O cinema comercial e a indústria do sexo


O mundo tem uma obsessão com o sexo, mas parece que nem todos estão preparados para falar abertamente de temas como a pornografia ou a prostituição.

Cada vez mais pessoas exercem prostituição e se dedicam à pornografia por opção e não por serem coagidas ou estarem na penúria económica. A fluidez sexual, a reivindicação do corpo feminino e a – cada vez mais – falta de tabus relacionados com o sexo mudaram a forma como a sociedade vê os profissionais desta indústria. Mas, como é que a cultura pop representou este fenómeno?

O mais certo é que muitos ainda se lembrem (25 anos depois) da história de Pretty Woman: aquele “sonho americano” em que a Julia Roberts troca Hollywood Boulevard por Rodeo Drive quando Richard Gere a “salva” e a tira das ruas. Mas o cinema comercial também nos mostrou algumas das verdades mais cruas e realistas que envolvem o negócio do sexo. Aqui têm os melhores exemplos que encontrámos.

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Boogie Nights
Depois de liderar o seu próprio grupo de rap e ser protagonista de algumas das campanhas mais emblemáticas de Calvin Klein, Marky Mark entrou por Hollywood a dentro graças à sua actuação como Dirk Diggler, um jovem que consegue tornar-se uma referência no mundo da pornografia ao ser levado ao colo por um realizador famoso dos anos 70. Então, e por culpa do êxito alcançado, Dirk torna-se viciado em cocaína o que faz com que a sua prometedora carreira não passe disso mesmo. Este filme reflecte na perfeição os meandros da idade de ouro da pornografia americana e da decadência das estrelas dessa época.

Showgirls
Com o seu mini-vestido “Ver-sayce”, Nomi Malone luta para converter-se na rainha de Las Vegas naquele que é considerado pela crítica como “um dos piores filmes da história.” Para isso, a actriz Elizabeth Berkeley enfrenta-se a todo o tipo de humilhações e situações impossíveis com um único objectivo: abandonar o clube de striptease onde trabalha e ser a estrela de um espectáculo no Casino Stardust. Numa indústria tão competitiva, este filme de culto questiona se realmente o fim justifica os meios. Até onde estás disposto a ir para alcançar a fama?

My Own Private Idaho
Em 1991, Gus Van Sant, com River Phoenix e Keanu Reeves, mostrou-nos o seu ponto de vista sobre a prostituição masculina. Uma viajem pelas ruas de Portland onde dois jovens prostitutos tentam resolver os seus problemas emocionais através do trabalho sexual. Muitos acreditam que dedicar-se à prostituição está directamente relacionado com contextos sociais problemáticos, mas o realizador americano vai mais longe e consegue demonstrar-nos que os verdadeiros motivos são muito mais complexos do que podem parecer.

Lovelace
Quem nunca ouviu falar do Garganta Funda? É o filme pornográfico mais famoso da história e a sua estreia teve tanta repercussão que até o New York Times publicou uma crítica sobre ele. A protagonista era Linda Lovelace. Em 2013 os realizadores Rob Epstein e Jeffrey Freidman decidiram apresentar-nos a crua e difícil vida desta jovem nova-iorquina que dedicou a sua vida aos filmes adultos por amor e por culpa do seu marido (pelo qual sofria um forte dependência emocional). Depois de se estrear no Festival de Sundance, Lovelace converteu-se num filme denúncia não só sobre os abusos sofridos pelas mulheres dentro desta indústria mas também sobre a violência doméstica.

Belle du Jour
Catherine Deneuve é a Belle du Jour ou, em português, A Bela de Dia. O sempre surrealista Luis Buñuel conta-nos a história de Séverine: uma dona de casa, com vestidos de Yves Saint Laurent, que é incapaz de ir para a cama com o seu marido e, para satisfazer os seus desejos sexuais, resolve trabalhar pelas tardes num bordel. Falamos de uma mulher que experimenta com o seu corpo e se tenta libertar da vida burguesa através do sexo (algo bastante revolucionário para a época). Uma obra-prima do cinema francês, com uma presença evidente do espirito do Movimento de Maio de 1968, que demonstra que o amor e o sexo nem sempre andam de mão dada.

Hustler White
Em meados dos anos 90, Bruce LaBruce recrutou um exército de prostitutos liderados pelo modelo Tony Ward para formarem parte do casting do Hustler White, um filme sobre a prostituição e a indústria pornográfica gay na Califórnia. O rei do cinema queer interpreta um escritor alemão que se torna obcecado por Monty, a quem paga para mostrar-lhe o seu sórdido e bizarro dia-a-dia. Este filme inclui várias cenas de sexo explícito, muito cabedal e uma morte inesperada: um autêntico tesouro para os amantes do thriller erótico (e do Tony Ward em tronco nu).

Este artigo foi inicialmente publicado em i-D.

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