como ficção científica”, disse Isabelle Phillipe, via email. “Seria insensato confiar numa solução tecnológica para a questão da diminuição do número de abelhas em decorrência da agricultura industrial quando não há garantia alguma de que essa solução não acabaria piorando ainda mais o problema.”

Isso, claro, é uma questão de opinião. Na Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas (SEAS) de Harvard, pesquisadores estão ocupados com o desenvolvimento de “abelhas-robôs” (RoboBees), uma tecnologia que, segundo eles, pode trazer muitos benefícios para a sociedade, incluindo a polinização.

“O projeto poderia impactar diversas áreas – da polinização à busca e salvamento – e isso é ciência, não ficção”,  explica um vídeo da SEAS.

O distúrbio de colapso das colônias dizimou a população de abelhas necessária para polinizar as plantações. Em um artigo intitulado ” Como programar microveículos aéreos com Karma“, os pesquisadores Karthik Dantu a Bryan Kate, ambos de Harvard, explicam como as abelhas-robôs poderiam um dia polinizar, de maneira autônoma, as mais diversas plantações – em especial as de alfafa – usando um sistema que eles chamaram de “Karma”.

No sistema criado pelo time de pesquisadores, as abelhas-robôs seriam despachadas, à maneira dos drones, via computador, para um campo que funciona como uma espécie de colmeia. A colmeia é capaz de processar as informações carregadas pelas abelhas-robôs e controlar suas ações enquanto elas estão sendo despachadas para fileiras de plantações que precisam ser polinizadas e monitoradas.

O sistema é razoavelmente simples, já que os drones desempenham apenas um número limitado de funções, e essas funções não precisam ser coordenadas em tempo real. O programador só precisa descrever o que a abelha-robô deverá fazer no momento de seu despacho, e dali em diante os bichinhos tomam conta de si próprios.

Recentemente a equipe da SEAS levou as abelhas-robôs para seu primeiro voo controlado. Apesar de as pequenas criaturas robóticas não se se parecerem muito com abelhas de verdade, elas voam e pairam suspensas por suas asas translúcidas, exatamente como as abelhas que conhecemos.

Apesar das semelhanças entre as abelhas robotizadas que estão sendo desenvolvido pelo SEAS e o cenário ficcional imaginado pelo Greenpeace, Wood enxerga o trabalho do grupo não como um sinal do apocalipse, mas como um concentrador de inovação em potencial.

Abelhas robotizadas são excelentes cobaias para a exploração de novas maneiras de se utilizar a robótica aplicada, sendo possível abordar através de seu estudo questões fundamentais para a ciência de materiais, a mecânica de fluidos, a engenharia de controle e automação, o design de circuitos, a manufaturação e a ciência da computação.

“Para que possamos realizar algo útil com um monte de simples robôs, nós usamos as colônias de abelhas como inspiração”, Wood me disse. “Como elas se comunicam? Como dividem os seus recursos? Como tomam decisões? As respostas para essas perguntas servem como um excelente ponto de partida para este projeto.”

Insetos são modelos ideais para roboticistas. Crédito:  SEAS.

Há muitos usos em potencial: “A maioria dos usos é similar às aplicações de outros robôs não tripulados, como busca e salvamento e exploração de ambientes hostis”, diz Wood. O  site da SEAS menciona vigilância militar e mapeamento meteorológico como exemplos.

“Uma das aplicações do nosso trabalho com pequenos robôs pode um dia vir a ser a polinização artificial de plantações. No entanto, estamos distantes pelo menos uns 20 anos dessa possibilidade”, diz Wood. “Além disso, mesmo que esses robôs possam ser usados para polinização, isso seria feito apenas como uma medida emergencial, enquanto as causas do distúrbio de colapso das colônias são determinadas e uma solução é implementada para restaurar as colônias de polinizadores naturais.”

Em face de um colapso total das colônias polinizadoras, é bem possível que um dia tenhamos que apelar para as abelhas-robôs. Mas vamos ouvir também críticos como o Greenpeace, e buscar soluções alternativas. Quem sabe não devemos trabalhar para salvar as abelhas de verdade antes de alistarmos enxames de polinizadores robôs para ajudar na causa.

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