Discos: The Beautiful Schizophonic


Belkiss
Dynamophone
8/10


Um dos meus desejos secretos, desde que vim para a VICE, era que aparecesse um novo disco de Beautiful Schizophonic para trazer até aqui. A combinação parecia-me perfeita: escrever sobre um gajo que compõe drones românticos, na esperança de que esse texto surgisse perto de um ensaio fotográfico de uma linda bacana de rabo empinado. Aqui, essa hipótese seria sempre possível. O gajo neste caso é Jorge Mantas, rapaz culto e talentoso de Évora, que, de há uns anos para cá, coloca a mulher no centro das suas explorações como Beautiful Schizophonic.

Protegido pela sua própria discrição, o percurso de Beautiful Schizophonic dispôs de toda a calma necessária para evoluir em diferentes fases: Musicamorosa era cândido, pastoral e repleto de entusiasmo, enquanto Erotikon era, quase por oposição, um disco pós-Lindsay Lohan fascinado por ambientes carregados de beleza fútil. Erotikon era também um disco muito capaz de mostrar, apenas através da música e da capa, que passar muito tempo a olhar para fotografias de mulheres bonitas online pode ser um lugar horrivelmente solitário.

The Beautiful Schizophonic nunca deixou mesmo assim de funcionar como um excelente meio para Jorge Mantas chegar à musicalidade das partes sensuais do corpo feminino. Parte essas que à partida nos parecem silenciosas. Mas um som inaudível é o melhor para ser imaginado. De que será feito o som do ar ao bater no fundo das costas da Scarlett Johansson? Será assim tão diferente daquele que acaricia a barriguinha da Marisa Tomei? Que tipo de acústica existe entre as mamas da nossa querida Ana Lima? O novo Belkiss oferece mais uma série de pistas sobre isso e coloca The Beautiful Schizophonic em viagem prolongada pelos drones e paisagens ambient, como um astronauta que decidiu passar o resto dos seus dias enamorado pela galáxia do feminino.

Thank for your puchase!
You have successfully purchased.