O que define uma boa música em 2015? Ela precisa apenas ser bem composta? Ela fica grudada na sua cabeça? Será que o Drake precisa cantá-la? Bem, não existe resposta satisfatória para essa pergunta. Como com qualquer canção, às vezes você apenas sente. Quando você ouve uma boa canção, você meio que… tá ligado? Então, com isso em mente, nós sabemos porque você está aqui. Você quer mandar um CTRL+F procurando sua faixa preferida e depois reclamar do lugar dela. Nós entendemos. Você precisa reafirmar seu gosto.
Nós aqui no Noisey também nos sentimos assim. Na verdade, compilar essa lista foi o mais próximo de uma briga que críticos de música podem chegar — ou seja, nós todos votamos e depois sentamos em uma sala de reunião e falamos de maneira civilizada durante algumas horas sobre que canção deveria ser colocada e em que lugar. Felizmente, tirando alguns arranhões e olhos roxos, ninguém ficou ferido de verdade (a não ser emocionalmente) e nós saímos com essa lista de 50 melhores canções de 2015. Achou a lista uma merda? Why don’t you call me on my cellphone…
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50. Drake – “Know Yourself”
A canção que iria definir milhares de status de Facebook deveria estar mais no topo da lista, mas a introdução da faixa de referência que inspirou a canção roubou muito de sua mágica. Não é o mesmo que dizer que é menos divertida, mas é difícil sentir sua dor através de Drake quando ele está cantando a dor de outro rapper. Mesmo assim, “Know Yourself” é a canção seminal de Drake em 2015, a que inspirou tantos a cantarem junto, e que teria uma versão exepcional de Dilly Dally. Pode não ser a canção do Drake que esperávamos, mas é a que merecemos.—Slava Pastuk
49. Hudson Mohawke – “RYDERZ”
“RYDERZ” do Hudson Mohawke não é apenas um ótimo single mas, como aconteceu com muitos artistas esse ano, marca um ponto de virada para o produtor. Os toques maximalistas de trabalhos anteriores como Butter e Satin Panthers ainda estão aqui em forma de metais estourados e das suntuosas cordas. Mas o andamento suave e construção espaçada da faixa permitem que o sample gospel respire junto com os toques de R&B e electro que agora servem como base principal do produtor. Mesmo assim, “RYDERS” é uma amostra segura da recente maestria que Mohawke tem em fazer hits acelerados mas com alma. —Jabbari Weekes
48. Disemballerina – “That Is the Head of One Who Toyed With My Honor”
Inspirada na história real de uma mulher que decapitou seu estuprador, “That Is the Head of One Who Toyed With My Honor” é o auge do álbum neoclássico doom de câmara da banda Disemballerina, o Poison Gown, cujo tema é a vingança. A canção constroi a tensão cuidadosamente, metodicamente, os guinchos que sobem do choro das cordas e acordes suspensos são pontuados pelo som metálico de um facão afiado. Quem diria que um cello, uma harpa, uma viola, um violão e um baixo poderiam soar tão aterrorizantes?—Kim Kelly
47. Torres – “Strange Hellos”
“Strange Hellos” é a esmagadora abertura de Sprinter, o aclamado segundo disco de Mackenzie Scott, também conhecido como Torres. Produzido pelo baterista e produtor da PJ Harvey, Rob Ellis, “Strange Hellos” traz ganchos grunge para uma canção folk devastadora sobre a morte de uma mãe. Torres acerta com incrível precisão e equilíbrio o ponto médio correto entre o rock alternativo dos anos 90 e o folk americano.—Bryn Lovitt
46. Mas YSA – “Margarita”
O universo pode geralmente ser confrontado de uma dessas duas maneiras: Você pode se maravilhar com a amplidão e ponderar suas infinitas possibilidades, ou você pode cerrar seus punhos e gritar para o mudo céu noturno pedindo uma explicação para tanta crueldade. Essa canção, com as suaves flautas de pã, o enorme baixo, e essa súplica sofrida ao tema—“don’t you leave us too soon” (não nos deixe tão cedo)—raivosa e alegremente, faz os dois.—Kyle Kramer
45. Courtney Barnett – “Pedestrian at Best”
Courtney Barnett é uma das melhores compositoras trabalhando hoje em dia, porque ela é, acima de tudo, uma ótima contadora de histórias. Quem mais poderia transformar uma anedota sobre ter um ataque de asma enquanto cuidava do jardim em uma meditação existencial? Em “Pedestrian at Best”, o principal single de seu primeiro LP de verdade Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit, Barnett joga seu humor seco e observações afiadas em um pacote só, estourando a válvula de escape em um hino do “foda-se” que soa como uma atualização sarcástica e auto-crítica de “Positively Fourth Street”. Os versos são o próprio id de Barnett, canalizando seus resmungos em fluxo de consciência em refrões auto-conscientes que cospem suas ansiedades sobre fama e favoritismo de volta nos haters. O título em si “Pedestrian at Best” (no máximo medíocre) não é citado ou explicado na canção, mas é fácil imaginar o imbecil que escreveu esse comentário curtindo essa música envergonhado.—Andrea Domanick
44. Whitey Morgan – “Waitin’ ‘Round to Die” (Townes Van Zandt)
