Música: The Beat Broker


Nice to Mix You (Remix Works 2009-2012)
Catune
8/10

Uma produção sofisticada prolonga muitas vezes a juventude de uma canção. Quando funciona na perfeição, pode até transportá-la para o panteão da intemporalidade. De que matéria é feito esse toque mágico? É difícil encontrar uma resposta concreta, mas, recorrendo a uma lógica de tecidos e moda, diríamos que uma produção sofisticada é toda aquela que recupera a excitação em redor da bombazine quando o mundo inteiro está a usar ganga.

Olhemos, por exemplo, para o diamante pop “I Can’t Go for that (No can do)”, da dupla Hall & Oates, e sobre como ainda hoje (31 anos depois da sua edição) pode ser dividido em gomos adaptáveis aos mais diversos géneros. Há uns quantos anos era possível reconhecer a sua estranha batida inicial numa das malhas do gigantesco Take Me To Your Leader, de King Geedorah (projecto-relâmpago de Doom); ultimamente a sua coolness R&B tem surgido um pouco por toda a parte da electrónica que pretende moderar a temperatura dos corpos, sem recorrer a uma produção que seja propriamente fria.

Um ambiente quente é naturalmente propício ao surgimento de música que funciona como ventoinha de ar. E isso explica uma grande parte da identidade refrescante de Beat Broker, que nasceu com o nome de Ryan Bishop algures no sul da Califórnia. Instalou-se mais tarde em São Francisco e foi aí que deixou a sua marca na cena da Costa Oeste.

Editado na japonesa Catune (casa dos Boris), Nice to Mix You (2009-2012) é um aglomerado de remisturas capaz de comprovar o bom gosto de Beat Broker (estão aqui representadas mais-valias da Lo Recordings e da Adult Contemporary, entre outras), ao mesmo tempo que o destaca como um agente da convergência de todas as coisas cool da costa oeste norte-americana. Neste último grupo, podemos incluir alguns dos grooves mais refundidos do rock-fm ou resquícios de toda a enorme paisagem house de Los Angeles.

Tudo isto misturado, e abençoado pelo tipo de fluidez que conhecemos de um Dimitri From Paris, por exemplo, resulta numa espécie de house para a Cantina da Guerra das Estrelas, com fumo a sair de cocktails e dois ou três cabeçudos a dançar de maneira nunca vista. Estamos aqui muito perto de um futuro em que os netos dos Daft Punk têm a seus pés uma discoteca inteira, em Tóquio, e nas mãos uns quantos Terrabytes da memória musical da Califórnia.

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