Joachim Sauter

The Creators Project: Você pode explicar o que é a ART+COM?
Joachim Sauter:
Estamos tentando transpor conteúdos através das novas mídias. Por exemplo, usando instalações, espaços interativos ou arquitetura interativa. Somos um grupo interdisciplinar de designers e arquitetos, e somos, de alguma forma, associados à Berlim Art School UDK ou Chaos Computer Club.

Vocês já tinham isso em mente quando abriram a ART+COM?
Sentíamos que alguma coisa ia acontecer. Nos anos 80, algo como a internet já não era tão imprevisível. Já sabíamos que a interação estaria mais presente na vida das pessoas. Crescemos junto com as novas mídias.

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Na sua visão, como esses meios de comunicação mudaram o mundo?
Tudo ficou menor. Estamos mais próximos agora, mas ao mesmo tempo mais superficiais em nossa comunicação. Sou super contra o Facebook, apesar de meus amigos serem adeptos. Já houveram várias mudanças, mas muito coisa ainda vai mudar, e para melhor. Haverá uma busca pela profundidade.

O que podemos esperar agora da comunicação?
A comunicação pós-virtual. Está claro que buscamos uma volta ao “espaço real”, queremos viver experiências com outras pessoas.

Como a ART+COM aborda essas questões?
Tentamos esconder a tecnologia ao invés de deixá-la em primeiro plano, como no passado. A ocultamos em objetos do dia-a-dia. No Museu de História Natural temos um telescópio que você pode apontar para o esqueleto de um dinossauro e ver como ele era quando vivo. Temos integrado tipos diferentes de mídía nesses espaços.

Então integração é a chave para o futuro?
As pessoas não querem mais enxergar a tecnologia. Nosso mundo é muito rico em objetos que podem carregar informações, não precisamos de monitores para isso. Essa é minha visão de futuro para as novas mídias – afastar as pessoas das projeções e dos monitores. Por exemplo, acabamos de fazer uma instalação no museu BMW que mostra o processo de design do carro utilizando esferas que flutuam na sala. Podemos nos comunicar através de objetos sem usar telas de TV e monitores. Queremos que os objetos contem histórias, não os computadores.

Como você enxerga o avanço das novas mídias?
Rapidamente, percebeu-se que computador não era só uma ferramenta para aprimorar a editoração e o design, mas uma mídia independente por si só. Quando a internet apareceu em 1993, sabíamos que se tratava de um novo veículo que se equiparava à publicações, TV e difusão.

Que oportunidades as novas mídias oferecem?
Tem mais a ver com a qualidade interativa da comunicação. Filmes tem começo e fim, você lê um livro da primeira a última página. Agora, de repente, existe um diálogo. Hoje, tudo está conectado. E também tem o aspecto multimídia. Estamos aptos a combinar diferentes mídias numa só. Podemos usar filmes, textos, fotos e gráficos numa só mídia.

Para onde tudo isso nos leva?
A publicação impressa mudou nossa sociedade, assim como o rádio e a TV. A internet vai mudar bastante também, mas depois do hype vai acabar se nivelando e encontrar seu lugar, assim como todas as mídias clássicas.

Você trabalha nesse ambiente há mais de 20 anos. Alguma vez já tinha imaginado esse cenário atual?
Hoje, quando olho para trás, é claro que eu não podia ter previsto o que aconteceu. Uma mudança tão radical de paradigmas na comunicação e no design é algo que eu jamais imaginava na faculdade, na época que a máquina mais legal era a de xerox. A impressão tem 600 anos, o rádio, 150, a TV tem 80. E as novas mídias têm 20 anos. Não acho que vamos viver outra mudança tão radical nos próximos 20 anos.

Para mais Joachim Sauter acesse The Creators Project.

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