Foto: André Gomes de Melo/Ministério da Cultura
O crítico literário, sociólogo, militante político e professor universitário Antonio Candido morreu nesta sexta (12) aos 98 anos. Ao lado de Darcy Ribeiro e Sérgio Buarque de Holanda, Candido foi um dos maiores intelectuais brasileiros e dedicou boa parte da vida e de seus estudos a conhecer e explicar o país.
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Candido nasceu em 1918 no Rio de Janeiro e passou a infância nas cidades de Cássia, em Poços de Caldas e São João da Boa Vista para se estabelecer posteriormente em São Paulo em 1937. Entrou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco e na Faculdade de Filosofia na USP. Candido, no entanto, abandonou a faculdade de Direito no quinto ano, formando-se em Filosofia em 1942. Ao longo da vida, o crítico construiu uma extensa carreira acadêmica como professor universitário.
Como crítico literário, começou a escrever no começo da década de 1940 resenhando livros de escritores desconhecidos na época como Clarice Lispector e João Cabral de Melo Neto. Foi responsável por estudar profundamente e ajudar na valorização de um dos melhores escritores brasileiros, o alagoano Graciliano Ramos.
Foi o crítico literário que moldou o pensamento intelectual brasileiro a partir do século XX. Escreveu obras preciosas para a formação de conhecimento e entendimento da literatura brasileira, especialmente entre as décadas de 1920 e 1960, considerada por Candido “‘o’ momento mais rico da nossa literatura”. Dos seus vários livros publicados estão a Formação da literatura brasileira: momentos decisivos, Os parceiros do Rio Bonito (estudo obrigatório para quem quiser entender a cultura caipira) e Na sala de aula: caderno de análise literária — isso para não mencionar toda a bibliografia do autor, livros essenciais para se conhecer o Brasil.
Dono de uma escrita erudita e ao mesmo tempo de fácil entendimento, Candido desvendava um país plural perante qualquer leitor curioso. “Acho que a clareza é um respeito pelo próximo, um respeito pelo leitor. Sempre achei, eu e alguns colegas, que, quando se trata de ciências humanas, apesar de serem chamadas de ciências, são ligadas à nossa humanidade, de maneira que não deve haver jargão científico”, justificou.
Afora a carreira frutífera de crítico e intelectual que exerceu até o fim dos seus dias, Candido também atuou no campo político militando no Partido Comunista Brasileiro e ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores. Se autodenominava um socialista, classificando como “uma doutrina totalmente triunfante no mundo”.
Avesso a tecnologias, resistiu à chegada do computador e até recentemente ainda batia os textos à máquina. Assim como não teve e-mail e até admitiu que não lia nada de novo nos últimos 30 anos. “Não me interesso pela literatura atual”, disse. Apesar de ser avesso às modernidades, as ideias e as contribuições de Candido para o entendimento do Brasil são mais modernas do que nunca.
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