Música: Human Don’t Be Angry


Human Don’t Be Angry
Chemikal Underground
4/10


Sempre adorei aqueles mitos em torno de um qualquer novo álbum dos Blur que, dias antes do lançamento oficial, surge nas lojas com uma falsa capa de música marroquina. É divertido imaginar um monte de fãs de cu para o ar, enquanto procuram um álbum que provavelmente nem sequer existe. Os Blur, ou o Damon Albarn, se preferirmos, habituaram-nos a esse jogo do gato e do rato que faz com que o surgimento de música nova pareça uma brincadeira e não sirva de pretexto para alimentar as expectativas já de si absurdas em torno da banda.

Embora tenham um público infinitamente menor, os Arab Strap encontram-se, tal como os Blur, num pretenso hiato que, mesmo assim, não os impede de revelar algumas novidades de vez em quando. Primeiro foram os concertos especiais do dia de São Valentim, depois concluíram a faixa “Daughters of Darkness” para o caixotão Scenes of a Sexual Nature, agora voltam a tocar juntos num projecto chamado Human Don’t Be Angry. Projecto esse que, à excepção de alguns singles, parece destinado a começar e a terminar neste álbum homónimo, que vem revestido por um artwork (tipo Majora) capaz de induzir em erro aqueles que esperam encontrar aqui a versão do Ludo para jogar em PC. “Human Don’t Be Angry” é, aliás, a tradução literal do nome que os alemães dão ao Ludo. O meu primo Elso, de Leiria, chamava-lhe “Não Te Irrites”. Faz sentido.

Para que não haja equívocos, então, é muito provável que Human Don’t Be Angry venha acompanhado com o tal autocolantezinho a indicar “New Project from Malcolm Middleton and Aidan Moffat (ex-Arab Strap)”. Se foi nessa condição que nos converteram a uma saga feita de canções perfeitamente miseráveis, acompanhadas por guitarras, piano e caixa de ritmos, enquanto Human Don’t Be Angry os dois escoceses andarão mais virados para os instrumentais com um andamento ora pós-rock, ora kraut para meninos. Tudo isto sem a sombra da paranóia sexual (o prato forte dos Strap) e com o coração apontado a um tempo em que as músicas de Frankie Goes to Hollywood eram pura diversão (sem posturas irónicas). Human Don’t Be Angry é um disco alegre, mesmo que aqui (“Jaded”) e ali (“Asklipiio”) recorde tangencialmente a sonoridade dos Arab Strap.

Apesar de tudo, encontrar Malcolm Middleton e Aidan Moffat num disco que não recupera desgraças sentimentais será um pouco como encarar o Michael Jordan naquele período de crise em que jogava beisebol quando o mundo inteiro sabe que o homem nasceu para estar num campo de basket. Estes gajos já se deixavam de merdas e lançavam um novo disco de Arab Strap, ou vou ter mesmo de me irritar.

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