
A carreira de Neelam Gill começou quando ela foi escolhida como primeira modelo de origem Indiana a aparecer em uma campanha da Burberry. Fotografada por Mario Testino, foi o primeiro trabalho da vida dessa jovem de 20 anos. De lá para cá, Neelam já emprestou o rosto para a Abercrombie & Fitch, desfilou para a Dior e figurou na capa de um número incontável de revistas, incluindo uma na Hunger, com fotografia de Rankin, que ganhou as manchetes do mundo em 2014.
Embora os fotógrafos tenham gostado da oportunidade de clicar uma bela modelo não-branca de olhos vivos, existe aí uma certa novidade que incomoda Neelam. “Houve ocasiões em que fui a primeira modelo indiana a trabalhar com grandes marcas da moda e essa representatividade é muito importante”, afirma. “Quero que as pessoas se identifiquem comigo, principalmente meninas novas. Não quero que elas cresçam sentindo que não tem ninguém para representá-las publicamente.”
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Por ser uma das únicas modelos britânicas de origem indiana a experimentar o sucesso nesse setor, Neelam rapidamente se transforma em garota-propaganda de um movimento importante no sentido de promover maior diversidade cultural na moda. E está questionando a nítida falta de diversidade na indústria.
Tendo passado a infância em Coventry, onde o racismo infelizmente é muito comum, Neelam está aproveitando a oportunidade para ser um exemplo na moda e uma referência para meninas que aspiram entrar nesse mercado. Isso significa ir além de apenas ter origem indiana e trabalhar como modelo. “Eu me sinto muito responsável, principalmente agora que estou em uma posição em que sei que minha voz pode fazer a diferença. É por isso que luto pelo que acredito.”
Uma das maiores questões que ela enfrenta é o uso de modelos não-brancas como ferramenta de marketing para atrair consumidores estrangeiros, em vez de ser um esforço para representar uma imagem fiel da sociedade nas campanhas. “Fica evidente quando as marcas usam modelos de outras etnias só para preencher uma cota, e isso é muito triste. Eu defendo a diversidade porque quero que modelos não-brancas sejam o padrão, em vez de ter um estilista escolhendo uma menina oriental só para atrair o mercado chinês”, afirma Neelam. “Tem gente que diz que pelo menos a modelo está sendo usada, mas a mentalidade é errada. Os motivos desse estilista estão completamente errados.”
Para a ativista e modelo, ser rotulada de “forte” e “cheia de opinião” também faz parte do problema. “O maior desafio que enfrento é ser rotulada como escandalosa, quando na realidade o que estou fazendo é falar a verdade”, afirma. “Não quero que as pessoas achem que estou sempre reclamando, porque não faço isso. Eu só queria que houvesse mais diversidade.”
Seria injusto supor que Neelam quer que as marcas selecionem as modelos de suas campanhas por culpa. Não deve ser uma escolha politicamente correta nem baseada nesse sentimento. Devemos simplesmente pedir campanhas na moda que representem a sociedade da forma como ela é.
Então como Neelam vê o futuro em um mundo ideal? “Não deveria ser nada de mais uma modelo não-branca participar de uma grande campanha”, diz. “Esse deveria ser o futuro da moda.”
Para Neelam, ações que sejam apenas politicamente corretas ou, pior, para atrair novos mercados por seu potencial comercial não são a resposta. Trata-se de reequilibrar o que é considerado normal. “As campanhas devem representar o mundo em que vivemos, para que as pessoas se identifiquem com quem está ali representado e não se sintam afastadas da sociedade ou se odeiem por causa de padrões de beleza eurocêntricos incutidos em nós desde cedo pela mídia de massa.”
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