Games

Os Games do Sheppard


OS GAMES DE SHEPPARD

POR STEPHEN LEA SHEPPARD


Foto por Dan Siney



TOM CLANCY’S SPLINTER CELL: CONVICTION
Platforma: Xbox 360
Publisher: Ubisoft


Quantas vezes isso aconteceu com você? De estar se divertindo sorrateiramente ao jogar um game de stealth, daí faz uma besteira e um guarda te vê. De repente você não está mais jogando um game de stealth! Tá jogando uma espécie de atirador em terceira pessoa desajeitado e com controles mal-feitos!

Tom Clancy’s Splinter Cell: Conviction é o primeiro game de stealth que já joguei que continua sendo um game de stealth o tempo inteiro. Talvez seja muito curto, mas a Ubisoft merece uma comenda por finalmente resolver o problema que infesta o gênero moderno de games de stealth desde Metal Gear Solid.

A chave é a mecânica do jogo chamada Last Known Position. Se você se abriga durante uma troca de tiros e se esconde de seus inimigos, eles não sabem mais onde você está—ao invés disso, o jogo solta uma imagem fantasma de Sam Fisher, e essa imagem é onde seus inimigos acham que você está. Daí, enquanto eles avançam para aquela posição, você fica livre para se esgueirar e atacar pelos lados. A outra mecânica que ajuda a fazer isso se chama Mark and Execute. Você pode marcar inimigos no seu campo de visão—até três ou quatro deles (isso depende da arma que está usando e quais upgrades comprou para ela)—e quando você os mata no combate corpo-a-corpo você destrava o Execute, que te permite atirar rapidamente na cabeça de qualquer inimigo que você tenha marcado. 

Então, os últimos níveis do jogo, que têm bastante luta para um jogo de stealth, tem vários tiroteios onde você é detectado, é só voltar para o stealth, marcar uns caras que estão avançando até a sua última posição conhecida, espreitar o inimigo mais afastado e matá-lo no corpo-a-corpo, dá para executar rapidamente todos os seus amigos. A verdade é que não faz sentido Sam não poder atirar na cabeça dos caras sem antes dar porrada em alguém, mas consigo conviver com essa abstração porque isso incentiva uma maior aproximação de grupos inimigos de um jeito que a maioria dos games de stealth desencoraja. Já vi tentativas de misturar ação e stealth antes, mas SC:C realmente consegue fazer isso. 

A trama envolve golpe de estado e terrorismo clichês—estou ficando cansado de histórias sobre o vice-presidente tentando tomar o poder nos EUA assassinando o presidente em um ataque terrorista que deixará o país apavorado e aberto a políticas autoritárias por parte do novo soberano—mas poxa, é um game Splinter Cell. Tem “Tom Clancy” no título. Pelo menos eles tentaram misturar as coisas um pouquinho colocando o Sam virando mau e se metendo em política enquanto tenta encontrar o assassino de sua filha. 

Também tem alguns modos multiplayer que não tive a oportunidade de testar, então não sei se são bons.

 


BEAT HAZARD
Platform: Windows PC
Publisher: Cold Beam Games


Beat Hazard é um top-down shoot-’em-up do tipo em que um joystick controla aonde você vai e o outro joystick controla onde você atira, como o Robotron de antigamente e o mais recente Geometry Wars. Na verdade, jogando no PC com um controle de Xbox 360, superficialmente o jogo funciona quase exatamente como o Geometry Wars, exceto pelo fato de que você só pode soltar bombas com o gatilho direito (o que me confundiu a princípio porque no GW dá para usar ambos os gatilhos e geralmente uso o esquerdo). 

