Música

O DJ Meme lembra por que David Guetta é igual a mim e a você

O que não falta por aí na internet é piadinha com DJ de EDM. É só dar uma circulada pelas redes sociais pra achar comentários infelizes sobre o David Guetta, tiração de sarro com a cara do Steve Aoki e alguns memes do Skrillex. Até mesmo nossos parças gringos já foram culpados disso (tudo bem, talvez até a gente tenha sido).

Mas chega uma hora que a brincadeira passa do limite e vira uma questão séria: O quanto essa tiração de sarro infinita tem a ver com o preconceito que vem, naturalmente, com tudo o que é popular e mainstream? Até onde vai a crença de que os grandes DJs são apenas junkies mulherengos?

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Essa questão foi discutida recentemente pelo DJ Meme. O produtor recebeu, há alguns dias, um telefonema de Leo Janeiro, que solicitava sua ajuda para descolar um estúdio pro gigante David Guetta, que, durante sua estadia no Rio de Janeiro, queria um lugar pra gravar material. Em uma das tardes que David passou em estúdio, Meme — quem havia negociado o estúdio para o produtor, em primeiro lugar — decidiu tirar uma foto com o DJ e postar em sua página no Facebook.

Quando chegou em casa do estúdio, porém, o DJ não ficou muito feliz com o que viu: “Apareceram uns comentários — que eu deletei, que não estão mais lá — tipo ‘Ah, Meme, não, não acredito! Porra, foi pro lado negro da força!’ Achei uma babaquice”, comenta. Depois de ler e apagar mais alguns comentários — e até mesmo responder um fã que veio, exaltado, criticar a foto no seu inbox — Meme decidiu abandonar a discussão. “Mas fiquei com aquilo na cabeça, achei chato demais, as pessoas são chatas. Aí resolvi escrever.”

Foi aí que Meme postou o famigerado TEXTÃO falando sobre a questão:

No 2º dia, quando estávamos cada um em seu laptop, ele virou pra mim “do nada”, e fez a seguinte pergunta: -“Meme, como é a sua vida?”. Estranhei na hora, mas contei algumas coisas. Falei dos meus filhos, das minhas viagens, do meu trabalho e de pessoas que conhecemos em comum. Sendo assim, fui cortêz e perguntei como era a vida dele. Ele contou várias coisas. Percebi que tínhamos passagens e idéias em comum, mas muito mais que isso, percebi como ele é bacana, simples e sem mimimi. Com apenas 2 dias o sujeito confiou em mim para confidenciar certos planos em 2016 como a diminuição de sua agenda de shows para dedicar um tempo maior aos estúdios e a sua familia, e outras que eu não posso repetir aqui. Percebi tambem que, como eu mesmo e tantos acham, ele não é o diabo vestindo Prada com um tridente escrito EDM que vai espetar a minha bunda e me fazer jogar bolo na cara de alguem, depois de tirar a camisa e me atirar do palco.

Dia 30 eu toco no Warung, e suas músicas não cabem no meu set. Sabado agora ele toca no RJ, e certamente minhas músicas não cabem no set dele. Não somos interessantes para fazer musica em conjunto. Nossa música hoje é bem distinta, apesar de sermos contemporâneos. A ideia não era essa. Não fui lá para isso. Nem tocamos nesse assunto, mas por outro lado acabei dando um “pitaco” e um empurrãozinho em um outro artista para trabalhar junto com ele, e que se rolar vai ser o máximo para ambos. Até a música “EYES” do Vintage Culture eu levei num pendrive e aconselhei-o a tocar nesse fim-de-semana. Se rolar, vai ser “estouro de boiada”, como diz o Marlboro.

David é um cara bacana que sabe levar a vida com as vantagens e desvantagens de ser quem é. David tem uma cabeça muito boa para o tamanho artístico que tem. Curti. Mandei para ele por whatsapp as fotos que tiramos no estudio, pois ele quer guardar.

Hoje vamos todos para o meu estúdio porque não há mais horario vago no estudio em que ele estava gravando. De lá, temos uma reserva marcada num restaurante as 22hs para jantar. No sábado, se eu conseguir, vou ao show dele no Riocentro para bebermos algo antes do show, e talvez uma pizza depois. Que mais ? Hmmmm…acho que só.

Pronto. Historia registrada e satisfação dada aos haters e aos fãs…mesmo que eu não precisasse disso.

Conversando com o THUMP, Meme descreveu que a implicância com grandes DJs ultrapassa as piadinhas de internet: “Rola um preconceito, eu mesmo tinha esse preconceito. Achava que o cara não tava nem aí pra nada — num esquema meio ‘você é o que você come’, ele tá tocando esse tipo de música então deve ser de tal jeito.”

E, segundo o DJ, esse tipo de julgamento não se restringe aos DJs: “O público não gosta que os artistas sejam inatingíveis, porque quando mais eles se mostrarem, mais as pessoas podem julgá-los”, desabafa. “E isso não tá acontecendo desde ontem, isso sempre existiu.”

Mais do que dar satisfação a quem o criticou, Meme queria esclarecer a seus fãs que os dois produtores não estavam trabalhando juntos — e que, se estivessem, não haveria nada de errado nisso. “O cara é muito bacana. É uma pessoa absolutamente normal que quer ser mais normal ainda”, conclui Meme.

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