Ah, não há nada melhor do que um pouquinho de masturbação para relaxar, não acham? O Woody Allen, catedrático na área, até já filosofou que bater uma é a melhor forma de fazer sexo com quem mais amamos. Até este ano, o recordista mundial de masturbação era o japonês Masanobu Sato, mas isso é passado: o gajo foi ultrapassado pelo actor porno Sonny Nash (concorrência desleal) que passou dez horas e dez minutos a esgalhar o pessegueiro.
Perguntei aos meus amigos no Facebook e aos meus seguidores no Twitter se algum deles era viciado em bater uma ou se, em alternativa, conheciam alguma pessoa que passasse horas a brincar com os seus próprios genitais. Depois de ler muitas piadas, recebi uma mensagem de uma pessoa que quis falar comigo sobre o assunto, mas que preferiu não se identificar. O Marcos (chamemos-lhe assim) é universitário e considera-se viciado em masturbação. Tem por hábito bater uma no quarto enquanto vê pornografia amadora. “Não curto muito a onda profissional”, explica. O Marcos passa entre oito a nove horas por dia a masturbar-se. O que ele curte nem é vir-se várias vezes, mas sim ficar de pau feito tantas horas e prolongar o prazer. Enquanto vocês estão aí a ler isto, ele provavelmente está a esganar a cobrinha a todo o vapor.
Como ele gosta de bater punhetas durante muitas horas e não dispensa as suas ninfetas amadoras do Cam4, xVideos e RedTube, o seu ritual íntimo só pode acontecer no quarto, claro. O Marcos fez questão de me dizer que não acha piada nenhuma a um cinco-a-um no quarto de banho da faculdade ou em qualquer local público. A punheta boa é a punheta confortável e duradoura, na própria caminha.
Passar tanto tempo à volta da própria pila não preocupa o Marcos. Ele não acredita nesses mitos de que a prática exagerada leva à infertilidade e já passou da idade de ter borbulhas. Mas às vezes sai prejudicado: está sempre atrasado para tudo. Já perdeu um estágio e já teve discussões amorosas à conta de nunca sair de casa a horas, por culpa do vício solitário.
Ficar tanto tempo a bater punhetas no mesmo lugar também pode deixar rastos se o viciado não for muito eficiente em apagá-los ou se simplesmente se estiver a cagar para que alguém descubra. Uma das pistas é óbvia: assim que entrei no seu quarto, notei que o apoio que ele usa para ficar deitado na cama mais confortavelmente estava todo manchado de suor. E, olhando melhor, dava pra ver algumas marcas castanhas no lençol da cama desforrada. O Marcos, meio envergonhado, explicou-me: serve tudo para que se possa vestir rapidamente caso alguém bata à porta do quarto. E, para que as cuecas não rocem nos tomates e/ou na pila, ele desce-as até à coxa e senta-se de cu directo na cama. E, claro, à medida que se vai masturbando, sua muito e o seu cu molhado acaba por borrar o tecido.
O Marcos mora com os pais e, duas vezes por semana, recebe a visita de uma mulher a dias que vai ao apartamento limpar, lavar e cozinhar para família. Ninguém comenta a imundice que ele faz no próprio quarto, talvez por respeito ao seu espaço. Ele contou-me que nunca ouviu comentário nenhum da empregada, nem mesmo quando ela recolhe a roupa de cama na sua presença. Quando lá fui, ainda ouvi a mãe do Marcos dizer: “Ele suja muito a cama com chocolate, está sempre a comer no quarto”. Que menino guloso, este!
“Não leves a mal, mas é que o pessoal reclama um pouco do cheiro do meu quarto. Dizem que quando abro a porta, a casa começa a cheirar diferente”, explica-me ele. E sim, o espaço do Marcos cheira a perfume barato e a cu suado. O aroma de merda é inconfundível e fica impregnado em qualquer lado durante horas. Se for na cama, fica para sempre. Imaginem isso mais uma dose cavalar de aroma a esperma velho, milhões de espermatozóides falecidos em batalha solitária depois de muitas horas a montar o mastro. Não é o cheiro que um carro guarda depois de uma rapidinha. Digamos que é mais cru.
Quando me sentei na cama, o Marcos confessou que tinha acabado de se masturbar antes de se encontrar comigo. De leve, “só umas três horas”. Mas garantiu que aquela zona da cama não estava comprometida. As pistas são evidentes em qualquer lugar em que ele se tenha sentado para bater uma por muito tempo. “Um cu suado descansou aqui” parecem-me dizer todos os objectos do quarto. Há marcas verticais de suor na cama, mas também em estofados e assentos de outros objectos do apartamento, o que dá a entender que o Marcos também gosta de brincar fora do seu espaço quando a família sai para trabalhar.
E isto sem falar no tapete do quarto de banho, que fica todo molhado porque o Marcos acha mais discreto lavar a pila, a barriga e as mãos na pia em vez de tomar logo um banho completo. Tudo para que ninguém note que ele estava naquilo. “Ai este menino que molha tudo quando vai lavar os dentes!”, diz a mamã.
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