Aftermath: não há retoma sem crescimento

VICE: A maior parte dos 12 elementos que integraram a rede Aftermath está relacionada com as áreas das Ciências Sociais e Humanas — filósofos, sociólogos, economistas, entre outras. O Professor João Caraça é físico nuclear. O contributo de um estudioso da área da Física Nuclear pode não ser tão claro… João Caraça: 

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E como é que surgiu a ideia de criar, em Lisboa, este grupo para estudar a crise? Neste caso, foram duas. o livro de entrevistas E também foi feito um documentário.
Mas essa perspectiva concertada corresponde a uma mesma linha ideológica? Pelas minhas leituras, fiquei com a ideia de que todos os elementos alinham na mesma corrente ideológica — a da social-democracia europeia. Não existem soluções válidas à direita e à esquerda? A determinado momento, o sociólogo John B. Thompson admite que “estamos num lugar muito incerto”. A incerteza mantém-se pelo facto de nos faltar uma distância mínima de análise? Essa distância era essencial para o projecto? Apesar de, como referem, não se tratar de uma crise global. Concorda com Castells quando afirma que há, genericamente, duas reacções opostas à crise, ou seja, as “pessoas que estão a tentar regressar ao passado e as pessoas que estão a tentar descobrir o que poderá ser o futuro”? E o que é que mudou concretamente? Por exemplo, a questão da situação global. É difícil fugir a isto. Há muitas influências das outras zonas. Nós não podemos fechar uma fronteira e dizer: “Nós tomamos aqui medidas e isto vai funcionar desta maneira.” Não, porque isto tem implicações para lá e de lá para cá. Portanto, nós levamos já cinco anos de crise e, mesmo que nos próximos anos venha a retoma, o dano que está feito é suficiente para que nada fique igual. É isso? O mundo mudou onde exactamente? Essa retoma nunca poderá vir sem crescimento, certo? Fomos alvo desse ataque? Nós, PIGS. [Portugal, Itália, Grécia, Espanha] Não acredita na tese de que a culpa não foi dos povos gastadores? Essa parece-me uma crítica recorrente aos economistas. Quando se diz, por exemplo, que têm uma visão mais economicista e menos humana do mundo que os rodeia. Mas não é verdade que a maior parte dos elementos da rede que se criou tem uma visão optimista do mundo? Voltando ao início e ao tópico da incerteza. Neste momento, em que lugar se encontra a Europa e Portugal? E com o mal dos outros podemos nós bem.
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