É possível que você não saiba, mas um dos jogos mais famosos do mundo foi desenvolvido na União Soviética em 1984 (ano marcado, ao mesmo tempo, pelo livro distópico de George Orwel e pelo melhor disco do Van Halen) pelo programador Alexey Pajitnov. Como na época as leis de direitos autorais na União Soviética eram bem confusas, demorou algum tempo até conseguirem licenciar direito o jogo no resto do mundo. Fiquei com dor de cabeça só de tentar entender todo o malabarismo legal envolvido, mas, no final das contas, o jogo conseguiu ser lançado primeiro para PC pela empresa Spectrum HoloByte, e depois em praticamente todos os videogames e computadores possíveis. O interessante dessa primeira versão para o PC, e detalhe em várias campanhas de marketing do Tetris na época, é que o fato de o jogo vir da União Soviética era um grande chamariz para o bom e velho mundo bipartido da guerra fria, o que motivou também um monte de comparações bosta entre Tetris, o muro de Berlim e a cortina de ferro do partidão.
Sendo um dos jogos de lançamento do Game Boy, o Tetris ainda é o jogo que mais vendeu para o videogame portátil, com 35 milhões de cópias, acima até do Pokemon, santo graal do videogame portátil da Nintendo. Tetris ajudou, assim, a popularizar a prática de jogar videogame ao ar livre criando a primeira geração de crianças que, em vez de interagir com outros seres humanos nas festas, ficam isolados com suas telinhas piscantes, aumentando consideravelmente o índice de Síndrome de Asperger da humanidade. Obrigado, Tetris.
Videos by VICE
Trinta anos depois, Tetris ainda é o padrão para os jogos de puzzle e foi copiado, alterado, distorcido e zoado ad nauseam, como em alguns exemplos a seguir.
Welltris
Esse soviético boa-pinta é o criador de Tetris.
Se esse jogo chamasse Tetris 2, eu, você, seu priminho, sua mãe, todo mundo ia saber que ele existe. Mas Alexey Pajitnov, o mesmo cara que fez o Tetris original, decidiu chamar ele de Welltris e com essa má escolha conseguiu alterar todo o futuro dos videogames. Em Tetris 2 (eu me recuso a chamar o jogo pelo nome original) você controla as pecinhas que caem, como no jogo original, só que dessa vez você vê de cima um poço que aparece projetado em três dimensões. Ao controlar as peças caindo dos quatro lados do poço você tem um controle bem maior sobre onde elas vão parar, mas isso pode embaralhar legal seu cérebro. Quando as peças se aglomeram o bastante para tocar um lado do fosso, você perde o acesso a ele e vai ter que se limitar aos outros três lados. Se os quatro lados ficarem bloqueados, você perde. Complicado né? Vê o vídeo que fica mais fácil entender.
First Person Tetris
Você tem labirintite? Então não clique nesse link. First Person Tetris é idêntico ao jogo original, com a leve diferença que se você gira a peça, a tela gira junto com você. Também tem um curioso modo Existential Crisis, no qual você controla as pecinhas BEM de perto enquanto toca uma música críptica ao fundo, fazendo você se questionar sobre a existência, o destino e a inexorabilidade da morte enquanto vê a maldita pecinha caindo na escuridão. O jogo é um bom passatempo se você não estiver de ressaca, mas o ideal é você colocar aquele seu colega de trabalho mais bem-humorado para jogar essa belezoca.
Hell Tetris
Não, não é impossível fazer uma linha nessa versão sádica do jogo. Usando a já consagrada Física de Jogos de Flash, Hell Tetris força você a tentar encaixar peças quadradas em um fundo redondo. Se isso já soa difícil é provavelmente mais difícil do que você imagina, mas não é impossível completar uma linha, porque eu consegui, só uma, mas consegui. Para falar bem a verdade eu achei essa versão mais divertida que o Tetris original, embora um tanto mais frustrante.
DICA: Se você encostar a pecinha que está caindo na parede, ela dá uma parada, dando mais tempo para você planejar sua jogada, o que provavelmente não vai ajudar muito, mas é possível.
