Ilustrações por Johnny Ryan
“É inacreditável o que essas meninas novinhas fazem hoje em dia”, conta Andre, um franco-americano que a gente conhece há anos. Seu trabalho é viajar de cidade em cidade e frequentar baladas, onde ele conversa com centenas de pessoas todas as noites. “É cada coisa que eu ouço o pessoal contar, fora as coisas que eu mesmo vejo. É impressionante.”
“Como assim?”, eu pergunto. “Elas pegam muito mais pesado?”
“Não é isso, cara!”, ele rebate, com os olhos brilhando em uma mistura de euforia, deslumbramento e choque. “Elas fazem de tudo. Anal na primeira noite — na boa. Engolem porra, chupam até o talo, entendeu? É uma loucura. Não precisa nem pedir. Eu fico passado. Acho que é por causa da Internet.”
“Deve ser”, eu digo. “Ei, a gente devia falar com todas as redações globais da Vice e pedir uma espécie de pesquisa com a moçada que eles conhecem, e talvez com alguns centros de saúde sexual e profissionais da área em seus países, e juntar tudo isso em um ‘Relatório Mundial Sobre Sexo’. O que você acha?”
“Espera, tenho que atender a essa chamada”, ele diz, e começa a falar no celular com uma garota sobre o que ela vai fazer à noite.
Por Andy Capper
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EUROPA
SUÉCIA
De longe, a Suécia pode parecer o habitat natural de uma democracia pacata e asséptica, mas uma visita aos processos de crimes sexuais do país revela um mundo sórdido por trás de sua paisagem cinzenta.
Não é à toa que Julian Assange está sendo processado por não usar camisinha — sinceramente, o vazador bombástico deveria ser internado em um hospício só por tentar transar sem proteção em um país com taxas de 50% de contaminação por herpes oral e 70% por herpes genital.
As doenças sexualmente transmissíveis saíram do controle na Suécia nos últimos anos: os casos de gonorreia cresceram incríveis e alarmantes 40% somente em 2010. Apenas os níveis de contaminação por HIV permanecem quase nulos no país.
Quando não estão contraindo novos organismos pestilentos na região logo abaixo da cintura, os suecos estão comprovando seu famoso senso prático. A Suécia tem taxas baixíssimas de gravidez na adolescência — o que se explica em grande parte pelo fato de o país ter os maiores índices de aborto do mundo: 69,7% de suas gestações são voluntariamente interrompidas.
Os suecos também têm o maior número de estupros per capita da Europa Ocidental, o que pode ser explicado pela sua definição peculiar do que configura estupro (como bem se vê no caso Assange).
Apesar de, ou por causa de, todo esse trauma uterino, a Suécia tem a maior população per capita de mulheres bissexuais do planeta. Dezenas de milhares delas estão se esfregando nas saunas do país enquanto você lê este texto.
REINO UNIDO
Apesar de os tabloides afirmarem constantemente que os jovens do país enfiam seus piu-pius em orifícios alheios a cada sete minutos a partir dos nove anos de idade, a faixa etária média do defloramento no Reino Unido é de 16 anos. Mas esta idade já está diminuindo, em 2000, por exemplo, era 18 anos. E dados de 2008 sugerem que, mesmo a média sendo 16 anos, mais de 10% dos entrevistados afirmaram ter perdido a virgindade por volta dos 14 ou até antes. Apesar disso, os índices de atividade sexual antes dos 20 anos de idade são os mais altos do mundo, com exceção da Alemanha. OK, tabloides, talvez vocês tenham um pouco de razão. No atual nível alarmante de atividade sexual entre adolescentes do Reino Unido, 43% dos jovens entre 16 e 24 anos já tiveram pelo menos cinco parceiros sexuais, e um em cada cinco já mandaram ver com mais de dez. Trata-se de um país sexualmente dividido: no outro lado da balan-ça, 14,4% dos entrevistados ainda não tinham perdido a virgindade aos 25 anos. A boa notícia é que o número de jovens que têm sua primeira experiência sexual com prostitutas caiu de 3,4% para 0,4% na última década. A gravidez na adolescência segue a mesma tendência, e os números não param de cair. Na verdade, a queda foi brutal desde o índice recorde de 1971. Da mesma forma como nos elevados índices de virgindade e promiscuidade, a geografia do país tem grande influência nas estatísticas da gravidez na adolescência — o município de Lambeth ainda tem as taxas mais altas do país, com cerca de 80 grávidas para cada 1.000 adolescentes, enquanto o condado de Rutland tem apenas 18 gestantes a cada 1.000. E isso porque Rutland não tem nem mesas de pingue-pongue decentes em seus centros da juventude.
