Como Vivem os Endinheirados do 1%

Fim de semana passado fiquei de saco cheio do meu apartamento — as baratas, o piso de madeira arranhado, a luz que não acende mais, a ferrugem em volta da banheira, a pilha deprimente de roupa pra lavar— e decidi participar da 12ª Inside Tribeca Loft Tour. Esse negócio de Loft Tour é assim: você compra um ingresso para poder dar um passeio por alguns dos mais chiques e feng-shuizados apartamentos de Tribeca, que são alguns dos “lofts” mais caros do mundo. O propósito ostensivo do Loft Tour é levantar fundos para manter o Duane Park, uma pequena faixa de vegetação no meio da vizinhança. Os ingressos custavam 50 dólares cada e eles venderam 400 ingressos, significando que eles conseguiram levantar 20 mil dólares — quantia essa que os moradores bem de vida poderiam ter conseguido vendendo um de seus sofás de couro de avestruz.

Suspeito que a verdadeira razão dos proprietários permitirem gente estranha dentro da casa deles é para poder dizer: “Olha o monte de coisas bizarras de gente rica que eu tenho! Olha como essa porra toda é de muito bom gosto! ESSA BANCADA É PURO GRANITO DE VERMONT, CARALHO. SUA MULHER VAI PENSAR NA MINHA COZINHA QUANDO VOCÊS TRANSAREM HOJE À NOITE!” O preço da entrada garante que as pessoas realmente pobres nunca verão o tipo de conforto e classe que estão perdendo, então essa pornografia de design de interiores tem como objetivo claro deixar os vizinhos com inveja, que é uma das poucas coisas que o dinheiro não pode comprar. Ou pode.

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Não há guias no passeio, mas há um regimento de voluntários que ficam na frente de cada prédio se certificando que você tem um ingresso e te dizendo para não tirar fotos (Eu tinha permissão para fotografar os lofts por dentro, e mesmo assim tive que discutir com alguns dos caras). De longe, meu voluntário preferido foi esse moleque, que era ultra educado e estava vestido de um jeito mais adulto que eu. A maioria dos outros voluntários eram mulheres ricas de Manhattan com caras de mal comidas.

Vários lofts eram estranhamente impessoais. Acho que quando se tem milhões de dólares você pode pagar alguém para deixar sua casa com um visual “legal”, e “legal” quer dizer “tipo um hotel de luxo”. Você consegue se imaginar dormindo nessa sala, embaixo da porra desse lustre? Nem eu. Fiquei pensando em como deve ser a vida sexual da galera de Tribeca, especialmente quando vi essas cadeiras em um dos quartos:

Você só tem esse tipo de coisa perto da sua cama se você sempre convida gente para assistir enquanto você transa, né? Ou você só coloca essas cadeiras (que, segundo me disseram, pertenciam a um antigo cinema) na sua casa para “decoração”?

Todos os lofts tinham vários banheiros e muitos deles eram maiores que o meu quarto. Essa privada tinha dois botões de descarga, e não chegava nem perto do luxo de outro banheiro que tinha UMA TELA DE TV DENTRO DO ESPELHO (Não me deixaram tirar uma foto disso). Os ricos nem mesmo cagam como eu ou você. O mundo está perdido.

Cada um dos lofts tinha pelo menos uma TV de tela plana gigante, alguns tinham até quatro, o que me deixou desapontado. E achava que os ricos eram pessoas super cultas e uma televisão enorme parece o jeito mais tosco e óbvio de gastar muito dinheiro. Mesmo que você coloque várias porcarias classudas em volta de uma TV, ela continua sendo o ópio das massas, amigo. E falando de ópio das massas, não sei como entender esse grafite do Banksy ali do lado esquerdo.

Esse mesmo cara tinha uma porrada de “street art” pela casa inteira. Ele gastou muita grana para fazer seu apê parecer uma galeria “nervosa”. Aposto que ele se sente bem desconfortável com seus status socioeconômico.

Havia muito mais fotos de viciados em heroína no passeio do que eu esperava.

Até os quartos das crianças eram muito, mas muito mais legais do que qualquer lugar em que já dormi.

Esse era o quarto de uma menina. Ela tinha uma TV de tela plana no quarto. A vida dela vai ser muito diferente da minha.

Fiquei surpreso com como algumas coisas de rico são esquisitas e feias. Isso estava numa sala de jantar. Quem ia querer jantar debaixo dessa escultura de vidro brega pra burro cercado por esse papel de parede aquático bizarro? Eu é que não. Fiquei até com pena desses moradores de loft que pagam uma quantia de dinheiro que eu literalmente não consigo nem imaginar para alguém transformar sua residência numa aproximação elegante, porém estéril, de um lar. Vi plantas pequenas estilo bonsai em vários apartamentos — todas essas pessoas realmente gostam de bonsai? Será que as crianças ligam para a combinação de cores perfeita dos seus quartos? Pra todo esse dinheiro gasto com essas coisas valer a pena, acho que eles têm que pensar: “Meu loft é muito incrível!”a cada segundo do dia, e não acho que alguém consiga fazer isso. Mas vou estar mentindo se disser que não gostei de algumas decorações:

Se eu tivesse tanta grana assim, eu compraria um monte dessas tranqueiras.

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