Discos: Corcos


Jujube Soup
Bosconi Records
8/10


Muito sinceramente, não acredito que as lendárias orgias organizadas pelo Berlusconi decorram ao som de uma merda qualquer. Os movimentos habituais de uma orgia, tal como os de uma multidão no centro de uma discoteca, pedem um ritmo constante para o corpo entrar no balanço e só dele sair quando se fizer silêncio, ou alguém for para o hospital. É pouco provável que a interacção entre o Berlusconi e a mais recente beldade libanesa ganhe andamento com canções do Eros Ramazzotti ou do Zucchero. Ainda assim, seria cientificamente interessante observar até onde pode ir um homem exposto a cantores românticos com nomes que podem ser confundidos com marcas de massas italianas.

Mas Berlusconi parece-me aquele tipo de pessoa que sabe que a techno é a melhor música do mundo para se pinar até ficar com a pila assada. Diverte-me imaginá-lo em digressões pelo Google e YouTube à procura da melhor techno para impressionar os seus sócios do AC Milan e alguns convidados vindos do Dubai. Fosse isso verdade e o melhor que podia acontecer ao Berlusconi era encontrar a Bosconi Records a tempo de ouvir este Jujube Soup, que marca o início de uma série chamada Bosconi Squirts, em que a abordagem ao techno é a mais purista possível.

Toda a conspiração sexual ganha força ao percebermos que “squirts” em português significa “esguichos” e é muitas vezes associada aos trajectos mais imprevisíveis dos nossos fluídos. Portanto, aqui temos um 12 polegadas em vinil, vindo de Florença (Itália), e que representa o primeiro capítulo de uma colecção de Esguichos da Bosconi. Estamos em casa, amigos. E Jujube Soup tem todos os pretextos para que aproveitemos o tempo passado em casa: o original de Corcos (patrão da label) é um magnífico entrelaçado de um loop em rewind com um festival de click-clacks, que deixará todas as cabeças em órbita. Matéria mágica, que, no lado B, passa a avançar apenas para a frente nas mãos de Onomono (produtor japonês que já merecia outro destaque) e que ganha um revestimento muito mais cheio e orgânico na versão de Scott Grooves (aqui surgido com o aliás de Panther).

Algures, Berlusconi está a revirar os olhos e a montar uma modelo exótica contra uma estátua sem braços.

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