Todo trovador calejado pela estrada que vale seu pão e cerveja guarda um disco do Townes van Zandt no bolso, mas poucos conseguem realizar tão convincentemente quanto Whitey Morgan o faz nessa versão lúgubre de “Waitin’ ‘Round to Die”. Os choros de guitarra de aço, o trinado do violão, e a pronúncia áspera de Morgan cobrem a letra com nuances de resignação; é o lamento de um fora da lei, o tormento de um viajante, e uma cruel constatação de continuar andando em frente, até por que pra onde mais você iria?—Kim Kelly
43. J Hus – “Dem Boy Paigon”
Para perceber o impacto desse álbum em 2015 — um disco que não tocou nas radios, não teve resenha em lugar algum quando foi lançado, um disco que é underground na mais pura definição do termo — você precisa ver esse video de um vizinho judeu ortodoxo reclamando do barulho em Londres. Ele está tentando avisar as pessoas da perturbação no bairro, onde jovens parecem ter transformado um quarteirão inteiro numa festa. Sem querer ele filmou centenas de moleques gritando junto com “Dem Boy Paigon”, cada sílaba de Hus amplificada mil vezes. Algo nesse disco, as batidas pausadas de dancehall e as frases de auto-tune, fizeram ele parecer completamente novo e lançaram J Hus para um ano espetacular que culminou em um lugar de destaque na lista de 2016 da BBC.—Sam Wolfson
42. School of Seven Bells – “Open Your Eyes”
Aqui vão duas coisas com as quais podemos concordar: é difícil pra caralho se manter próximo de um ex, e tem algo naquele final tumultuado de um caso de amor acabando que vai continuar alimentando a festa da dor bem depois do fim propriamente dito. Aquele elixir de fúria, injustiça e dor de encharcar os travesseiros é tão viciante quanto é amargo e “Open Your Eyes” fala disso. Mas essa não é uma história triste introspectiva, é mais um hino de encorajamento, um impulso pra frente — ”let go, move on” (deixe pra trás, siga em frente) — que a vocalista Alejandra Deheza canta em versos suaves com o fundo de melodias que soam como uma cascata. Esse é o primeiro lançamento do School of Seven Bells desde que Benjamin Curtis perdeu a batalha para o câncer no final de 2013. Também é a primeira amostra do álbum final da dupla, SVIIB, composto e em grande parte gravado antes da morte de Curtis, marcado para ser lançado em fevereiro. O capítulo final da parceria de dez anos da dupla, que nos deu quatro discos estonteantes e uma história de amor que vai fazer você chorar. Em 2016, você não encontrará um disco feito com mais emoção e clareza, mas até lá, essa amostra projeta a positividade do espaço onde foi composta, mesmo que as letras agora soem amargas frente à realidade do que houve. Ainda assim dolorosamente bonito, pura e simplesmente.—Kim Taylor Bennett
41. Sam Russo – “Sometimes”
Todo mundo pode ficar triste com términos. Isso é fácil. Mas é preciso um verdadeiro masoquista para olhar para a própria vida quando está tudo de pernas para o ar e dizer, “Sometimes I just want to hurt” (às vezes eu só quero sofrer). Esse é Sam Russo. Ele mostrou amplamente seu amor pela melancolia em seu subestimado disco de 2013, Storm, que mostrava um relacionamento terminando. E embora as coisas estejam indo bem para Russo desde então, ele não vai deixar a alegria atrapalhar uma boa canção. “Sometimes”, a primeira faixa de Greyhound Dreams, é sobre a crença de que o amor verdadeiro deve machucar pra caralho, e no final das contas sobre aceitar as boas coisas da vida.—Dan Ozzi
40. Miguel – “the valley”
Miguel poderia muito bem ter chamado “The Valley”, do seu subestimado disco Wildheart, de “Unadorn”. É um hino carnal tão urgente em seu desejo que não deixa lugar para a sutileza, nuance ou romance. Até seu sintetizador firme e pulsante soa como a melodia de “Adorn” virada do avesso, pulsando com inevitabilidade. Coisas explícitas demais costumam parecer pesadas ou forçadas — deixe algo para a imaginação — mas a performance sussurrada de Miguel anda em cima da linha entre a clareza e o controle, fazendo da sua audição uma experiência completamente vulnerável, o equivalente musical de recusar de parar de fazer contato visual. Essa crueza, tanto lírica quanto musical, pode ter custado o sucesso comercial de Wildheart, mas transforma “The Valley” num clássico instantâneo.—Andrea Domanick
39. Murder by Death – “I Shot an Arrow”
Com sua abertura grooveada pra cacete, “I Shot an Arrow” não soa como o começo de uma típica canção do Murder by Death, mas enquanto o vocalista Adam Turla a transforma em um uivo, ela certamente termina como uma. E talvez seja que não exista tal coisa como uma canção típica do Murder by Death. Em sete discos, a banda está constantemente o desafiando a categorizá-la (folk punk gótico, talveeeez?). “I Shot an Arrow” também tem a distinta honra de ser a única música dessa lista que é baseada em um episódio de Além da Imaginação.—Dan Ozzi
38. Jack Ü – “Where Are U Now”
No começo do ano, ninguém achava que Justin Bieber se redimiria aos olhos do público, especialmente numa fase que começaria em uma colaboração para uma faixa de Skrillex e Diplo. No mesmo golpe, a dupla de produtores conhecida como Jack Ü conseguiu sucintamente marcar a combinação perfeita entre EDM e pop, assim como dar o primeiro passo para retornar Bieber às boas graças do público e crítica. “Where Are Ü Now” pega os pontos altos tanto de Skrillex quanto de Diplo, mixando os vocais distorcidos por Skrillex e os colocando contra as batidas de dancehall aperfeiçoadas por Diplo. Acima disso tudo, Bieber mostra como sua voz se tornou poderosa e comovente com o passar dos anos. “Where Are Ü Now” encontra força em ser atraente tanto para adolescentes quanto adultos. Afinal de contas, diversão não tem idade.—John Hill
