O Festival Percurso 2017 foi um grande baile black

Em meados dos anos 1970 e 1980, na iminência da chegada do hip hop no Brasil, o que agitava as festas negras tanto na periferia quanto na região central de São Paulo eram o funk e o samba-rock. Tendo como trilha sonora artistas como James Brown, Marvin Gaye, Quincy Jones, Michael Jackson, Tim Maia e Tranza Negra, esses bailes blacks foram, além de um espaço de curtição, uma das formas que a juventude negra brasileira encontrou assimilar a cultura black power estadunidense e, ao mesmo tempo, se expressar e fortalecer sua identidade. Foi justamente tentando essa força e orgulho negro celebrados por esses bailes que o Festival Percurso montou o lineup da sua quarta edição, que aconteceu no último domingo (9), na praça do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo.

“Os grandes bailes blacks na zona sul de São Paulo nos anos 1970 eram uma grande forma de reafirmação da comunidade negra daquela época”, disse Thiago Vinícius, um dos organizadores do evento. “Fazendo uma pesquisa, vimos que era um tema com potencial pra explorar e convidar os jovens da comunidade a participar”. Por isso, para headliner da edição 2017 eles trouxeram Mano Brown, como o show do Boogie Naipe, primeiro disco solo do rapper paulistano. “Além de a sonoridade desse último trabalho dele recuperar toda o clima funk e soul dos bailes, o que casa com o tema do [festival] Percurso desse ano, o Brown é da Zona Sul, o que faz com que role uma identificação muito maior do artista com o público.”

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