Música

Conversamos e choramos com Guilherme Arantes

No Disquecidos, Peu Araújo relembra os OUTROS álbuns clássicos da música brasileira. Nesta edição, o cantor e compositor paulistano Guilherme Arantes, hoje com 63 anos, abre o coração e a memória e fala longamente sobre o seu outonal disco de estreia solo.

Guilherme Arantes se hospeda há pelo menos 10 anos no Hotel Marabá, no número 757 da Avenida Ipiranga. Os funcionários já o conhecem. É Seu Guilherme pra lá e pra cá. O hotelão é sua casa em São Paulo e é lá que ele nos recebe de bermuda, camiseta e meia. Com o teclado equilibrado entre duas poltronas, ele passou a noite estudando um software inglês que reproduz o som de cravo. Ele se senta em frente ao instrumento e toca trechos de peças barrocas num show particular.

Videos by VICE

Paulistano da Bela Vista, o cantor trocou o trânsito da capital paulista pelo barulho do mar no litoral norte da Bahia. Perto de Arembepe ele montou o Coaxo do Sapo, seu estúdio, sua pousada e sua produtora.

O cantor está divulgando um box com 21 discos para representar os seus 40 anos de carreira solo. E, numa brecha entre a gravação do Altas Horas e o almoço com sua mãe, falamos por um par de horas com ele sobre o seu primeiro álbum, de 1976, aquele que tem “Meu Mundo e Nada Mais” e mais um monte de clássicos que passaram batido por boa parte da população e dos fãs que se acostumaram com “Planeta Água” e “Cheia de Charme“. Aquele da capa maravilhoso com letreiro rosa, piano de calda no meio da rua e ele com um ar judeu-universitário-de Nova York (eu ouvi “Billy Joel”?).

Ele fala sobre quando percebeu que ia fazer sucesso, sobre letras que narravam pensamentos suicidas, sobre a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, beleza melancólica, novela, família, bullying, tretas familiares e mais uma pá de coisas.

Para emendar na leitura dá o play e ouça o disco:

Como foi o papo com a gravadora para o seu primeiro disco?
Quando eu entrei na Som Livre, o primeiro passo foi que eu parecia com o Elton John e ele tinha feito Goodbye Yellow Brick Road e estava estourado. Era o number one, seria a Adele de hoje com 30 milhões de discos, glam pop star. Super exuberante, lisérgico e andrógino. Lisérgico e andrógino eram as duas palavras chaves dos anos 70. Eu usava óculos, chego lá tocando piano, baladas com aquele acento. Eu sabia que iam achar parecido, tanto que eu levei “Meu Mundo e Nada Mais“, que era a música que falava “me atirei no mundo”, “vi tudo mudar” e tal. Quando nos fomos fazer a capa, notei que havia uma certa criação da gravadora a partir de um logo com o meu nome em cor de rosa. Por que cor de rosa?

Por causa do lance do Elton John
É! É muito interessante falar dessas sutilezas. Não era à toa, a Som Livre também tinha tendência a gostar de androginias. Era tudo andrógino, Edy Star, que eles tinham lançado e é do caralho. E os próprios Secos & Molhados que lançaram a androginia na poesia e na música, e foi um estouro.

Leia o restante da entrevista na VICE.

Thank for your puchase!
You have successfully purchased.