Scale Compositions
Home Normal
8/10
Scale Compositions é o Pinhal de Leiria às seis da manhã. Scale Compositions é o cabelo da Charlotte Gainsbourg espalhado pela relva naquele filme horroroso. Scale Compositions é o que vai na cabeça de um gnomo, enquanto canta no duche satisfeito da vida por ter encontrado a mais fodilhona mulher-gnomo da floresta. Scale Compositions é o título da colaboração entre Chihei Hatakeyama e Asuna, que a Home Normal lançou há bem pouco tempo numa edição limitada de mil cópias. E todas as comparações que fui buscar para descrevê-lo surgem ali porque ninguém quer ler um texto que comece com uma descrição altamente elaborada de um drone. Scale Compositions não tem um, mas sim dois drones gigantes: o primeiro (com 24 minutos) prolonga-se sem reagir muito a um entra e sai de diferentes tons, e, perto do final, ganha a dimensão de uma nave que está prestes a aterrar em Moinhos de Carvide; o segundo (com 16 minutos) é mais sereno, monolítico e adocicado, e ficaria muito bem no final de uma reportagem da Sic Notícias sobre a libertação da Sara Norte. Juntos provam que o Chihei Hatakeyama continua a ser um nome de enorme utilidade para mostrar erudição em conversas sobre música experimental. Quando lançou o primeiro álbum na Kranky, toda a gente o achava o maior. Agora lança quatro discos por ano noutras labels mais modestas e é óbvio que ninguém lhe liga um piço. Até o Toy seria venerado pela Pitchfork caso lançasse um disco na Kranky. Quem me dera ouvir “Aguenta-te com esta” em versão pós-rock com o Jim O’ Rourke na guitarra.
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