Minhas Amigas Eram Dominatrixes Adolescentes

Nos últimos anos, duas amigas minhas tiveram sucesso em um dos mais peculiares mercados de trabalho da cidade. Eu conheci a Valentina pela primeira vez em uma festinha no John Jay Park, na época do colegial. Ela era uma adolescente normal e inocente, e se você tivesse me dito que em alguns anos ela estaria enfiando comida goela abaixo de um homem adulto em um calabouço sexual em Chelsea, provavelmente te chamaria de louco e ainda te daria uma zuada.

Alguns anos depois conheci a Scarlett no Thompkin Square Park. Ela estava com uma galera gigante de meninas, eu conhecia uma delas, então nos juntamos e fomos a uma festa. Logo depois disso, Scarlett se juntaria a Valentina para adentrar o sombrio e esporrado mundo dos calabouços sexuais de Nova York.

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As duas já saíram da indústria, mas na época na qual elas ainda estavam no colegial, corriam da aula para os calabouços para vestir couro e fazer algo bizarro no pé de um cara, ou seja lá o que o cliente quisesse. Apesar de conhecê-las há anos, nunca consegui saber o que elas pensavam sobre o assunto até semana passada.

Vice: Como vocês se tornaram as Mestras Scarlett e Valentina?
Valentina:
Scalertt e eu tínhamos 18 anos e morávamos juntas, não éramos mais sustentadas pelos nossos pais. Não queríamos trabalhar pra ganhar um salário mínimo então pensamos, “Que se dane, isso não tem sexo e é grana fácil. Eu já sou boa nisso mesmo, consigo fazer joguinhos e não me importo de tratar um homem como um merdinha”. Pareceu uma idéia perfeita, e realmente foi—era tudo muito natural pra gente. Fizemos isso durante oito meses, assim como alguns freelas também. Hoje em dia temos outros meios pra ganhar dinheiro. Ainda estávamos no colegial na época então frequentemente íamos à escola de manhã e depois íamos de bicicleta pra uma sessão que começava à 1:30 da tarde. Eu ficava lá o dia todo e até fazia minha lição de casa enquanto estava no calabouço.

Vocês trabalhavam pra uma empresa específica ou faziam trampos aqui e ali?
Scarlett:
Trabalhávamos em um calabouço em Chelsea. Eles tinham um site com os perfis de todas as garotas e um folheto lá no calabouço com fotos para os caras verem.
Valentina: É louco, tem um estúdio de yoga, centro de meditação e no porão, um calabouço de dominatrixes. O prédio inteiro sabia o que rolava por lá, porque as meninas saíam de corsets, meia-arrastão e salto alto de aço pra comprar um lanche ou usar o telefone do lado de fora. Todas as lojas em volta também sabiam o que fazíamos, algumas meninas até conseguiam descontos.

Quem era o dono do lugar?
Scarlett:
Eram alguns gerentes meio suspeitos da Rússia. Um deles era uma mulher que trabalhava aos domingos. Ela era a maior zumbi do crack que eu já conheci.
Valentina: É nada, ela era firmeza.
Scarlett: Ela era zumbi do crack, costumava a andar por aí com um gato em um carrinho de bebê.

Como era o interior do calabouço?
Scarlett:
Quando entrava, você dava em um lounge com uma parede de acessórios de fetiche. Você tinha que encher uma cesta com todas as coisas bizarras da parede antes de entrar na sessão. Tanta coisa aleatória—por exemplo, uns caras curtiam ser mumificados ou ter fumaça assoprada na cara deles através de tubos diferentes.
Valentina: Haviam sete salas completamente diferentes. A sala médica, a sala de travesti, a sala de tortura… havia até uma sala de luta-livre. Uma delas era o Palácio Ming, que era uma sala louca decorada com coisas orientais, com um suspensor, uma cadeira e uma jaula. Ali algumas mestras eram suspensas e espancadas. Quando vi aquela sala eu pensei, “Meu Deus, mas que porra é essa”. Eu não curtia, mas os clientes amavam.

Alguém já se feriu seriamente por lá?
Scarlett:
Bom, uma vez um cara perdeu as bolas lá.
Valentina: Aparentemente ele tinha uma pele muito fina e amarram uma linha bem fininha no seu saco. Um cara teve overdose lá dentro também e todas as mestras tiveram que arrastá-lo pra fora. O que você vai dizer pra ambulância num caso desses?

Que tipo de caras apareciam no calabouço?
Scarlett:
Todos os tipos e idades. Uma vez eu tive um cliente que tinha a minha idade e isso me assustou mesmo. Muitos judeus ortodoxos apareciam, alguns até de 19 anos e a maioria só queria espancar mulheres. Tinha um veterano de guerra também que gostava de se travestir. Algumas experiências eram muito tristes. Tinha esse cara que tinha acabado de voltar da guerra, tinha sido baleado e seus ferimentos ainda estavam sangrando. Ele só queria conversar o tempo todo. Ele foi e voltou pra me ver e só queria conversar.
Valentina: Meus favoritos são os casais que iam juntos. Tinha também um juiz que contratava a gente pra noite toda… sessões loucas de 16 horas. Ele cheirava pó o tempo todo e provavelmente gastava uns 20 barões. Ele contratava todas as meninas, todo mundo gostava dele.
Scarlett: Basicamente, você tinha que apertar os mamilos dele o tempo todo que ele ria.
Valentina: Uma vez a Scarlett e eu tivemos uma sessão bizarra com um cara que queria que fosse amarrado e que enfiássemos comida melequenta na cara dele.

