Ilustrações por Lisa Hanawalt
Os humanos geram uma quantidade absurda de lixo. De acordo com um relatório de 2008 da EPA (Agência de Proteção Ambiental Americana), cada americano produz cerca de 2,2 kg de lixo por dia. Isso mesmo, em média, esses porcalhões jogam mais de 815 kg de merda fora por ano, que é coletada por lixeiros, compactada em caminhões fedidos e largada até apodrecer em alguma pilha gigante de putrescência nos limites da cidade. Mas e as coisas que são perigosas demais, ilegais ou logisticamente impossíveis de serem jogadas no lixo comum? Realizamos uma pesquisa e falamos com quem se livra de várias quinquilharias para descobrir.
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ÓRGÃOS AMPUTADOS
Depois que uma parte do corpo é serrada de um ser humano, técnicos de laboratório vão analisá-la para garantir que houve uma razão legítima para a remoção e evitar que o médico seja processado por negligência.
Depois, o pedaço de carne é ensacado, jogado em uma lata de lixo tóxico e se torna oficialmente lixo hospitalar (uma categoria que inclui sangue infectado com HIV, bisturis, fraldas encharcadas de urina infeccionada e placenta).
O próximo passo é a esterilização, que acontece dentro de um forno pressurizado especial ou através de um banho de alvejante. Em Nova York, tudo o que é sobra é levado para um aterro ou é incinerado. Qualquer um pego casualmente jogando um pedaço de gente em uma lixeira está sujeito a tomar uma multa de US$ 2.500, então, seja como for, custa os olhos da cara.
DINHEIRO ANTIGO
Os bancos americanos enviam notas rasgadas e gastas para a Reserva Federal, onde são picadas. A maioria dos pedacinhos é jogada no lixo, mas parte é vendida para turistas. Duas coisas em relação a isso são tristes: 1) as pessoas perdem tempo de suas vidas para passear pela sede da instituição que dita o valor arbitrário das verdinhas e 2) elas são capazes de comprar pedaços do dito papel em sacos com as palavras “Dinheiro de Verdade” impressas.
MENDIGOS MORTOS
Quando um cadáver não pode ser identificado na cidade de Nova York (o destino de muitos sem-teto), ele é mantido no necrotério por uns 10 dias. O mesmo acontece com defuntos que foram tão sacanas em vida que ninguém quis pagar pelo funeral. Depois que os corpos são tirados do gelo, são colocados em caixões de pinho e transportados para um local desolado em Long Island Sound. Lá, os finados são cremados em grupos de 150 em enormes covas abertas por presidiários.
AMIANTO
Levando em conta o estigma que envolve, seria de imaginar que o material é transportado em um caminhão blindado para um aterro isolado em uma ilha remota e guardado por homens com fuzis e máscaras de gás. Assim a Al-Qaeda jamais conseguiria comprar um excedente, misturá-lo com Big Macs e matar dois terços dos americanos. Mas não, o amianto recuperado é coletado em sacos especiais à prova de câncer e jogado no lixo comum. O governo tem sido bem descuidado em relação a isso.
ARMAS
Todo mundo sabe que drogas apreendidas são sugadas pelas narinas de policiais corruptos ou queimadas até virar cinzas, mas e armas e objetos usados em crimes? De acordo com um porta-voz da polícia de Los Angeles, armas confiscadas são divididas em pedaços e derretidas. Os pedaços de metal vão para o ferro-velho ou, como aconteceu recentemente com os restos de 1.000 armas, são transformados em esculturas de “Anjos da Paz” feitas por artistas sem talento em Los Angeles e outras cidades. E, sim, um Anjo da Paz é exatamente o que se imagina: uma estátua feia enorme de anjo feita de armas derretidas.
ANIMAIS DE ZOOLÓGICO
As pessoas continuam explorando os animais mesmo depois de mortos. Isso vale especialmente para criaturas que expiram em santuários e zoológicos. Depois de mortos, os bichos são necropsiados (a versão animal de uma autópsia). Então, partes do corpo são removidas e classificadas como “biofatos”, e são usadas para fins educativos. A maioria dos animais de pequeno e médio porte é enterrada em lugares discretos, e os animais maiores – como elefantes – são cortados e jogados em fornos quentíssimos.
CISNES
Organizações da vida selvagem matam centenas de cisnes anualmente por serem máquinas de merda voadoras que mordem crianças, grasnam como se estivessem engasgando durante uma convulsão e provocam acidentes aéreos ao voar para dentro das turbinas. Em Nova York, agentes federais reuniram recentemente 1.700 desses infelizes, os colocaram em jaulas no aeroporto JFK e dispararam gás até que morressem. Os montes de pena sem vida foram ensacados e levados para (adivinhe!) outro incinerador. Já vão tarde. Por favor, não se esqueçam dos pombos.
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