Gia, o Playboyzinho Drag

Você até pode achar que a Gia já tomou muito pescotapa na vida durante a infância em Chicago, afinal ela nasceu menino — e de nome Neco. Mas apesar de usar roupas de menina desde o colegial, os maloqueiros das esquinas da sua quebrada sempre a deixam em paz, e os playboyzinhos com quem ela anda na faculdade nem suspeitam de nada. São suas oponentes da famosa cena drag de Chicago com quem ela deve se preocupar (se não tiver ideia do que estou falando, isso aqui deve te esclarecer um pouco).

A Gia também vai pra baladas hétero, sempre como Gia. Se um cara chega xavecando, ela normalmente já manda um: “Não sou o que você pensa que sou. Tenho as mesmas coisas que você entre as pernas”. Uma vez um cara chegou a falar pra ela: “Mesmo assim você é uma puta d’uma gostosa”.

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VICE: Então você tá me contando que as pessoas em Chicago curtem uma treta.
Gia: 
Sei como brigar, mas não brigo. Tenho um porrete e um taser. Já sou mais velho. Nem vou mais pra festas… Você sabe como são as festas em Chicago. Todo mundo está tentando terminar o drama que foi seu dia arranjando mais drama. Sempre tem um imbecil que vai tentar me pegar por qualquer merda. Talvez eu estivesse deixando todo mundo com inveja graças o meu rabo-de-cavalo e algumas bees magoaram.

Você vem de onde?
Zona oeste de Chicago.

Teve que entrar em muita treta na adolescência porque era diferente?
Já tive que esconder o meu cabelo muitas vezes. Eu me dou bem. Mas isso só porque meus tios eram gangsters, então eu tinha proteção. Sai do armário com 15 e parei de rolinho com meninas aos 17. Meus tios me consideravam uma sobrinha, então pude poupar minha energia e tentei parar com as tretas. Todos precisamos nos unir porque não somos favorecidos pela sociedade. Uso todo meu poder pra ajudar as pessoas a progredirem.

Qual é o seu poder?
Ser uma menina e menino ao mesmo tempo. Tenho classe, sou esperta, ligeira e dominante. Esse é a epítome de uma mulher e é esse meu poder. Meus colegas de classe e eu conversamos sobre 2012. Vamos aproveitar antes de o mundo acabar. Você pode ser rico, pode ser o que for, mas algum dia vai morrer. Isso é certeza.

Você está se arriscando mais hoje em dia por causa do apocalipse de 2012?
Sim, mas nada muito perigoso tipo caratê safadinho.

Caratê safadinho?
Sim, quando você é gay/trans e sai pra dar porrada em héteros no bairro. Isso é caratê safadinho, porque você instantaneamente se vê em um treinamento de autodefesa. Mas mesmo assim sou safadinha. Faço parte de uma fraternidade universitária.

Os playboys da universidade conhecem a Gia? Ou só o Neco?
Só conhecem o Neco. É uma fraternidade de negros. Todos são negros. Estou unindo duas culturas pra criar minha própria sub-cultura.

E qual é a sua sub-cultura?
Todo mundo conhece meus rabos-de-cavalo.

TEXTO POR TODD DIEDERICH VICE US
TRADUÇÃO POR EQUIPE VICE BR

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