Encaixe Perfeito
Uma das provas mais concretas de que o Brasil não tem memória você encontra com uma breve pesquisada na internet sobre o jogo Noite Animal. Lançado em 1995 pela ATR Multimedia, o jogo aproveitou o que foi, provavelmente, o período de maior popularidade do grupo de humoristas Casseta e Planeta, com tudo o que o grupo tinha de piada sexista, homofóbica, racista e tudo mais, o que hoje em dia ia repercutir muito no Facebook. Pretendo falar melhor dessa peça maravilhosa na história das diversões eletrônicas brasileiras em outro momento, mas agora vou me ater ao minigame Encaixe Perfeito. Como era de se esperar do elevado humor do Casseta & Planeta, ele não passa de mais uma versão do Tetris, idêntica à original, mas substituindo os blocos por vários modelos de pênis, com a adequada caracterização racista de tamanho, grande do negão, médio do caucasiano e o do asiático pequenininho. Muito classudo. O bloco quadrado do Tetris original é inteligentissimamente substituído por uma bucetinha arreganhada, que coisa bonita. O curioso é que conforme o jogo avança, fica mais parecendo uma suruba que tem muito mais linguiça do que buraco, apresentando uma curiosa festa da carne mais gay do que hétero.
Sextris
Esse jogo só vai entender quem cresceu quando a pornografia on-line ainda não era essa maravilha que é hoje em dia, em que, na distância de uma barra de procura, você consegue encontrar inúmeras fotos de fetiche de tricô. Na época antes da internet e no tempo da rede discada, o acesso a uma foto de mulher pelada era uma empreitada e tanto: lembro daquelas revistas do CD-Rom que vinham com umas fotos de americanas de biquinão, os meninos iam à loucura com aquelas porcarias. Sextris tem a mesma jogabilidade de Tetris, mas ao completar as colunas, você ganha pontos que vão revelando fotos de belas mulheres seminuas nas poses mais sensuais dos anos 1990.
X Tetris
X Tetris é uma versão de Tetris de gente transando. Na verdade, a jogabilidade se afasta um pouco do jogo original o seu único objetivo real é ficar girando os humaninhos na tela para fazer suas genitálias se encaixarem, ao que, prontamente, os bonequinhos fazem uma animação de transa com um efeito sonoro meio nojento e somem imediatamente como num passe de mágica em um clímax intenso. Resumindo, o jogo é uma bosta.
Hieronytris
Baseado no famoso Tríptico O Jardim das Delícias do pintor Holandês Hieronymus Bosch (na verdade, só na parte da direita, que figura o inferno), o brasileiro Pedro Paiva fez essa versão bizarrinha de Tetris na qual as peças são figuras humanas. O resultado é um belo quebra-cabeças de pessoazinhas torturadas carnal e espiritualmente, aglomerando-se no poço. Ao completar uma linha, vem um monstrinho e prontamente devora as partes dos seres humanos que estão alinhados, o que quer dizer que conforme você avança no jogo você fica com a tela cheia de membros decepados, que encaixam nas outras figuras, que caem em cima criando monstrengos mutilados, bonito mesmo. A próxima peça que vai cair é representada pelo humaninho que o bicho da direita caga, assim como na pintura original. Certamente, uma das versões mais bonitas do Tetris que eu vi mas, visualmente, não consegui não ligar os corpos empilhados com o chefe Granfaloon do Castlevania Symphony of the Night. Você pode dar uma sacada nos outros jogos, a maior parte bem doentes, que o Pedro faz no site dele.
Brick Game 9999 em 1
Nove mil novecentos e noventa jogos em um minigame só? Essa é a forma final do Tetris, completamente digivolvido. Você pode encarar todas as filas do INSS e do Bom Prato que quiser agora. O tempo para você é um conceito que se aplica aos outros. Você está mais próximo de Deus.
Siga o Pedro Moreira no Twitter: @pedrograca
More
From VICE
-

-

The Apple Watch Ultra 3, because there aren't pics of a rumored, unreleased Ultra 4 yet. – Credit: Apple -

Bruce Willis -

Nickelodeon