37. Japanese House – “Still”
Existe um momento em toda relação condenada em que você tem certeza que é hora de ir embora, mas não consegue. Você está preso. Ao invés de ir embora, você está preso demais na situação: dormindo ao lado de alguém que te traíu, quebrou seu coração, enlouqueceu. O resultado disso é que você se sente morto por dentro. Esse é o tipo de momento doloroso com o qual Amber Bain trabalha. Em “Still”, ela captura isso com vocais harmônicos extremamente comoventes que comunicam a fragilidade da situação de uma forma que ninguém mais o fez.—Ryan Bassil
36. Rich Homie Quan – “Flex”
Seja sendo ele acusado de roubar o som do Future, ser diminuído como a metade menos importante de sua colaboração com Young Thug, ou indiretamente sendo responsável por um dos maiores memes do dance desse ano, Rich Homie Quan raramente recebeu o crédito que deveria como um talentoso compositor pop e talento original. “Flex (Ooh Ooh Ooh)” é sua resposta aos céticos, uma música elasticamente divertida que imagina uma versão mais ensolarada do cada vez mais gasto trap de Atlanta.—Kyle Kramer
35. Grimes – “Flesh Without Blood”
O primeiro gostinho oficial do muito antecipado disco de Grimes, três anos em produção depois do sucesso de Visions — com o disco inteiro tendo sido jogado no lixo uma hora porque “estava péssimo” — ”Flesh Without Blood” foi um passo ousado. Um beijo de adeus para a mesma cultura de hype fomentado em blogs que alimentou sua ascenção, a faixa foi, de certa forma, uma amostra de seu trabalho pessoal mais acessível até o momento. Um que reafirma a proeza de Claire Elise Boucher tanto como uma estrela pop quanto como mente dos bastidores; uma hábil multi instrumentista que pode e vai criar canções power-pop a la Kelly Clarkson.—Emma Garland
34. Drake and Future – “Jumpman”
Quem você conhece que poderia pegar uma palavra de duas sílabas e transformá-la num hit de pista? Você poderia nomear dois artistas capazes disso, e os dois se juntaram para fazer “Jumpman”. Longe de ser a melhor canção em What a Time to Be Alive (essa seria “Jerseys”), virou a canção que se destacaria das outras pela própria estranheza. Ela inspirou remixes e video games, enquanto promovia a parceria de Drake com sneakers Jordan. Você precisa dar o crédito a Metro Boomin por criar um instrumental que é tanto alegre quanto assustador, mas o verdadeiro prêmio vai para Drake por fazer algo que soa como uma música pra encher linguiça de disco, mas que que tomou vida própria.—Slava Pastuk
33. Kacey Musgraves – “Dime Store Cowgirl”
Essa é a canção de Pageant Material em que Kacey Musgraves acerta de verdade o seu primeiro passo. Em um disco cheio de canções sobre reflexões e sobre nunca realmente escapar de suas raízes, “Dime Store Cowgirl” realmente junta tudo: “You can take me out of the country / But you can’t take the country out of me, no / ‘Cause I’m still the girl from Golden / Had to get away so I could grow,” (Você pode me tirar do interior / Mas você não pode tirar o interior de mim / Porque ainda sou a garota de Golden / Tive que ir embora para poder crescer), Musgraves canta. Junto com pesados violões de corda de aço, essa canção é a ligação que fará você se reconciliar com quem você costumava ser.—Annalise Domenighini
32. Car Seat Headrest – “Something Soon”
Uma tendência que todo mundo adora mencionar quando fala de música no ano de 2015 é que as guitarras morreram. Vão com Deus, seis cordas. A molecada prefere o computador para fazer música agora ao invés de uma Stratocaster. Isso pode ser verdade até certo ponto, mas não é tão verdade assim. O Car Seat Headrest — de um sujeito em Seattle chamado Will Toledo — é um exemplo disso, e “Something Soon” é seu melhor trabalho até agora, que é algo considerável já que Toledo tem gravado e lançado centenas de músicas na internet nos últimos cinco anos, tendo assinado com a Matador apenas recentemente para seu último lançamento, Teens of Style. Sua música é charmosamente introspectiva; do tipo que força você a olhar para cima e se perguntar porque o céu estrelado é tão terapeutico.—Eric Sundermann
31. Bleed the Pigs – “Born of Filth”
Bleed the Pigs nos abençoou com vários lançamentos esse ano, mas o split da banda de Nashville com o Thetan foi o primeiro, e possivelmente, o mais potente. “Born of Filth” é um lamento imundo, que nos apresenta um hardcore cáustico, sludge sujo, grind agitado e death sinistro no espaço paranóico de quatro minutos e meio. Bleed the Pigs é brilhante em qualquer velocidade, mas o lento engatinhar da faixa é pegar um tubo na onda de terror.—Kim Kelly
30. BEA 1991 – “Filthy Believer”