O que o torna diferente é que ele também é um game de música. Só dá pra jogá-lo fazendo algum sentido em um PC com uma coleção de músicas decentes, porque uma sessão de Beat Hazard é uma música só. A intensidade da música determina a força de suas armas, e o game também, de um jeito menos óbvio, usa os dados das músicas para determinar quando gerar inimigos e bosses (é bem eficiente em jogar asteroides em sua direção até chegar ao refrão, quando gera a primeira onda de inimigos). A coisa complica se um boss for gerado logo antes de uma parte calma. Beat Hazard não é o primeiro game a fazer isso, outro chamado Audiosurf o precedeu, é uma espécie de rail-shooter-racer. Nunca me interessei pelo Audiosurf, mas adoro o Beat Hazard porque adoro o Geometry Wars e exatamente o tipo deelectronica para o qual BH é otimizado (não sei se posso chamá-lo de electronica, pois sei que às vezes fãs de música eletrônica se incomodam com esse tipo de termo).

Mas nem tudo são rosas. O comportamento dos inimigos no game não é complexo. O movimento inimigo parece determinado inteiramente pelos dados das músicas e não pelo seu comportamento, então as naves inimigas meio que voam em padrões predeterminados, automaticamente ficando de costas para você. Não existem muitos tipos de inimigos, e mesmo depois de destravar o nível mais alto de dificuldade, não é superdifícil. Mas comparar qualquer game do gênero com Geometry Wars é injusto—e nem todos first-person shooters podem ser The Orange Box, também.

Estou feliz por ter conferido esse. O game também está disponível no mercado indie Xbox Live, mas não joguei essa outra versão. Imagino que você tenha que carregar suas músicas em seu Xbox 360 HD para valer a pena.

 


RESONANCE OF FATE
Platforma: PlayStation 3
Publisher: Sega


Jogar Resonance of Fate me assustou um pouco, me fez perceber que todos aqueles JRPGs “sérios” e “adultos” recentes só recontam O Senhor das Moscas. Todos os personagens importantes são, no máximo, pós-adolescentes, e todas as tramas giram em torno de alguém que fica louco por conta do horror existencialista da condição humana e tenta destruir a sociedade—é só a angústia e revolta adolescente normal, mas um pouco exageradas. Estou ficando cansado disso. 

De qualquer forma, Resonance of Fate é um RPG japonês de gun-fu “sério”e “adulto” ambientado na última supercidade humana depois do apocalipse, que aconteceu há tanto tempo que já não existem registros de antigamente. Todos os protagonistas são adolescentes e o grande atrativo aqui é que as roupas que eles usam foram desenhadas por estilistas japoneses de verdade, e você pode a) mudar o que estão vestindo e b) ver os trajes que escolhe nas cut scenes. Supermoderno. 

A jogabilidade é ótima. O sistema de combate te permite usar pistolas e metralhadoras. Metralhadoras fazem bastante estrago, mas são só arranhões—não consegue matar os inimigos. As pistolas fazem estrago de verdade, e os arranhões viram estrago de verdade se o inimigo sofre avarias de verdade. Então o combate gira em torno de atirar em inimigos com balas de metralhadora o suficiente para esvaziar suas barras de saúde, daí finalizá-los com um tiro de pistola. Enquanto isso acontece, personagens correm pelo campo de batalha e pulam uns sobre os outros fazendo de tudo para parecerem protagonistas do John Woo. Nenhuma espada gigante à vista! 

Apesar de a história ter um monte de merda sem nenhuma relação com a experiência humana a não ser seus aspectos mais superficiais, não é de todo mal. Quer dizer, não é intragável. Os personagens não são todos babacas asquerosos como eram em Star Ocean: The Last Hope. São os protagonistas padrão de JRPG angustiados a respeito do destino e da condição humana, mas eu não ligo. Nem estou tentando xingar o game falando bem dele—a situação dos JRPGs é tal, que esse foi um elogio sincero. 

Acho que o que quero dizer é que se você gosta de JRPGs, está ligado no tipo de JRPGs que andou sendo lançado recentemente, esse pode valer uma investigação. Se você não gosta de JRPGs, não serve para você. 
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