MELHOR AMIGO DO HOMEM
Olá,
Queria agradecer por fornecerem o papel que uso pra forrar o cantinho das necessidades do meu cãozinho. O papel cuchê fosco de alta gramatura da Vice é muito bom e é gratuito, não solta tinta que nem o Estadão, nem é muito fino como o papel da Veja. E dá a mesma vontade de cagar em cima.
PATI
via e-mail
Esse endereço de e-mail patiferoolz deve ser falso, mas em todo caso vai receber presentinhos especiais. Cadastramos o dito cujo em todos os sites de bestialismo que pudemos encontrar. Foi meio nojento fazer isso, mas os estagiários têm que justificar a fortuna que pagamos pra eles.
TROTSKY, CERVEJA E LITERATURA
Oi,
A revista está ótima! Sempre sonhei com uma revista literária que tivesse propaganda de cerveja na quarta capa. Apesar do Johnny Ryan, Xico Sá e B. Traven, gostei especialmente da entrevista com o André Carneiro. O filho dele foi um gentil adversário nos tempos das guerras trotskistas.
Muito bem! Parabéns!
ROGÉRIO
via e-mail
Tá vendo, pessoal? É mais fácil ser legal. E ter bom gosto.
ESPERTINHO
Olá,
Caiu nas minhas mãos a Revista Vice, Edição 06. Curti a revista e o estilo de vida que ela retrata, mas estou escrevendo por causa da matéria “Missão Skate Camarada”. Será que é mais fácil pro Chris Nieratko—que possivelmente pensa que a capital do Brasil é o Rio de Janeiro, ou pior, Buenos Aires—se autovangloriar de sua generosidade e caridade ao doar 100 skates aos pobres cubanos? Talvez a certeza que ele tem de ser superior a qualquer pessoa que trabalhe como operário (um caixa de fast food, por exemplo) explique a sua visão.
Mas o que ele não sabe ou talvez não queira revelar é que Cuba nada tem contra cidadãos norte-americanos e que eles são bem-vindos em solo cubano, sendo assim, ele desinforma o leitor ao dizer que poderia ser preso lá. Basta não entrar no país clandestinamente. O que ele pensa? A própria Revista Vice aborda o tema dos mexicanos que entram sem autorização nos Estados Unidos. Eles não são presos. São assassinados!
Então, que grande violação aos direitos humanos: interrogar uma pessoa que vem de um país quem em 1961 invadiu a Baía dos Porcos com o intuito de derrubar o governo cubano, além de acolher terroristas que já mataram mais de 3.000 cubanos. Será que não se devem tomar precauções? Será que terrorismo ruim é só o que mata estadunidenses? Para mim, todo o terrorismo é péssimo. Por quanto tempo eu posso ser detido em um aeroporto nos EUA somente por me chamar Omar ou ter um nariz grande?
Quanto ao “sentimento de medo permanente que permeia as ruas”, será que os norte-americanos já inventaram um gadget que mede o medo nas pessoas? Decerto que não, pois quem teria inventado, caso o equipamento existisse, seriam os asiáticos e os yankees somente estariam comprando… A propósito, sei de gente que esteve em Cuba com a mochila nas costas e que viu um povo de cabeça erguida sem problemas de autoestima. Isso é muito subjetivo.
A desconfiança de que Chris fala, talvez se deva ao fato dele ser norte-americano e de que os cubanos sempre resistiram às tentativas de recolocar Cuba como quintal dos Estados Unidos, sempre saudosos de seu papel imperialista na região.
Não que Cuba seja imune a críticas, mas talvez se o criminoso embargo comercial imposto pelos EUA fosse revogado, os próprios cubanos optassem por um maior pluralismo político, por mais tolerância aos opositores do regime, por mais respeito à liberdade de expressão e até mesmo de orientação sexual. Mas, se Chris tivesse uma resposta sincera de um cubano sobre o que acha de viver em Cuba, muito possivelmente ouviria que as críticas importantes são aquelas feitas pelos próprios cubanos, seja ao governo socialista, seja aos costumes e não aquelas vindas de fora. Talvez ouvisse também que o cubano é leal não a uma personalidade carismática, mas à Revolução.
Sobre a vigilância que sofreram e a comparação ridícula com o Patriot Act, eu digo: vá ser estrangeiro em terras nas quais até pouco tempo atrás quem mandava era o Bush filho. Aliás, não precisa ser estrangeiro, basta ser pobre, como um tal de John Adams, sobre o qual o cineasta Michael Moore escreve em Stupid White Men, assassinado em 04/10/2000 em sua própria casa por policiais que atiraram primeiro e perguntaram depois se aquela era a casa de um traficante ou de um inocente. Era de um inocente. Quantos altos executivos corruptos de grandes empresas Made in USA receberam uma pena tão alta quanto a de Anthony L. Taylor, que se fez passar por Tiger Woods para fazer uma compra no cartão de crédito? E sua pena não foi de 3 anos, como podem pegar os cubanos que se recusam a trabalhar, foi de 200 anos!
And Justice for all, não é assim?
GLAUCO DOS SANTOS
via e-mail
Cara, você parece ser inteligente, jura que não sacou a matéria!? Por a acaso você é jornalista cultural?
LINHA CRUZADA
Olá,
Re: Edição de Ficção. Cara, que desperdício. Nenhuma única pergunta desafiando as pontas soltas da narrativa do Mr. Simon? Nenhuma pergunta sobre a caracterização ridícula que o Lester Freeman fez do negro inteligente? Nenhuma pergunta desafiando a habilidade de uma sala cheia de brancos de classe média em escrever personagens negros bem resolvidos?
E eu que tinha achado a entrevista do Spike Jonze vergonhosa.
ANÔNIMO
via viceland.com
Isso parece alguém que leu um monte de críticas ao The Wire feitas por outras pessoas e daí tentou combinar pedaços de cada uma em um desabafo sem sentido. Sua argumentação baseada em raça não faz o menor sentido. Os personagens negros em The Wire são de longe os mais redondos e complexos. Você devia ter falado a mesma coisa a respeito dos personagens brancos—os polacos que trabalham nas docas e bebem pra cacete; os policiais brancos desengonçados, e o personagem mais estereotipado do programa todo, o policial irlandês bebum e mulherengo, o McNulty.

Mande suas cartas: vice@viceland.com.br
Se quiser enviar por correio:
REVISTA VICE
RUA PERIQUITO 264
SÃO PAULO SP CEP 04514-050
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