Holofonia, criada pelo argentino Hugo Zuccarelli nos anos 1980, é uma forma de gravação que se diz o equivalente sonoro ao holograma: uma tecnologia capaz de captar o som exatamente como ele é e confundir o cérebro humano, de modo que passemos a acreditar que aquele som gravado, na verdade, realmente está sendo feito no momento, ainda que tenha sido manipulado.
Não posso afirmar com certeza que Guilherme Granado e Leandro Archela tinham esse conceito na cabeça ao batizar seu novo projeto experimental, o Bode Holofonico — é bem mais provável que o duo tenha feito uma junção da banda de Guilherme em que tocam juntos, Bodes & Elefantes, com o nome artístico de Leandro, Holofonica. De qualquer maneira, o termo se encaixa perfeitamente na audição do primeiro lançamento do duo. Por ser calcado na improvisação, tanto com instrumentos quanto com manipulação de sintetizadores, o som de Bode Holofônico nos dá impressão de que poderia estar sendo tocado em tempo real, aqui do nosso lado.
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O disco foi gravado em uma tarde no fim de 2015 e é dividido em duas seções de duas faixas cada, “Andaluz/Nikima” e “A Casa de Cacos/Kimani”, que, juntas, marcam 30 minutos de improvisação. Já tocando juntos há algum tempo, a dupla não apenas criou novos sons e temas, como também se sentiram mais livres para trabalhar temas que já haviam criado juntos — como, por exemplo, em “Nikima”. “Tocamos algumas vezes em shows de formas bem distintas. Durante a gravação ele foi se transformando ainda mais, muito pela atmosfera de liberdade e experimentação que a gente queria na sessão”, conta Leandro.

Sessão de gravação do Bode Holofônico. Foto retirada do Tumblr da Propósito Records.
Como não poderia deixar de ser, o projeto foi lançado pelo Propósito Records, selo “radicado na internet” e especializado em gravações caseiras, principalmente nas que focam em drone, noise e música eletrônica em geral.
Além de gravações da sessão de improvisação, o disco também contém samples de trechos de apresentações ao vivo do duo e as chamadas field recordings, ou gravações de campo. Apesar dos panos de fundo musicais um tanto distintos — Guilherme toca nas bandas paulistanas de rock instrumental Hurtmold e SP Underground, Leandro é tecladista no projeto experimental Rumbo Reverso e faz seu próprio som eletrônico pelo pseudônimo Holofonica — a dissemelhança parece só acrescentar ao projeto. “A gente teve banda de rock desde moleque, sempre produzindo o próprio material, buscando uma voz. Acho que as influências vão além do som e passam por outras manifestações artísticas, compõem cada um de nós e se manifesta no Bode Holofonico”, conclui Leandro. Escuta o som:
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