Estou em Milão, u-hu!! A Vice me mandou para cá para “cobrir” as coleções DON’Ts primavera-verão, e eu acho que acabei de ver o Dustin Diamond ser rodeado por um bando de hipsters milionários!
Todo mês de dezembro, os ícones do mau gosto se reúnem aqui em Milão, com patrocínio de brechós, revistas e doadores anônimos (que de acordo com boatos são os hipsters). Eles estão à procura do “perfeitamente errado”, o tipo de roupa que transformou a moda DON’Ts em um mercado multimilionário. Durante o evento, as celebridades ironicamente cultuadas reinavam: Eric Estrada não conseguia dar conta de atender a tantos convites, assim como David Liebe Hart e Aquele Australiano Que Fazia o Jovem Einstein.
Eu já tive a sorte de passar alguns dias com Kip Lagerfeld, que dizem ser primo de segundo grau de Karl, quando ele estava em meio aos preparativos para o seu desfile de moda DON’Ts patrocinado pelo Exército da Salvação. Com suas bermudas de ciclista, meias brancas com listras vermelhas no meio das canelas, sapatos sociais pretos e suéter natalino, Kip é um ícone do mundo dos propositalmente mal vestidos. Antes de poder ver sua coleção eu tive que assinar um contrato de confidencialidade que incluía uma cláusula “antirrisos” (no universo da moda cafona, rir às gargalhadas é considerado “deselegante”). No entanto, fui orientado a dar uma risadinha forçada.
Bebendo achocolatado como se fosse o leite materno, Kip era um turbilhão de entusiasmo e inspiração enquanto procurava roupas que fossem, em suas próprias palavras, “perfeitamente erradas”. O desfile de moda DONT’s de Kip desta temporada, patrocinado pela Vice, foi realizado em um banheiro público que foi “todo cagado” pelo próprio estilista. No ano passado, ele introduziu com sucesso uma combinação de chinelos de dedo com polainas, colocando a nova indústria no mapa e provocando frisson na comunidade hipster. Kip deu declarações enfáticas sobre o conceito de “errado” que ele perseguia.
“Essa coisa de usar leggings é tããão ultrapassada”, declarou Kip, para logo depois acrescentar: “Mas roupas térmicas manchadas nunca saem de moda”. Ele diz que está à procura de manchas que “podem ser de urina, principalmente perto do colarinho!”
“Um boné com latas de cerveja é a minha inspiração para a temporada! Quero causar estrago! Quero provocar uma verdadeira tragédia!”, ele disse para ninguém em especial, e depois, rápido como um peido, pensou em outra coisa e esbravejou: “Quero ver pessoas gordas vestindo roupas pequenas! Agora!”
Antes de seu desfile, em um momento de calmaria-pré-tempestade, Kip estava um tanto reflexivo: “Quero ir além do ridículo, quero ser perturbador”, desejou em voz alta. “Quero que as pessoas vejam a coleção deste ano e exclamem: ‘Nãããão!’, e tentem arrancar os próprios olhos”. Então ele respirou fundo e falou: “Eu não posso… Não vou… Me contentar só com um ‘feio pra caralho’… Isso não combina comigo”.
Ele não precisou. A coleção de Kip foi recebida com aplausos calorosos e comentários maldosos de igual proporção de uma pequena plateia que incluía Cor Bancalli e Doke Munstrew, duas peruas ricas de Nova York com nomes superesquisitos. O desfile foi descrito no New York Tittler como “muito louco – uma viagem”. Para mim, o ponto alto foi uma camisa velha dos Lakers combinada com uma calça social, que o site Look at That Douche descreveu como “unbefuckinglievable”. Por fim, o golpe de misericórdia: na saída do desfile, ouvi um gordinho de sunga, sapato dock side e joelheiras dizer que aquilo foi tão errado que quase o fez desistir de ser ridículo para sempre. Um grande elogio, sem dúvida.
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