Sono FX
AWDR/LR2/Kumaru Records
6/10
Além de tudo o que tem de verdadeiramente nojento, o vídeo da orgia com o Castelo Branco peca por não ter música animada. Aliás, todos os países excepto o nosso parecem ter música adequada para vídeos caseiros de bacanal: o Brasil tem o baile funk, a Espanha tem o reggaeton, a Alemanha tem o David Hasselhoff. Bem, nós temos os Buraka Som Sistema, mas, muito sinceramente, prefiro pensar que o cu duro do Castelo Branco e os “sounds of kuduro” nunca se encontrarão no mesmo quarto de hotel. Não sei até que ponto os japoneses acompanham a nossa actualidade social, mas Shabushabu é uma proposta nipónica bastante convincente em termos de música para despir as calças e decidir entre ser a fatia de cima, o queijo, o fiambre ou a fatia de baixo da sanduíche. Tal como devem ser todos os discos do género, Sono FX, de Shabushabu, é carregado de ritmos e sons capazes de provocar volúpia entre o mais desmotivado dos funcionários da Toshiba. Sono FX é, se preferirmos, um álbum de mash-up sem qualquer receio de meter ao barulho dubstep, música tradicional japonesa, ritmos de industrial e toda uma sonoplastia feita com resquícios de anime speedado. Parece inacreditável, mas “Katatsumiru”, por exemplo, soa ao que esperaríamos de T-Pain se um dia decidisse cantar no funeral de um ícone new-wave famoso por ser gay e só por isso mesmo. Tudo isto é bem mais engraçado que Girl Talk, aquele rapazinho que desapareceu tão depressa como apareceu, perdido que está na cruel sanduíche do hype.
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