Aqui o Paulinho acabava de dar início a mais uma árdua semana de web development quando uma amiga o confronta: “Olha lá Paulo, não és de Fafe? Já viste o que andaram a escrever sobre a tua cidade?”
Lá vou disparado ler o artigo e eis que me deparo com o dito cujo redigido por um tal de Nuno Rocha Vieira. Que caralho é isto? A sério, meu? Descarrego a minha raiva num comentário que deu mote a uma avalanche de violentas palavras e umas quantas ameaças de morte por parte de muitos conhecidos meus e não só. Qual marketing viral, qual quê. “Se o tivessem avisado quem estava a picar…”, ironizo para dentro. O ódio destilado via Facebook é, sem dúvida, um fenómeno curioso. Ao fim do dia, desafiam-me a dar-vos a conhecer a realidade da já tão badalada cidade de Fafe e, com milhões de carinho, aqui vai:
Em Fafe há justiça à moda fafense, quem está mal é corrido “à coiada” ou, como dizem carinhosamente os meus conhecidos, “c’um biqueiro bem dado nos cornos”.
Ei, malta, a casa dos Flinstones é nas montanhas de Fafe.
Se Portugal nasceu em Guimarães, D. Afonso Henriques teve de ser concebido em Fafe, mais concretamente em cima de um penedo na Lagoa (freguesia local), depois de uma bruta canzana entre Henrique de Borgonha e Dona Teresa de Leão. Não sou eu que o digo, são os populares. De outra forma, como se explica que o gajo foi por esse Portugal fora a bater em tudo e todos (até na mãe)?
Da “estridéinte” pronúncia (sotaque só conheço o do Roberto Leal) à já referida justiça do Pau de Marmeleiro, passando pelas míticas personagens terminadas em “inho” ou até os mais remotos tascos com vinho da pipa e moelas bem servidas, há muito que aquele cantinho se deu a conhecer pelo que de melhor tem.
Fafe, dizem os de fora, é vitela, rali e barragem. Não, é mais. É rojões à moda do Minho, doces de Fornelos, vinho do Rapa e ir beber um copo à Esquiça. É passar a noite em branco para ir ao rali, de garrafão de tintol e grade de cerveja às costas, e comer fêveras e pó na tromba pela manhã. É ver o Rui Costa (sim, o Rui Costa) a fazer-se homem e jogador na ADFafe, enquanto os fafenses gritam no estádio municipal: “É o Fafe, é o Fafe! À vitória, à vitória!”
Encontrem aqui o Rui Costa.
É ouvir o Costinha a cantar o “Malhão”, enquanto o Landinho cobra as quotas. É fazer compras no supermercado e, no fim, dar a esmolinha ao Gandarela. É ir ao 16 de Maio andar nos carrinhos, comer farturas e comprar um Casio de plástico nas barracas dos indianos. É levar uma paulada com um junco (pau pequeno) na corrida dos 17 de Maio, na Feira Velha. “Já compraste as ferraduras para correr na corrida dos 17 de Maio?”
É ver os Alcoolémia, o Paulo Gonzo e os Santos e Pecadores em Julho, dançar o rancho em cima da Arcada em Agosto e colher os trocos dos emigrantes para estoirar num Mercedes Class E, em Setembro. É ir para a recta da Cumieira fazer picanços com os Fiat Uno de 1980. É ir de dia à Lagoa para levar com a santa na cabeça e tirar o Diabo e à noite beber uma cerveja das caras na Santa Rita.
Esta cidade não é para hipsters. Com Fafe Ninguém Fanfe.
Caro Nuno, sem pingo de rancor, espero ter ajudado a mudar a tua opinião a respeito aqui do burgo. Se conseguires adquirir um equipamento completo de hóquei no gelo — a voz da razão aconselha a isso —, estás convidado para beber um caneco de vinho e comer uns rojões como nunca encontrarás em Guimarães. :)
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