EP
Inner Islands 2013
Foram demasiado discretas as comemorações em torno do décimo aniversário de
Sung Tongs, o mais fascinante disco de Animal Collective, que chegou aos dois dígitos de idade, no passado dia 3 de Maio. Ou então, quem liga a essas efemérides ainda não perdoou à banda originária de Baltimore toda a alienação provocada pelo mais recente
Centipede Hz. Contudo nenhum passo em falso, na caminhada de Animal Collective, chega para apagar o que foi alcançado com
Sung Tongs, que ainda hoje é recuperado com considerável êxtase por parte dos seus admiradores. Disco mágico, caleidoscópio de todas as folks, guia musical para novos escuteiros, documento de uma temporada especialmente inspirada por parte de Panda Bear e Avey Tare: tudo serve para descrevê-lo, mas faltam sempre as palavras exactas para representar o que é realmente
Sung Tongs.
Não nos esqueçamos também de que o mistério e o inexplicável eram partes essenciais do negócio de Animal Collective, quando, no seu auge criativo, a banda chegava a canções trauteáveis e viciantes, mesmo recorrendo a soluções totalmente arriscadas e quase impossíveis de prever. Durante os dez anos, que passaram desde a edição de Sung Tongs, não faltaram aventureiros a tentar a sua réplica da fórmula de Animal Collective. E, nesse espectro, encontrámos um pouco de tudo: desde aspirantes simpáticos a charlatões sem pontinha de graça. A determinado momento passou a ser insuportável dar de caras com novos clones da banda de Feels. Quando já temos pelos joelhos a água de
EP, capítulo intercalar dos Hear Hums, uma boa parte das comparações chamam precisamente por
Sung Tongs, de Animal Collective: ambos simulam um fantástico ambiente de floresta, enquanto carregam numa instrumentação acústica límpida e nas vozes entoadas em contínuo, como fazem os índios dos filmes. No papel de alunos atentos embora dotados de rebeldia, os Hear Hums não só conseguem criar as canções para entoar à volta da fogueira, como também colocar de pé um par de excentricidades muito suas (caso da raga indiana de “Root”). Por detrás de tudo isto está um Mitch Myers que já merecia ter mais uns quantos ouvidos sobre ele. Numa altura em que acabou de sair o mais sombrio álbum
Malaise, é importante dar um passinho atrás e a partir daí encarrilar na muito cativante música dos Hear Hums.