Ele era gordo?
Scarlett:
Não, ele era realmente muito bonito.
Valentina: Ele era muito gato. Queria que nós vomitássemos na boca dele também. E era tão triste porque ele era tão bonito.
Scarlett: Ele queria que enfiássemos comida na goela bem rápido até que ele estivesse engasgando e começasse a vomitar.
Valentina: Era nojento, mas fácil de fazer. Muitas vezes éramos contratadas juntas porque somos amigas e trabalhávamos bem em conjunto. Ela fazia mais o papel submissa e eu era a dominadora.
Scarlett: Então ela me falava o que fazer. Era fácil porque éramos amigas. Não era como se eu estivesse com alguma mestra malvada na sessão.
Valentina: A gente zuava muito, tirava os sapatos e sentava pra fumar, era besteira.
Scarlett: Teve um cara que queria fazer cócegas nos meus pés o tempo todo. Ele achava engraçado, eu tinha que correr pela sala e ele me perseguia e tentava fazer cócegas.
Valentina: Um cara queria ser uma cadeira. A sessão inteira, uma hora, eu fiquei sentada nele. Outros clientes eram ainda mais estranhos e acabaram desenvolvendo parasitas porque ficavam comendo bosta.

Quantas dominatrixes tinham lá?
Valentina:
Talvez 20 mulheres em qualquer hora do dia. Do jeito que a economia estava, muitas mulheres mantinham o calabouço como trabalho principal.
Scarlett: Muitas começaram a trabalhar lá com 15 e muitas delas estavam nos seus 30.
Valentina: Uma senhora chamada Rose tinha 70.
Scarlett: Mas ela nunca conseguia sessões, era triste.
Valentina: Ela ficava por lá e vendia as roupas dos seus antigos dias de glória.
Scarlett: Ou ensinava novas mestras a usar cordas.
Valentina: A maioria é emocionalmente instável. Você normalmente dura seis meses ou fica por lá durante dez anos.

O seu comportamento no trabalho alguma vez afetou seu cotidiano?
Valentina:
Claro, acho que fiquei mais pervertida por causa do trabalho na minha vida pessoal. No meu dia-a-dia, com certeza, eu acabo mandando nas pessoas e tal.
Scarlett: Foi um aprendizado. Eu não sabia que existiam pessoas assim.
Valentina: Viver isso em primeira mão, estar em uma sala com alguém e saber exatamente o que a pessoa quer, isso foi muito louco. Eu hoje olho as pessoas com maior profundidade e vejo que todos tem segredos. O aspecto psicológico disso também é divertido, tipo, como você acaba gostando de um fetiche? Seja trazendo uma memória da infância da irmãzinha brincando, ou dos pais batendo, há sempre uma maneira de descobrir a raíz de um fetiche. Eu vejo tudo isso como um aprendizado.
Scarlett: A gente trabalhava tanto que não tínhamos mais fins-de-semana. Ficávamos às vezes dia e noite por lá.

Scarlett tem um namorado [acima] com quem eu conversei também.

Como você se sentia quanto ao tipo de trabalho da sua namorada?
Namorado:
É muito louco o quanto ela ganha de dinheiro em 15 minutos, é o mesmo que eu ganho em um dia inteiro de trabalho. O que me perturba é que tem uns caras com uns fetiches loucos, bizarros e obviamente eles tem algo de errado. Olhando pra isso de uma perspectiva masculina, você sabe o que eles realmente querem. Me preocupa desses caras sequestrarem ela ou uma merda assim. Quanto tempo você pode abster de sexo um cara que tem um fetiche fudido? Um cara que fica vendo seu pé por meses—você não acha que ele vai querer mais? Você não acha que ele vai enlouquecer em algum momento? Eu ficava bem perturbado no começo.
Scarlett: Uma vez eu fiz ele ficar uma sessão inteira pra ver como era.
Namorado: Eu vi os caras e eles são muito estranhos. Vi um deles sendo pisoteado em um vestidinho. Eles já chegaram a ir até a minha casa pra dar dinheiro a ela.
Scarlett: Éramos amigos, eu converso com eles. Um cara, que chamávamos de Slave Joe, nos ensinava várias coisas. Levava a gente pra jantar. Uma vez saímos na balada com ele.

Você ou qualquer outro cara já se envolveu no trabalho?
Namorado:
Nem ferrando, eu prefiro fazer o meu trabalho.
Scarlett: Algumas vezes contratavam um grupo de graffiteiros pra cuspir na boca de alguns gays.
Namorada: Mas esses caras não ganhavam nada—20 conto por hora.

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