Música

Conheça a sua nova cantora favorita: a americana BOSCO

Conheça BOSCO; uma artista multidisciplinar e musicista de Atlanta. Recentemente, BOSCO foi comparada com a Solange Knowles, o que deixou muito de seus fieis seguidores estupefatos. Principalmente porque o som de BOSCO repercutiu na Europa e nos EUA muito antes do hit-chiclete “You and Me” estourar nas rádios. Conversamos com ela em Nova York para discutir sua música, seu último projeto e também para descobrir porque ela não se sentiu ofendida ao ser comparada com a Solange Knowles.

Noisey: Para começar, como surgiu seu interesse pela música?
BOSCO:
Michael Jackson. Eu lembro de ter cinco anos, o Dangerous tinha acabado de ser lançado e a MTV estreou o vídeo de “Leave Me Alone” no dia do meu aniversário. Isso mudou minha vida. Eu sempre fui MUITO fã da Janet e do Michael. Meu aniversário inclusive foi inspirado no Michael Jackson. Eu esperei a noite toda pelo vídeo aparecer. Eu costumava ficar na frente da TV, tentando copiar os passos de dança e todas as nuances dele, o jeito que ele lidava com o público, os barulhos estranhos que ele fazia com a boca. Desde então, eu soube que eu queria ser uma artista e cantora. Fazer as pessoas sentirem a mesma coisa com a minha música, do mesmo jeito que eu sentia quando era uma garotinha.

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Como é seu processo criativo quando está compondo?
Normalmente eu começo de um verso solto. Alguma coisa acende uma ideia que leva para outra. Construir isso partindo de um verso ou uma frase completa é como construir uma casa. Você tem a fundação, o resto vem por sua conta.

E o seu visual? De onde vem a inspiração?
O som dita meu visual. Por mais clichê que possa soar, eu realmente vejo sons e cores quando eu escrevo. Como o Pharrell falou, você vê o som. Você vê a música e percebe como ela se move. As linhas e os formatos. Você cria e constrói uma palavra na sua cabeça. O mais difícil é tirar isso da sua cabeça e fazer as pessoas sentirem a mesma coisa. Felizmente, eu trabalho com um time de pessoas que me alimentam criativamente e levam minha arte para frente. Então o processo é orgânico. Pensando em ideias e compartilhando elas coletivamente. Qualquer coisa que eu crio, primeira e unicamente, é para construir uma história.

Qual é a história desse projeto que você vai lançar logo menos?
Tem muitas situações que eu passei na minha vida e fiquei muito assustada para falar a respeito. Você sabe quais assuntos que as pessoas têm medo de abordar. Com os lançamentos dos singles, eu vou tocar em cada um desses assuntos: homossexualidade, religião, fé, luxúria, vícios, traição, mentira. Todas essas coisas que eu passei desde o colegial até a faculdade, e ainda depois dela. Coisas que eu passei junto com os meus amigos da indústria e criativamente também. É como a natureza da besta. Nós todos somos animais.

E você está colocando o seu na reta de um certo modo.
Eu estou. Definitivamente.

Deve ser difícil ser uma mulher. Parece que as mulheres na indústria da música passam por um escrutínio muito maior ou isso é algo que não se aplica a você?
Isso se aplica a mim e eu tenho que lidar com isso toda hora, até mentalmente. Ser uma mulher significa que eu tenho que cantar sobre certas coisas e aparentar ser de um certo jeito. Eu tento não focar muito na minha aparência dentro da categoria “sexo”, mesmo que isso vá vender ou não. Eu realmente recomendo a Janelle Monae, tanto na sua roupagem quanto na sua posição sobre a feminilidade. Signfica muito ver alguém como ela se posicionar assim e dizer que ela não vai se comprometer a certas coisas. Ela não precisa mostrar o corpo para ser uma artista bem sucedida.

O que você diria sobre alguém como a Lady Gaga e sobre essa galera que quase nunca está vestida?
Veja bem, eu não tenho nenhum problema com a nudez quando ela é mostrada de uma maneira artística e respeitosa. Posso dizer que eu admiro a Lady Gaga, o movimento dela e o que ela está fazendo. Mas se você quer mostrar nudez, tem que existir uma razão por trás disso (sem nenhuma indireta a Lady Gaga). Não pode ser apenas “Oh, ela está pelada.” Tem que haver um ponto de referência que diga o porquê de você estar nua. O que tem por trás disso? Qual é a razão de você estar nua? Mas também, quem sou pra falar alguma coisa? Nós todos somos contradições ambulantes no fim das contas.

Falando sobre artistas femininas. Como você se sente com as constantes comparações entre você e a Solange?
As pessoas tendem a categorizar quando se deparam com algo que não entendem. Então imediatamente elas buscam algo familiar. Eu entendo: Nós somos duas garotas negras fazendo música um pouco fora do comum e eu não sou muito conhecida. Mas a música nem sempre se enquadra em gêneros bonitinhos e compartimentalizados. No final das contas, o que é mais importante é minha visão continuar clara e minha música ter seu próprio peso.

Sobre a sua música, quando eu escuto, vejo coisas de trip-hop, post-punk, soul. Tem alguma categoria para sua música ou ela é indefinível?
Eu diria que ela não tem nenhum gênero. Mas para a ajudar essa sociedade que precisa rotular tudo, eu diria que é uma mistura de R&B experiemental e soul, com uma pitadas de outras coisas. Eu tento não tem espremer em nenhuma categoria porque talvez eu queira um dia fazer um álbum clássico. Talvez eu queira fazer jazz. Quem sabe?

Bom, para fechar, além do MJ, quem são seus heróis da música?
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