Você nunca adivinharia, se você ouvisse apenas os primeiros trinta segundos dessa canção, como ela termina. Ela começa calma, com sintetizadores suaves como se você tivesse acabado de entrar em uma aula de yoga e o instrutor estivesse acendendo um incenso. A estrela holandesa do anti-pop BEA 1991 canta lentamente, como se fosse a Lorde fazendo a chuca. Então vários alarmes começam a soar, como se a chuca estivesse dando errado. Cada pedaço desse som é estranho, mas juntos, formam uma obra prima. A habilidade da BEA em chocar e confundir fazem dela um dos principais nomes recentes do novo art pop.—Sam Wolfson
29. Appalachian Terror Unit – “Casualties of a Rape Culture”
O título bate forte — então a música entra com os dois pés no peito. Tirado do primeiro LP do quarteto crust desde 2008, “Casualties of a Rape Culture” surge acompanha a levada urgente da bateria. A vocalista Sarah cospe veneno e verdade sobre a forma como a nossa sociedade silencia, explora e abusa mulheres, antes de lançar seu canto áspero clamando por mudança — ”Sisters of the world we will never be quiet / We have a voice, we will not drown in the silence” (Manas do mundo nós nunca vamos ficar quietas / Nós temos uma voz, não vamos nos afogar no silêncio).—Kim Kelly
28. Lady Leshurr – “Queen’s Speech 4”
“Brush your teeth!” (Escove seus dentes!) e assim acaba a lição de Lady Leshurr, uma MC de grime de Birmingham cuja quarta edição da sua série de freestyles Queen’s Speech viralizou em agosto com mais de um milhão de views em uma semana. Com citações a Rachel Dolezal, Fetty Wap, Rick Ross, e uma problemática referência a Caitlyn Jenner (chamada de Bruce Jenner), “Queen’s Speech 4” dá uma divertida reformulada no hip hop Inglês. Em uma indústria que costuma ser centrada em Londres e nos homens, Lady Leshurr veio ocupar um espaço que é só dela, com um ótimo flow, ritmo gostoso e uma voz lindamente encaixada no humor.—Emma Garland
27. Young Thug – “Hercules”
Esse ano passado, a música viu diferentes graus de tretas. Quanto Young Thug foi atrás do Metro Boomin por causa de alguns tweets, o destino de sua muito aguardada mixtape Metro Thuggin parecia estar abalado. Felizmente, o clima ruim não durou mais do que uma semana, e no fim das contas a dupla lançou um dos seus melhores trabalhos em “Hercules”. A canção é extremamente auto-consciente, dando uma piscada para as tretas com Thug repetindo as ofensas de Metro Boomin antes de apresentar sua própria. Também é consciente das capacidades que ambos os artistas tem de compor hits, e como seus talentos combinam entre si. O registro vocal de Thugger quica das paredes, seguindo os beats de Metro de perto. É um resumo de suas proezas e força desse ano em uma faixa; Metro Boomin se destacando como o produtor mais importante do ano, e Young Thug lançando mais projetos de qualidade do que nunca.—John Hill
26. Jidenna – “Classic Man”
O hit de verão da Jidenna surgiu sendo apenas um refrão pegajoso mas depois se transformou em um estilo de vida. O que, exatamente, é um homem clássico? É mais do que um cara em um terno chique — embora isso não atrapalhe. Na verdade, um homem clássico é um estado mental. “Todo estilo é uma forma de resistência”, Jidenna disse à The Fader esse ano. Um homem classico não reconhece gênero. Um homem classico é alguém que é progressista, que é pra cima, que é positivo, que é sério, desafiador. Amigos, encontrem seu homem classico interno.—Eric Sundermann
25. Tame Impala – “Let It Happen”
O Tame Impala não deveria soar tão bem assim. Até agora, o projeto de Kevin Parker tem sido, no máximo, um rock psicoélico interessante para se distrair da onda de música com guitarra desinteressante encontrada basicamente em todo e qualquer lugar. Então quando seu terceiro disco abriu com “Let it Happen”, um guincho torturado de quase oito minutos — tão desafiador quanto amedrontador — nós não soubemos o que achar. Um exercício alicunatório impressionante, que se encaixa perfeitamente em um DJ set cósmico quanto numa sessão de bongda na república da faculdade.—Angus Harrison
24. Meat Wave – “Delusion Moon”
“Delusion Moon” é a canção perfeita para começar um disco de uma banda chamada Meat Wave. É exatamente o que parece ser—uma pancada incansável nos seus ouvidos, como ondas de carne batendo na sua cara, martelando sem parar na sua cabeça até você ficar completamente desorientado. É como enfrentar um round com Mike Tyson em seu melhor, só que com um pouco menos de mordidas na orelha.—Dan Ozzi
23. Hop Along – “Waitress”
A cantora do Hop Along, Frances Quinlan, parece ter uma fonte infinita de malabarismos para serem feitos com a sua voz. Ela coloca guinchos e gorjeios em uma canção para acrescentar uma personalidade inimitável, como os chiados e saltos de um velho disco na vitrola. Em “Waitress”, uma canção sobre o pavor de encontrar alguém que você conhece quando você quer apenas terminar o seu turno como garçonete para pagar a faculdade, o truque é que ela sobe a voz a cada refrão, cada vez mais alto, decibel por decibel, até terminar a canção testando os limites do que uma música consegue aguentar.—Dan Ozzi
22. DonMonique – “Pilates”
“Pilates” não é uma canção sobre como conseguir uma postura perfeita, mas uma canção suave com uma imponente batida em que a rapper de 21 anos do Brooklyn DonMonique cita Kendall, Kylie, e sim, Miley, as transformando em codinomes para drogas (Kendall é modelo, então é cocaína, Kylie já teve o cabelo verde, então maconha, e Miley é ecstasy, também chamada de molly em inglês). Uma versão lenta do bom trap, “Pilates” anunciou a chegada de um novo talento com um buquê de canções sem impedimentos em seu EP de estréia Thirst Trap. Esse ano, a melhor parte do domínio das Kardashians sobre a cultura pop foi a apropriação que DonMonique fez dos herdeiros mais jovens do clâ para a nossa diversão.—Kim Taylor Bennett
