Os Games do Sheppard

 POR STEPHEN LEA SHEPPARD

Foto por Dan Siney

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KINECT
Plataforma: Xbox 360
Lançamento: Microsoft


Enquanto escrevo essa resenha o filme romântico de coroa Simplesmente Complicado está no painel do meu Xbox Live. Uma foto de Meryl Streep e Alec Baldwin com cara de quem acabou de trepar provavelmente não é o que passa pela cabeça depois de algumas rodadas do adolescente Modern Warfare 2. Mas nada acontece por acaso, especialmente no universo planejado da Microsoft — tudo é pura estatística. A mesma estatística que faz o Wii sair bem no Natal. E a partir de novembro, com o Kinect, a Microsoft quer que os pais do mundo todo também se exercitem ridiculamente em frente a seus Xboxes. 

Usando múltiplas câmeras, a barra Kinect eliminou a necessidade de controles como o do Wii. O sitema rastreia o usuário com um banco de câmeras e transfere os seus movimentos desajeitados para as ações do seu habilidoso e flexível avatar que aparece na tela. É difícil dizer quantos movimentos o aparelho consegue traduzir de maneira convincente — levará um bom tempo até que se saiba o que o conjunto de câmeras de fato registra, e quanto se vale da natureza humana para preencher as lacunas.

Não jogue pelado. As câmeras tiram fotos suas em momentos que considera “extremos” — saltos, agachadas, ou aqueles momentos em que o jogador fica parado feito idiota sem saber o que está acontecendo — e as mostra ao final da rodada. Para um gordo que instintivamente foge do próprio reflexo no espelho, foi um choque, mas fiquei surpreso de ver que o rosto acima das montanhas sacolejantes de carne em excesso parecia mesmo estar se divertindo.

Passei uma hora ouvindo um homem hiperativo, que desconfiei ser um fã bastante exagerado, me dizer o quanto o Kinect é incrível. Mas ainda estou desconfiado. Ainda acho que haverá um momento Wii Tennis em que nos daremos conta de que a Nintendo apostou na capacidade humana de não entender o que está acontecendo, e que aqueles movimentos incrivelmente teatrais que você faz não são necessários, e que a máquina não sabe se você está fazendo um backhand. Não reparei em nada do tipo durante o teste de uma hora que fiz, mas é sempre assim — demoramos para perceber essas coisas.

Apesar da satisfação imediata conferida pela maioria dos jogos, houve momentos em que me senti traído pelas respostas pouco precisas aos meus movimentos. Fora isso, quando funciona, como no caso de Dance Central e de Kinect Adventures, você começa a sentir que está diante de um troço genuinamente interessante, e, ao mesmo tempo, um pouco decepcionante.

 
DEAD RISING 2
Plataforma: PC, 360, PS3
Lançamento: Capcom


Dead Rising era uma jóia, mas também podia encher o saco. A ideia era perfeita: uma Madrugada dos Mortos em forma de jogo. Enfrentar uma cambada de zumbis, matar 50 a cada barra de força que eles conseguiam tirar de você. E ao mesmo tempo cumprir uma série de prazos de missões secretas e salvar alguns sobreviventes e combater os psicopatas que enlouqueceram com a carnificina.

Dead Rising 2 preserva o mesmo formato e conserta a maioria dos problemas: os sobreviventes podem cuidar melhor de si mesmos, e você pode salvar três slots em vez de um. A principal mudança é o sistema de combinação de armas, que permite criar desde itens bem mundanos como um bastão de baseball com pregos até um chapéu de fogos de artifício que atrai zumbis, uma metranca portátil feita a partir das peças de um urso de pelúcia robótico e uma metralhadora.

A ideia não é terminar o jogo na primeira tentativa. Você está muito fraco, para começo de conversa. Mas você vai ficando mais forte e mais rico jogando online com outros jogadores, ou no gameshow de múltiplos jogadores, Terror Is Reality. Dinheiro não é bobagem, pode diminuir a pressão ao te permitir comprar o remédio que impede que sua filha se transforme em um zumbi. E o jogo tem todos aqueles requintes de crueldade da versão para um jogador que quem odeia zumbis curte. É tenso, recompensador e quase brilhante. E apesar de o jogo ainda ser frustrante em alguns aspectos, ele te pega com classe e te faz continuar pensando nele depois que você parou de jogar. Só não se esqueça de salvar os seus jogos com regularidade.

 
N.O.V.A.
Plataforma: iPad
Lançamento: Gameloft


O iPad redefiniu as nossas expectativas. Apesar de isso soar como a típica bobagem das propagandas da Apple de como isso vai mudar a vida de todo mundo, não é isso que quero dizer. Quero dizer que de alguma forma o iPad conseguiu fazer os jogos de tiro em primeira pessoa parecerem empolgantes de novo. Estou tão acostumado com feeds de Twitter, páginas da internet incompletas e Angry Birds, que os tablets me pegaram desprevinido. É como se eu acabasse de descobrir que é possível jogar Tetris com o meu controle remoto.

Algumas das características se valem das vantagens do iPad. O mapa que pode ser redimensionado e arrastado pela tela lembra aquele futuro no estilo de Minority Report que estamos esperando desde que o filme saiu. Mas você precisa ficar procurando toda hora onde estão os botões de controle, então ainda não é uma experiência fluida. Mas é incrivelmente barato, e é perfeito para qualquer pessoa que esteja preocupada com o fato de que ninguém ainda olhou com inveja para os seus brinquedos frívolos nos últimos tempos. 

 
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