Identidade

Dez fotógrafas colombianas que você precisa conhecer

Esta matéria foi originalmente publicada na VICE Colômbia.

A fotografia foi, no final do século 19 e começo do 20, uma das poucas ocupações que, além de ser dominada por homens, era “permitida” às mulheres. Talvez não como um meio de expressão artística, mas sim como uma ocupação respeitável para tirar o sustento.

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Alguns exemplos disso podem ser vistos nas vidas de fotógrafas como Geneviéve Élisabeth Disdériti, esposa de Adolphe Disderie, que ficou como responsável pelo estúdio de propriedade do seu marido, contribuindo na criação de imagens como sua assistente; ou Amalia López Cabrera, a primeira mulher que, junto a seu marido, com quem compartilhava um estúdio próprio, postulou a uma vaga em um concurso profissional em 1868; ou Anais Napoleón, que, desde 1950, empreendeu a tarefa de fazer daguerreótipos na companhia de Antonio Fernández.

A aproximação da mulher com a fotografia naquela época era sutil, muitas vezes por meio de tarefas anexas: assistentes dos maridos ou responsáveis por estúdios fotográficos.
Somente por volta dos anos 20 (quarenta anos depois dos homens terem feito o mesmo), as mulheres foram plenamente integradas ao mundo da fotografia. Ainda assim, a inclusão da mulher nesse ofício continua sendo baixa e eu não acredito que a gente tenha superado completamente essa realidade.
O relatório do último World Press Photo mostra que a participação das mulheres no concurso foi de apenas 15,5%, número muito parecido nos últimos anos. Na Colômbia, por exemplo, o aplicativo para fotógrafos Freelo, registra um tímido resultado: há 24% de mulheres fotógrafas na plataforma. 

Além da baixa participação feminina no meio fotográfico e de falas cheias de suposta preocupação por parte de alguns homens, é possível encontrar algumas mulheres que abriram caminhos nessa indústria e perguntar a elas sobre essa experiência. Uma delas é Eliana Aponte, fotógrafa colombiana que trabalha há 23 anos na área e fez coberturas de conflitos entre Palestina e Israel, a guerra entre Israel e Líbano, a guerra do Iraque, e outras mais.

Uma conversa com ela me revelou uma outra cara do que é ser mulher na indústria fotográfica.
“Eu lembro de abrir o meu próprio caminho sozinha. Apesar de sempre ter contado com o apoio de muitos colegas homens, quando comecei a procurar áreas de conflito como eixo do meu trabalho, recebia frases como ‘você é muito fraca’, ‘você deveria cuidar do lar’ ou ‘pode pegar doenças’. Mas, na real, as palavras me fortaleceram. Cada vez eu tinha mais vontade de demonstrar que nós mulheres podemos ocupar o mesmo lugar [dos homens]”.

Eliana, como muitas fotógrafas, demonstra que para além do gênero, o importante é ter vontade. Ela me disse: “quando realmente se tem paixão pelo ofício, o importante não é o gênero. Se você empreender esta viagem, tem que saber que vai encontrar muitas dificuldades e obstáculos por ser mulher, e com certeza vai ter que trabalhar o dobro para chegar onde quiser chegar. Mas se você focar nisso, nenhuma dessas frases nem obstáculos vão te deter”. 

O olhar da mulher é cada vez mais necessário para entender o mundo a partir de outra perspectiva. É por isso que quis prestar uma homenagem às fotógrafas colombianas, que lutam para ganhar espaço na indústria e que, seja qual for o enfoque do seu trabalho, merecem estar no nosso radar. 

Estas são algumas delas:

JUANITA ESCOBAR

Fotógrafa autodidata (1985) e integrante do coletivo +1. É a primeira mulher colombiana a pertencer à Native Agency. Falar de Juanita é voltar ao termo “poesia documental”: suas imagens nos conectam profundamente à terra, à identidade e à figura feminina. 

Foto: Do projeto “LLANO”.

CAMILA ACOSTA

Comunicadora social (1987). Seu caminho na fotografia começou na universidade por meio de um trabalho com lembranças de sua vida. Esse primeiro trabalho encaminhou toda a sua carreira. Na construção de imagens cotidianas, Camila propõe um diálogo entre a noite e a luz, cenas isoladas de cidade, contraste e brilho. 

Foto: Da série “Decoding light”.

JOANA TORO

Fotógrafa documental autodidata (1976). Após trabalhar para vários veículos na Colômbia, Joana decidiu viajar até Nova York para seguir explorando o tema central da sua obra: imigração, direitos humanos e identidade sexual. Com trabalhos como Translatina e The dressing, ela tem conseguido retratar o esforço da comunidade LGBT para minimizar a intolerância e os maus-tratos contra sua condição sexual.

JULIANA GÓMEZ

Psicóloga social e cultural (1984). Reconhecida em função do seu projeto “No water for whales”, e editora da revista Yuca, ela procura captar a beleza que existe no cotidiano, o desejo humano, a magia de paisagens e mundos imaginários. Sua narrativa visual é inspirada tanto na estética cinematográfica, como no surrealismo; as cores e a luz em todas as suas nuances.

CARMEN TRIANA

Fotógrafa (1993). A paixão de Carmen pela imagem está no seu sangue. Desde criança, ela esteve acompanhada de artistas, é neta de Jorge Alí Triana (ator, roteirista e diretor colombiano), filha de Rodrigo Triana (diretor de televisão) e Marcela Agudelo (atriz), e sempre soube que o que cabia a ela era a fotografia. Com essa convicção, mesmo nova, tem conseguido criar imagens poéticas, carregadas de cinematografia. 

DANIELA OLAVE 

Mestra em artes visuais (1990). O trabalho de Daniela se vincula à natureza imprevisível do ser humano, com sua espontaneidade. Suas séries destacam a magia dos cantos esquecidos, os espaços carregados de histórias e nuances alheios ao nosso olhar. 

JOSEFINA SANTOS

Fotógrafa e designer (1990), radicada em Nova York desde 2008. Amante da fotografia analógica, concentrou seu trabalho na experimentação com esta técnica. Ao longo do último um ano e meio, Josefina tem desenvolvido sua primeira obra fotográfica, que trata sobre sua família e sua descendência sírio-libanesa na localidade rural de Sincelejo, na Colômbia. 

KAREN PAULINA BISWELL

Artista e fotógrafa (1983). O trabalho de Karen vem do seu desejo interior por explorar os limites dos sentimentos humanos: a vulnerabilidade, a força, a sexualidade e a autenticidade. Suas fotografias buscam constantemente elementos femininos que exponham mensagens sociais ou políticas.
Foto: Da série “Embera Chami”. 

MARGARITA VALDIVIESO

Mestra em artes plásticas (1991), residente em Medellín. Seu interesse é questionar e subverter fenômenos culturais vinculados a contextos locais específicos, territórios e comunidades. Trabalha com as noções de corpo, paisagem, gênero e identidade, entre outras questões.

ANDREA SWARZ

Designer e artista visual (1988), Andrea ultrapassou os limites da fotografia de moda, convertendo imagens em histórias atemporais com encanto contemporâneo. Seu trabalho, dotado de uma delicada sensibilidade, se inspira principalmente na feminilidade.

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