21. Stormzy – “Know Me From”
O Stormzy é ótimo porque os americanos não o entendem. A América não entende muito bem as palavras que ele usa mas não pode negar que “Know me From” deixa muitos de seus rappers no chinelo, com sua produção, confiança e vídeoclipe —que, acima de tudo, mostra a mãe de Stormzy. Ser britânico é uma coisa maravilhosa e Stormzy é o soldado que representa o que isso significa, que é algo distante das Ellie Gouldings e Ed Sheerans com quem o país costuma ser associado.—Ryan Bassil
20. Alex Winston – “Down Low”
Winston tem o dom: A habilidade de acabar com suas reservas e mostrar canções que transbordam de emoção—reveja o “101 Vultures” de 2013 para entender. Como ponte entre sua estreia de 2012 King Co e seu segundo disco, a cantora mostrou seu EP, The Day I Died no meio do ano. A faixa título pode ser a mais chamativa da coleção, mas “Down Low” é quem rouba a cena. Uma balada dos anos 80 sem sua parte chamativa, que impressionantemente a torna mais ampla nessa dispersão. A voz da artista de 28 anos é tão íntima que você pode ouví-la abrindo os lábios, seus tons floreiam finamente como Kate Bush e são tão facilmente elásticos em alcance quanto os dela. É uma balada de término com uma dor tão aguda quanto aquele momento que você se apega de cada memória açucarada da relação só para a dor desaparecer.—Kim Taylor Bennett
19. Speedy Ortiz – “Raising the Skate”
“Raising the Skate” é a estranha canção de rock que o Speedy Ortiz nasceu para compor. Os floreios alternativos do quarteto de Massachusetts comandados por Sadie DuPuis mostram a cara nesse single frankenstein. É uma declaração matemática de poder, que mistura a característica energética da banda com uma atitude dominante.—Bryn Lovitt
18. Tirzah – “Make It Up”
Quem quer ouvir inúmeras canções pop sobre estar apaixonado ou ter sido largado quando você pode ouvir o som mais realista de Tirzah delicadamente repreendendo seu amor por ser um completo inútil? Essa é a essência de “Make It Up”, seu single de agosto que virou uma obsessão da internet depois do Four Tet lançar um trecho em seu programa da Radio 1. A batida house produzida por Micachu é um funk ondulante; embaçado e borbulhante, como um sistema de som abafado que está lentamente afogando em um líquido viscoso. Em essência, esse é o som de você discutindo na área de fumantes antes de dar as costas e entrar de novo na balada.—Joe Zadeh
17. Fetty Wap – “My Way”
O hit “My Way” do Fetty Wap é incrível porque é essencialmente um refrão de quatro minutos, modulando entre apenas duas linhas vocais com a mudança acontecendo nas partes erradas partes da canção. Parece que o artista acha que o refrão é tão foda que ele se recusa a sair dele. Soa rebelde, ousado, o mesmo pode ser dito do próprio Fetty Wap. Ele vem de New Jersey, um estado que não é conhecido pelo trap, e sua ascenção ao topo aconteceu sem comum artifício das participações de famosos nos sons. O seu reino foi construído inteiramente em cima de pequenas viradas e frases como essas, melodias que misticamente parecem tão novas tanto na primeira vez quanto na trigésima primeira audição.—Craig Jenkins
16. Father John Misty – “I Love You, Honeybear”
Josh Tillman não chama sua esposa de “honeybear”. Ele não chama ninguém disso. Mas ele canta a palavra repetidamente no começo dessa canção para dar início ao álbum do mesmo nome, como uma maneira de mostrar a que veio: um disco pesado no mel de um homem que está real e obsessivamente apaixonado. É claro, para evitar ser dispensado como mais um homem branco cantando canções com seu violão sobre seus sentimentos, ele se enterra em inúmeras camadas de ironia em seu personagem Father John Misty. Mas quando você descasca a ideia, existe uma canção realmente linda sobre dois cínicos se apaixonando e dizendo foda-se o mundo. Além disso, mostra um dos primeiros versos melhor cadenciados de qualquer disco: “Mascara, blood, ash, and cum on the Rorschach sheets where we make love” (Rímel, sangue, cinzas e porra nos lençóis Rorschach em que fazemos amor).—Dan Ozzi
15. Chris Stapleton – “Tennessee Whiskey”
É necessária uma alma sábia para transformar um hit de George Jones em um saudoso e pulsante blues. É preciso um mestre para colocar uma performance vocal perfeita nele. O cantor e compositor Chris Stapleton alcançou os dois com “Tennessee Whiskey”, o hit surpresa de seu muito aguardado disco solo Traveller. Stapleton e banda dão à canção uma levada lenta que ela não sabia que precisava, uma batida suave que dá espaço para o cantor sentir. E sentir é o que ele faz, especialmente no refrão, que é tão sincero quanto incrívelmente ténico. Os anos de trabalho de Stapleton como músico contratado em Nashville aparecem na nitidez com que ele canta e toca, e com a música subindo nas paradas, o cantor finalmente consegue aproveitar um pouco dos holofotes para si mesmo.
