Discos: DJ Olive featuring Honeychild Coleman


THWIS
The Agriculture/Kompakt
8/10


Com quase duas décadas de carreira no bolso, DJ Olive tem o seu mapa estético mais ou menos delineado e já não sentirá a mesma necessidade de se aventurar por territórios marginais. Atreveu-se na altura certa e deixou, muitas vezes, um caminho aberto para que outros o percorressem depois. Teve a sorte de encontrar os Sonic Youth num pico de fervor experimental e gravou, em conjunto com Kim Gordon e Ikue Mori, um disco da série Sonic Youth Records, com um título indecifrável. Antes disso, e sem um reconhecimento muito visível, o Sr. Gregor Asch esteve entre os principais cultivadores de uma sonoridade própria de Brooklyn que antecipava uma parte da dubstep misturando quilos de dub, qualquer coisa de zen, uns batuques roubados à música étnica e o hip-hop áspero dos rappers com três ou quatro dentes a menos. Chamaram illbient a essa mistura, com uma certa dose de gozo, mas a expressão pegou e ainda faz sentido quando associada aos álbuns de Spectre, por exemplo.

A partir daí, Olive foi alternando entre discos de beats e outros bem mais serenos carregados de música ambiente. Deu aos últimos o nome de sleeping pills e começou por distribuir o primeiro deles — Sleep — como se fosse um medicamento para ajudar os amigos a dormir nos tempos traumáticos pós-11 de Setembro. Este são os dados mais sérios acerca de Olive, porque outros há que são um pouco mais hilariantes: a começar pelo seu nome de DJ (Azeitona) e a terminar nas semelhanças físicas que partilha com Diesel, um lutador da WWF, que era o guarda-costas mau do Shawn Michaels e que depois já era bonzinho.

Todo este retrato de DJ Olive serve, principalmente, para mostrar que um novo disco seu pode muito bem ser auto-referencial e feito com as matérias a que o homem já nos habituou. THWIS, nascido a partir de uma série de sessões com a vocalista e guitarrista Honeychild Coleman, é suposto ser um disco de beats (e também os tem em quantidade e qualidade), mas não exclui algumas passagens mais pacíficas, que ruminam ainda nos campos do último sleeping pill Triage.

Não admira, por isso, que a primeira faixa seja simplesmente intitulada “Triage Redux” e que essa funcione como introdução ambient para o que se vai passar de seguida. E o que se passa em THWIS pode muito bem ser um mood record feito de trip-hop (quase a trincar os calcanhares de Blue Lines, dos Massive Attack) e de dub de laboratório. DJ Olive cria uma atmosfera musical para temperamentos amenos e, a partir daí, faz todo o sentido que essa coisa flutuante conte com a participação de Honeychild Coleman, que tem uma daquelas vozes que faria até os mais púdicos treparem paredes de tanta excitação sexual. Sem ser especialmente fresco, THWIS é certamente equilibrado e o sapato certo para quem ainda tem um fraquinho pela música urbana dos anos 90.

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