Falando de couro crust dia desses, lembramos do ilustrador e estilista Fábio Gurjão, que se apropriou da estética punk e inverteu de modo que a coisa toda brilhe muito. Tá, você e seu amigo que nunca traiu o movimento podem achar que as duas coisas não têm nada a ver, mas aí é com vocês e seus kits de machadinhas. Por aqui conversamos com ele pra saber mais sobre essa história de tachas, brilhos e apropriações estéticas.
Como você começou a fazer essas jaquetas?
Comecei na Ellus. Fiz uns desfiles especiais, customizações….
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Já era essa onda de taxa?
Já era. Era brilho, na verdade. Aí eu parei de fazer… Depois fui morar em Londres, e atrás da minha casa tinha uma fábrica de taxas. Mas era muito caro. Tipo, esses que são punk mesmo, esses spikes, isso não tem aqui. Agora eu participei de um concurso em Limeira que era de jóia folheada, e eles fizeram algumas coisas pra mim, algumas placas. Eles são pólo de jóia, de coisas de metal, de bijuteria. E eles têm toda essa maquinaria de corte. Meu projeto era esse, eram pintas de onça de metal.
Onde você compra as taxas agora?
Eu viajo e compro ou as pessoas trazem pra mim. Por exemplo, a jaqueta de bala, uma amiga me trouxe de Nova York. Era uma jaqueta que virou um colete. Porque também no Brasil você não consegue usar uma jaqueta punk o tempo todo. Nem que você acredite MUITO nos fundamentos, você não consegue usar. Colete facilita MUITO. É tudo aberto, pode usar sem nada por baixo e foda-se. Por isso eu faço muito colete.
E nenhum punk te encheu o saco?
Já, já fui parado várias vezes com essa aqui [acima]. Porque isso, teoricamente, é uma arma. Se você rodar e bater, vira uma arma. No show do Guns encheram o saco… É que é muito chamativo. Ao mesmo tempo é pesado e é brilho também, o que é muito da moda. Então são duas coisas muito loucas, é um punk, mas também é de moda porque.Tem bastante estampa, muito tigre e onça. Todas tem onça. É da marca, tudo tem um pedaço de onça. É wild.
O nome da marca, Fkwallys, de onde veio?
Vem de Roberto Kawalis. É uma brincadeira com o Roberto Cavalli. Como é Fkwallys, as pessoas já lêem como “fuck always”. É meio Hawaii, meio jamaicano, né? É tudo meio confuso.
Já saiu em bastante editorial?
Já, bastante. Celebridade adora, né? Eu empresto, elas usam, devolvem… Faz foto, fica bonita e devolve. Eu mandei umas pra Preta Gil e ela quis comprar uma. Falei, “Gata, você não vai poder comprar. Eu faço uma pra você, mando uma sua”. Essa eu não quero vender, não é pra isso.
E qual o seu critério para vender, então?
Tem umas que eu já produzo pra vender, que já produzo sem apego. Outras faço por encomenda. Como a produção é pequena, é quase couture.
Além da sua marca você faz um trabalho com estampas.
Faço pra Amapô, Ellus, Iódice… Faço umas marcas do Rio também.
Como é esse trabalho?
Eu começo com as minhas ilustrações, que faço à mão, com bisturi – toda uma linguagem que eu já tenho. E agora passo pro computador, para dar proporção, um efeito novo na ilustração, para criar novas coisas em cima do que já existe.
Seu trabalho é super descontraído.
É. Ter uma liberdade de criação, não ficar preso nessas influências, nessas tendências das coisas, mas falar, “Vamos nos divertir”. Porque se divertindo as coisas vão acontecendo, coisas novas, criativas… É mais de dentro.
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