—Craig Jenkins
14. Kanye West feat. Paul McCartney – “Only One”
A maioria das músicas que artistas fazem sobre seus filhos é uma bosta. É fato que ninguém gosta tanto dos seus filhos quanto você, então parece óbvio que as pessoas também não curtam a música que você faz sobre seus filhos. No entanto, rappers continuam tentando provar que isso não é verdade. Jay Z tentou e errou com “Glory”, e quando foi anunciado que Kanye ia tentar quebrar a maldição, era fácil duvidar dele, e foi isso que transformou “Only One” em um sucesso tão surpreendente. A canção não é nada além de doce, talvez porque ela seja tanto uma carta para sua falecida mãe quanto uma carta de amor para sua nova filha. O autotune na voz de Kanye é adoravelmente ruim, e as adições de Paul McCartney são mais como cor de background, mas a coisa toda soa sentimental. Se velhos filmes de família em VHS tivessem uma trilha universal, seria a produção desconstruida de Kanye West para “Only One”.—Slava Pastuk
13. JME – “Man Don’t Care”
Da festa em casa para a balada no fundo do carro, “Man Don’t Care” se tornou onipresente a partir do momento que foi lançada, e se você precisasse pegar um hit para definir o crescimento do grime, então algo que bate forte e tem versos tanto de JME e Giggs é um puta de um lugar bom pra começar.—Joe Zadeh
12. Kendrick Lamar – “Alright”
Existia uma reclamação enfiada no meio do louvor crítico que chegou com o disco To Pimp a Butterfly de Kendrick Lamar. Algumas pessoas acreditavam que comparado ao lançamento anterior de Lamar good kid, m.A.A.d city, esse disco não tinha tantas canções (como se “King Kuta”, “i” e “These Walls” não fossem canções o bastante). Conforme o ano vai terminando, e conforme “Alright” tem se tornado trilha sonora para o movimento de direitos civis que aborda a questão da violência policial, é curioso pensar se essas mesmas pessoas ainda tem esse ponto de vista. “Alright” é mais do que a soma de suas partes; virou algo significativo para o povo em geral. Isso é algo imenso. E isso tudo antes de falarmos do clip da música. Isso merece toda a atenção que “Hotline Bling” recebeu.—Ryan Bassil
11. Kanye West – “All Day”
Lança chamas! Uma gangue de 30 pessoas vestidas de preto! A reação de Lionel Richie! A resposta da crítica! Será que já houve uma apresentação no BRIT awards tão boa quanto a de Kanye West com “All Day”? A faixa (que foi trabalhada durante a maior parte de um ano) atordoou quando foi lançada, e no lugar de SWISH, continua sendo assunto. É a sonoridade que Kanye vai seguir para seu próximo disco? Quem sabe! Tanto faz se a canção iniciou algo maior. Por que se teve algo que eletrocutou tanto os Estados Unidos quanto o Reino Unido, foi essa faixa.—Ryan Bassil
10. Dilly Dally – “Desire”
Não há nada nas letras e voz de Katie Monks que sugere nada além de algo completamente possuído por desejo em “Desire”. Monks grita e uiva através da música, que parece levar o ouvinte em uma lenta caminhada em direção a algo maior, apesar de nunca nos dizer o que esse “algo maior” seria.
O clima Alexis Krauss encontra Courtney Love dessa canção literalmente queima. “This fire, this fire, this fire, desire”, Monks repete de novo e de novo, até você se sentir um zumbi. Tudo o que você consegue pensar é quem — ou o que — você deseja e não tem como fugir disso. O atrai para um estado entre o sonho e a realidade, queimando de desejo até não ter nada mais a fazer a não ser tocar a música de novo.—Annalise Domenighini
9. Carly Rae Jepsen – “Run Away with Me”
Existe algum momento na música desse ano mais alegre do que quando o saxophone começa no incrível disco de Carly Rae Jepsen EMOTION? Imediatamente, nós somos presenteados com um som que é novo, excitante e explosivo — além de cheio de personalidade. Pois no fundo, é isso que faz de Jepsen uma artista especial, quase mística. Sua música canaliza algo de dentro de você, algo fundado em um sentimento inefável — você sabe qual é — aquele momento quando você começa a se apaixonar por alguém novo. “Run Away with Me” é tudo o que o título diz — uma declaração que nós deveriamos pegar essa pessoa, chutar nossas responsabilidades numa ribanceira e correr na outra direção, enquanto somos cercados de borboletas e passarinhos fofos. “Baby, take me to that feeling” (Baby, me leve para aquele sentimento), ela canta. “I’ll be your sinner, in secret, when the lights go out, run away with me” (eu serei sua pecadora, em segredo, quando as luzes apagarem, fuja comigo). Você pode dizer que a letra é simplisticamente romântica ou até juvenil, mas o compromisso de Jepsen com o momento fugaz é o que a torna tão atraente. Por pouco mais de quatro minutos, ela se recusa em deixar você parar de se apaixonar.—Eric Sundermann
8. Bully – “I Remember”
“I Remember” é a última palavra em hino do “foda-se” para qualquer um que teve seu coração quebrado por um amigo ou amante. É pessoal, é cru; é o tipo de música que você coloca quando está tendo sentimentos por alguém que não está mais na sua vida, e você está puto que essa pessoa te deixou se sentindo assim.
