Games

Os Games do Sheppard


OS GAMES DE SHEPPARD

POR STEPHEN LEA SHEPPARD


Foto por Dan Siney



DANTE’S INFERNO
Platforma: Xbox 360
Publisher: Electronic Arts


Dante’s Inferno só é bom se você não espera muito dos seus videogames. 

Detalhes: Dante’s Inferno é, aparentemente, uma adaptação para videogame do primeiro terço da Divina Comédia, mas na verdade ele apenas pega os elementos que quer do livro e os usa para conduzir uma narrativa de videogame bem convencional. O protagonista, Dante, é um cruzado que… olha, eu não vou resumir isso, jogando dez minutos fica tudo explicado. O importante é que ele morre como um pecador, só que ao invés de morrer de verdade ele vence a morte e pega sua foice. Tem mais: Lúcifer rouba sua namorada, Beatrice. Ela fica bastante com os peitos de fora, aliás, já que esse jogo é para maiores, agora eles podem fazer esse tipo de coisa. Dante acaba descendo ao Inferno para salvar Beatrice, e a partir daí o jogo tem níveis para o Limbo e para cada um dos oito Círculos do Inferno que não são o Limbo. 

A jogabilidade é praticamente toda tirada de God of War. Embora, na verdade, ainda estejamos jogando no esquema de atiradores tirado do Wolfenstein 3D, mas quando digo que o Dante’s Inferno é quase igual ao God of War, não estou brincando. Ele até usa o joystick direito para a esquiva. 

Isso tudo é muito estranho. A maioria das narrativas dos jogos não é muito ambiciosa, até jogos que eu realmente amo por suas histórias—Mass Effect, ou Uncharted 2, por exemplo—são em grande parte fantasias escapistas clichê, sem nenhum valor literário. Se eles são memoráveis, é porque seus personagens são escritos e executados de maneira divertida e porque exploram a conexão entre jogador e personagem: jogando, você sente um orgulho vicário em relação às realizações do seu avatar, senão orgulho, pelo menos catarse. O Kratos do God of War não é exatamente profundo, mas a animação do personagem, o sistema de combate e a dublagem convencem que ele tem raiva. Jogando como Kratos, você lembra de todas as vezes em que ficou bravo de verdade e queria arrebentar coisas e daí sente quão satisfatório seria realmente ter feito isso. 

Dante’s Inferno não é assim. É ambicioso. Ele realmente tenta ser um exame do peso do pecado. Os problemas se dividem em duas partes: 

1) Fazer isso enquanto você está lutando com uma Cleópatra gigante que cospe pequenos bebês demônios de seus mamilos gigantes. 

2) Nenhum dos personagens é forte ou caracterizado de forma divertida. 

Parece errado eu dizer esse tipo de coisa—por que condenar Dante’s Inferno, que tenta ser mais do que uma besteira escapista e louvar God of War, que não tenta? Não são os fracassos ambiciosos mais valiosos do que os sucessos que seguem sempre a mesma fórmula? Dói perceber que não. Pelo menos não nesse caso. 

Para ser justo, ele tem uma coisa boa. O sistema de combate funcionou em outro lugar e funciona aqui também. É divertido esmagar coisas com a foice mortal e a cruz santa que atira raios mortais gigantes. Se isso é tudo o que você quer, certamente vai encontrar aqui. 

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HEAVY RAIN
Platforma: PlayStation 3
Publisher: Sony Computer Entertainment


Vou começar essa resenha tangenciando o pedantismo linguístico: Heavy Rain pode ou não ser um videogame, dependendo de sua definição. Você acha que graphic novels sérias não devem ser chamadas de gibi? Se você acha que sim, você pode achar que Heavy Rain não é um videogame! O criador o chama de drama interativo. 

Videogame ou não, é uma narrativa fascinante sobre um homem tentando salvar o seu filho de um serial killer. É totalmente controlado por uma série de eventos rápidos—provavelmente a melhor implementação de QTEs que eu já vi até agora. Primeiro, não distraem a ação, porque se tem um cara ameaçando seu personagem com uma faca, o símbolo para o botão que você tem que apertar para chutá-la da mão dele paira sobre a faca, ao invés de ficar só no centro da tela. Segundo, eles não são pass/fail—a trama muda de acordo com o quão bem você se dá nas cenas QTE. Existem quatro protagonistas, e se um deles morre, você não pode dar reload—a história continua com o protagonista morto, e os outros três personagens têm que prosseguir. 

Tem alguns furos na trama, mas em geral é uma experiência sólida, com gráficos lindos, uma interface efetiva e empolgante, e uma atenção dispensada ao envolvimento emocional poucas vezes encontrada em qualquer coisa que você possa plugar num console de jogo. Não existe nada para PS3 como Heavy Rain, e só por isso já vale a pena passar por essa experiência. E, pessoalmente, acho que não tem problema chamá-lo de videogame. Também chamo minha cópia de Maus de gibi. 

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BATTLEFIELD: BAD COMPANY 2
Platforma: Xbox 360
Publisher: Electronic Arts


Resenhar isso é quase resolver uma charada. Battlefield: Bad Company 2 é um jogo de atirador em primeira pessoa. Como a maioria dos jogos de guerra, BC2 foi feito em primeiro lugar para o modo multiplayer. Mas eu não jogo multiplayer. O mundo dos atiradores multiplayer no Xbox Live está cheio de moleques apaixonados por xingamentos raciais e especialistas com centenas de horas de prática. Nunca aprendi a jogar direito, e aprender agora no Xbox Live é como aprender a nadar em uma piscina cheia de piranhas e tubarões. 

Li em algum lugar, não lembro onde, que cerca de metade de todos os jogadores de jogos multiplayer como esse não chega a tocar o multiplayer. Sem dúvida, alguns dos meus leitores vão considerar pegar o BC2 puramente pela experiência de single-player. Tenho que resenhar esse lado do jogo, porque não consigo resenhar o outro lado. Aqui vai: 

É esquecível. A trama gira em torno de tentar manter uma superarma longe das mãos de terroristas. Como outros jogos de guerra recentes (Call of Duty 4: Modern Warfare, Modern Warfare 2, Killzone 2), ele tenta injetar personalidade memorável através de diálogo entre companheiros de esquadrão. Tem o sargento negro durão modelado a partir do Apone de Aliens, um caipira norte-americano, um nerd que cuida das comunicações e um cara sem personalidade para o jogador controlar.

Não acho divertido, não acho as piadas sagazes e a trama não me mostra nada de novo. Mas eu perdoaria tudo isso se fosse legal de jogar. É adequado, mas muito repetitivo. Você vai ficar lutando contra os mesmos tipos de inimigos nos mesmos tipos de ambientes o tempo todo. Modern Warfare 2 misturou vários cenários esquisitos e diferentes—níveis stealth, escalar de geleiras, pilotar drones etc. BC2 só tem um monte de batalhas com armas em solo. 

Tenho certeza que multiplayer é bom porque só ouvi falar bem dele. Mas o modo single-player é chato, então não pegue esse jogo se for jogar assim. Isso é tudo o que posso dizer. 
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