Pornôs softcore geralmente obedecem à uma equação bem simples: pegue algumas garotas, faça-as mandarem ver e depois amarre tudo com uma história minimamente coerente. As regras são bem óbvias, então é por isso que você nunca vê pessoas trepando com animais, castrações arlequinadas, caras “acidentalmente” se ocupando com outros caras ou qualquer tipo de situação que ponha em risco seu tesão. Caso você seja do Ocidente e este seja o tipo de coisa pela qual está procurando, existem sites especiais pela internet dedicados a sifonar você dos que preferem tudo com um aroma mais de baunilha. Por alguma razão, os piratas virtuais de Hong Kong e China não curtem assim.
Notoriamente rígida no que diz respeito às leis de censura, a resposta da China aos contrabandos virtuais retomaram ensinamentos ancestrais: construíram uma enorme firewall para manter todo o tipo de tara do lado de fora de suas fronteiras. Mas, por décadas, os mercadores negros da China têm contrabandeado pornografia do jeito antigo, na forma de filmes ilícitos de Hong Kong sexploitation Categoria III. Categoria III não significa nada muito específico para o governo chinês que não “sexo e/ou violência”. É como se eles fossem fazer duas classificações indicativas, uma para violência e outra para sexo, mas ficaram com preguiça e decidiram que uma só bastava para enquadrar tudo o que seria “inadequado para as crianças”.
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Isso quer dizer que filmes como o épico e histriônico Desejo e Perigo, do Ang Lee, e Eleição – O Submundo do Poder, do Johnnie To e aclamado pela crítica, são colocados na mesma prateleira das locadoras de Hong Kong que merdas do tipo A Chinese Torture Chamber Story [Histórias de Uma Sala de Tortura Chinesa, em tradução livre] e Raped by an Angel 4: The Rapist’s Union [Estuprada por um Anjo 4: O Sindicato dos Estupradores].
Enquanto dramas com pouco ou muito sangue ou esfregação pelada são misturados com comédias de tortura pornô, essas verdadeiras odes à fornicação vêem seus orçamentos aumentarem e sua distribuição se expandir de maneiras que nunca imaginamos aqui no Ocidente. Eles continuam tecnicamente “ilegais”, mas se você for a qualquer cidade grande da China, vai mais do que provavelmente encontrar bazares inteiros cheios de butiques vendendo esses piratas a céu aberto.
Aqui estão alguns de nossos favoritos (e NADA nesse post é recomendável para a hora do trabalho, caso de algum cabecinha não tenha percebido isso ainda).
VIVA EROTICA
Essa cena provavelmente parece familiar. É chupetada daquela cena de sexo acelerada de Funeral Procession of Roses (1969). A mesma cena que o Kubrick assumidamente chupetou em Laranja Mecânica.
Estrelando Leslie Cheung, Viva Erotica foi, na verdade, nomeado como Melhor Filme e Melhor Diretor (assim como em outra dúzia de categorias) no Hong Kong Filme Awards, em 1997. O longa é praticamente um mashup de 8 1/2 e Boogie Nights – Prazer Sem Limites, só que com mais sexo e menos Mark Wahlberg. É um dos exemplos mais mansos do erotismo Categoria III, mas o fato de ter Leslie Cheung e uma jovem Shu Qi — ambos atores aclamados em HK — dá uma boa ideia dos diferentes padrões aos quais esses filmes obedecem na região. Porra, até o Jackie Chan topava umas obscenidades nos anos 70.
SEX AND ZEN
Infelizmente vou ficando menos sensível a esse filme a cada vez que o assisto. Quem algum dia iria imaginar que alguém pudesse ficar de saco cheio de assistir um cara tomando várias rolas de cavalo na boca, garotas treinando caligrafia com suas xanas ou um estupro equino ocasional? Sex and Zen não é nada zen, para ser honesto, mas pelo menos eles não fazem piadas de ‘membros’ amputados e depois comidos por cachorros. Ah, espera, eles fazem.
THE FORBIDDEN LEGEND: SEX AND CHOPSTICKS
Esse foi o primeiro filme Categoria III com o qual me deparei no último verão, em Chinatown, então definitivamente merece ser citado. Quando perguntei ao cara da loja do que se tratava, ele encolheu os ombros e disse que não sabia de uma maneira que ficou óbvio que sabia. Acontece que é baseado em um romance erótico chinês famoso do século XVII chamado A Ameixa no Vaso de Ouro, o que faz desse pornô o mais próximo que cheguei da literatura nos últimos cinco anos. A história detalha a vida de um mestre da arte erótica taoísta, que praticamente anda pela China afogando o ganso em quem bem entender simplesmente por ser famoso nessa arte.
A CHINESE TORTURE CHAMBER STORY
Apesar do seu título animado, esse filme não é tão engraçado quanto Sex and Zen ou Sex and Chopsticks. Não que eu não me divirta com um pouco de pênis explodindo, babás-ninfo sendo passadas entre estupradores ou erupções ejaculatórias de sangue — das quais a última, agora que me veio à mente, foi filmada com surpreendente destreza. Só estou tentando entender como um estupro oral de fantasma-em-homem passou pela fase de brainstorming. Apesar de tudo isso, A Chinese Torture Chamber Story é de longe a peça mais infame do período Cat-III, e se você não se amarra em pessoas tendo facas enfiadas debaixo das unhas, pelo menos pode se reconfortar com o fato de não ser o único que gosta de pensar que seu pau soa como armas laser.
MICHAEL BLOOM VICE UK
TRADUÇÃO POR EQUIPE VICE BR
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