O som é ambiente e grande e os vocais gritados de Alicia Bognanno podem lembrar o Hole, ou o riot grrrl em geral, porque muito da música de 2015 parece soar assim, mas Bully e Bognanno trazem algo novo ao revival do riot grrrl com essa canção. É uma canção sobre estar doente de amor, sobre querer vingança, sobre aquele sentimento bizarro de possessividade que você sente sobre uma pessoa depois que ela saiu da sua vida. Do primeiro lamento da guitarra ao último grito de Bognanno, essa música vai fazer você socar a parede e gritar a plenos pulmões.—Annalise Domenighini
7. Rihanna – “Bitch Better Have My Money”
O movimento mais sábio da carreira de uma década de Rihanna foi o momento que ela decidiu dar um passo para trás. Com exceção de 2008, Rihanna lançou um disco a cada ano, discos que, apesar da proximidade entre seus lançamentos, marcaram um notável progresso em sua evolução como artista, cada um cimentando cada vez mais sua posição no panteão da cultura pop. Posto isso, ao final da época de promoção de Unapologetic, era hora de parar. Nós chegamos ao ponto de saturação. Por mais que suas curvas caramelo fossem uma constante confortável em nosso Instagram (e um lembrete para voltarmos à academia), sua pausa de seis meses no ano passado foi necessária. Sentir saudades de alguém é bom. É claro que quando você é uma estrela tão brilhante quanto ela a sede do público é tão inesgotável, que ela nunca sairá de vez do radar.
Esse ano, Rihanna orquestrou uma sessão extendida de preliminares, começando em janeiro com “FourFiveSeconds”, compondo com uma linha interminável de colaborações de moda e o fato que ela usou o vestido de gala mais memetico do mundo para o Met Ball desse ano. Quem sabe, talvez ela termine o ano nos surpreendendo com o lançamento surpresa de seu oitavo disco, Anti, mas enquanto isso, seu maior feito de 2015 foi “Bitch Better Have My Money”. Com essa ameaçadora valsa e chimbais de trap, sua inconfundível confiança, e claro, o clip sangrento maravilhoso, a música é supostamente uma diss para o seu contador ladrão. Mais que isso, é uma lembrança clara de que ela conitnuará dando as cartas enquanto fofocamos incessantemente sobre cada movimento dessa mulher.—Kim Taylor Bennett
6. Kendrick Lamar – “The Blacker the Berry”
Em janeiro desse ano, com as feridas de Trayvon Martin e Eric Garner ainda frescas mais ainda não prontas para incendiar as manifestações de Ferguson, Kendrick Lamar foi alvo de comentários sobre sua convicção de que o ponto de partida da violência contra afro-americanos precisava vir “de dentro” — com muitos achando que ele estava de alguma maneira culpando as vítimas da brutalidade policial por seus destinos. Em 9 de fevereiro ele já tinha lançado “The Blacker the Berry” e quaisquer dúvidas sobre suas verdadeiras intenções foram silenciadas. Nós elogiamos a maioria das grandes músicas politicas por sua universalidade, sua habilidade de serem constatações de qualquer povo em qualquer época. “The Blacker the Berry” faz o oposto. Ela transborda de veneno pessoal e confusão. Lamar cospe “You’re fuckin’ evil / I want you to recognize that I’m a proud monkey” (Você é ruim / eu quero que você reconheça que eu sou um macaco orgulhoso) como se colasse o peso inteiro da hegemonia branca na parece em um perigoso e espontâneo ataque de raiva.
É isso que faz essa música ser um trabalho tão potente. Tão cheio de ódio pelos outros quanto de si mesmo, ela não tenta dar respostas. Ao invés, é o som da aflição sem coleiras. Gerações de dor cuspidas em um instante.—Angus Harrison
5. Future – “March Madness”
É difícil discordar que esse ano foi de alguém além do Future. Nós últimos 12 meses ele nos deu Monster, Beast Mode, 56 Nights, DS2, e What a Time to Be Alive, e isso não é nada além de lendário e provavelmente vai colocá-lo firmemente no hall dos maiores MCs. Nesse período ele lançou algumas das melhores músicas de sua carreira — e no verdadeiro estilo Future, ele tem sido bom demais para seu próprio bem, criando tantos hits que nenhum conseguiu fazer verdadeiro sucesso comercial. O destaque entre o destaques é “March Madness”, o rodopiante e imenso hit de 56 Nights que com certeza é a música preferida do seu rapper preferido. Não é apenas, liricamente, uma das melhores realizações de Nayvadius — destemidamente falando sobre o caos político que assolam os EUA em 2015 com um vídeo cheio de violência policial para completar — mas sonoramente essa faixa virou um diagrama para o som de Future: doce, monstruoso e agressivo.—Eric Sundermann
4. Skepta – “Shutdown”
Não sabemos se Skepta estava trolando seu amigo canadense ao usar o monólogo do Vine de Drake para abrir a canção que viraria um hit internacional, mas é fácil imaginar que sim. Mesmo assim, é preciso um tanto considerável de talento para sair de trás da sombra de Drake, e Skepta virou um candidato improvável para artista revelação do ano graças a essa música. Claro que ele tinha uma longa carreira antes, e tinha um montede hits, mas nenhum bateu da maneira que “Shutdown” bateu. Agora é quase impossível se referir ao Skepta sem se lembrar dessa faixa. Os viciantes metais da introdução viraram a marca registrada do MC em 2015, e o fato de um grime alcançar tanta popularidade mundial é algo que não acontece há um bom tempo. A habilidade do Skepta em rimar sobre instrumentais acelerados é apenas um dos motivos dele ter estourado esse ano, o outro fator é como ele consegue manter o grime — que geralmente é visto como um gênero inacessíve l— no mainstream. Espero que ele consiga manter suas conquistas em 2016.—Slava Pastuk
3. Drake – “Hotline Bling”
Drake passou a maior parte de 2015 defendendo seu status de maior vencedor do rap, às vezes ao ponto de parecer bullying. Mas apesar de sua batida no peito em If You’re Reading This It’s Too Late, seu cirúrgico desmanche da carreira de Meek Mill, e mesmo sua auto proclamação como o condutor da orquestra dos memes do rap, a prova mais convincente aconteceu por acaso, na forma da faixa solta no Soundcloud chamada “Hotline Bling” que virou seu maior e melhor hit.
“Hotline Bling” não foi nem um sucesso instantâneo nem roboticamente desenhada para ser um — duas coisas raras para o Drake de 2015. Pelo contrário, ela é quase engraçada, com um refrão que gruda na cabeça para sempre — “you used to call me on my cell phone”. É o Drake como gostamos de lembrar dele — infeliz e ansiando pela ex-namorada — mas também em grande parte é como nos enxergamos. Às vezes somos nós com as taças de champagne na pista de dança; outras vezes somos aqueles que se perguntam miseravelmente como aquela pessoa que costumava nos ligar está se divertindo tanto com pessoas que nunca vimos antes. Drake dá o mesmo peso para ambos. No processo, ele convida todo mundo para a pista de dança, onde aquele beat retrô e cafona já está antecipando um momento vinte anos no futuro, quando tocarão isso em casamentos e nos lembraremos dos nossos anos de glória de mandar áudio bebaço no WhatsApp, de bisbilhotar o feed de Instagram dos outros, e de compartilhar memes hilários. Apesar do fenômeno “Hotline Bling”, com seus covers e paródias, personificar a nossa cultura do agora, é uma canção que vai durar para sempre.—Kyle Kramer
2. Jamie xx feat. Young Thug & Popcaan – “I Know There’s Gonna Be (Good Times)”
Quando o dicionário evoluir o bastante para ter um MP3 para a adição desse ano do emoji com lágrimas, a faixa de Jamie XX, Young Thug e Popcaan precisa ser a definição sonora de “curtição”. Durante todo o verão de 2015, parecia fisicamente impossível curtir de verdade sem escutar, ou ao menos imaginar, essa música. E por bons motivos. Tem alguma outra faixa que soa tanto com a curtição em si? É única, juntando dancehall, Young Thug e Jamie xx em uma coisa só. Ela também tem a qualidade única que todo single procura ter, com todos os versos com potencial de reverberar na cabeça do ouvinte por dias. O que ressoa é a sensação de otimismo que é a alma da faixa — da confiança que a colaboração iria funcionar até o resultado. Talvez seja isso que faça ela soar como quando todo mundo decide que o tempo está bom o bastante para sair de shorts de casa. Ao destilar esse momento em uma canção, Jamie xx assegurou que podemos voltar para uma alegria positivamente idealista a partir do momento que colocamos nossos fones de ouvido.—Ryan Bassil
1. Justin Bieber – “What Do You Mean?”
A habilidade do Justin Bieber em se envolver em controvérsias costuma nos distrair de suas habilidades como artista pop. Mas, conforme ele se afasta cada vez mais do molde petulante da criança prodígio dentro do qual ele nos foi apresentado, está se tornando cada vez mais irracional o estigma sobre suas ações adolescentes pesarem mais do que suas contribuições ao pop moderno.
Bieber nos entregou uma boa dose de material maduro no passado, “Boyfriend” de 2012 e o negligenciado Journals são provas disso, mas “What Do You Mean?” veio com um carimbo novo que é distintamente seu. Procurando clareza emocional, “What Do You Mean?” tem as pegadas pops memoráveis que esperamos de um hit de Bieber, mas com uma camada adicional de detalhes, inspirados no tropical house que permite que ele opere nas pistas assim como é interessante o bastante para viver no seu iPod livre de vergonha. Co-produzido pelo Bieber e o colaborador de “Boyfriend” MdL, “What Do You Mean?” tem um swingue maneiro, e um solinho de flauta de pã, além do fato de sua voz nunca ter soado tão bem. Com uma amostra impressionante de segurança, é talvez sua melhor aposta em ser levado a sério como artista por adultos, enquanto adulto.
—Emma Garland
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