PAÍSES BAIXOS
Quando políticos britânicos entram em polvorosa por causa da deprimente taxa de gravidez entre as adolescentes locais, algum político aparece na TV resmungando sobre “adotar a abordagem holandesa em relação à educação sexual”. Eles fazem isso porque as estatísticas são um argumento convincente a favor de uma postura mais liberal. Apenas 5% dos holandeses fumaram maconha no mês passado (nos EUA 12%). Essa mesma postura ultraliberal em relação à sexualidade dos adolescentes implica em um número de abortos 20% menor que nos EUA. Em vez de lidar com o tema de forma terrivelmente constrangedora, os pais holandeses aceitam o fato de que seus filhos têm desejos sexuais intensos e de que vão ceder a esses impulsos. Então, vai ser melhor para todos que eles façam isso em lugares mais apropriados do que o banco traseiro do Ford Fiesta do Johannes ou o quarto de hóspedes da casa de campo do pai do Gert. “Não debaixo do meu teto” é substituído por “Claro, filhinha, pode dar a vontade para o Sigurd no seu quarto. Só acabe antes do jantar” para garotas que querem levar o namorado em casa. Nos Países Baixos, pais compreensivos e hipersexualizados conversam com seus filhos sobre “o momento certo” e agem como guias espirituais hippies durante a fase que antecede à grande trepada.
ITÁLIA
Italianos. Garanhões? Eles estão mais para pangarés decrépitos prestes a serem sacrificados. Os ragazzi italianos não só insistem em morar com os pais até se casarem como em média afirmam esperar até os 20 anos de idade para enfiar seus salames em algum buraco de canelone, o que os coloca em pé de igualdade sexual com os egípcios, equatorianos e filipinos. Porém, enquanto os jovens se seguram, seus pais mandam ver com molto gusto. A Itália está vivendo um boom de casos de DST entre a população com mais de 50 anos de idade. Então, se você já detestava a ideia dos seus pais transando, imagine ter que se preocupar com as perebas de suas partes mais íntimas.
FRANÇA
Em média, os franceses couchant 130 vezes por ano — número que vem mantendo com uma consistência admirável ao longo dos últimos 20 anos. Os adolescentes franceses trepam muito mais do que quaisquer outros adolescentes europeus. Por outro lado, são bem mais monogâmicos que os ingleses. Quando questionados se achavam normal o fato de alguém de 30 e poucos anos ter transado com dez ou mais pessoas enquanto era solteiro, apenas 30% dos franceses disseram que sim, contra 59% dos britânicos. O número médio de parceiras para um homem entre 25 e 34 anos é de oito, já as mulheres não passam de cinco. Outro fato interessante é que os franceses adoram fazer sexo enquanto assistem a outras pessoas transando.
ESPANHA
O clichê de que as espanholas são ninfomaníacas, inventado nos anos 1970 para vender pacotes turísticos, está virando realidade. Quase todas as bolsas femininas carregam um vibrador, e múltiplos parceiros e ménages a trois são bem populares entre as meninas que a gente conhece. Em geral, os limites são definidos mais pelo grupo de amigas do que pelos parceiros, o que também significa que elas podem ser loucamente ciumentas em seus relacionamentos e extremamente hipócritas quanto a sua própria promiscuidade. Apesar de rirem descaradamente da cara da igreja em relação ao sexo antes do casamento, existe um resquício de culpa católica no que diz respeito à relutância em usar preservativo. Somente 50% dos espanhóis que não têm parceiro fixo usam camisinha, e 30% dos adolescentes admitem nunca terem nem aberto uma. Como consequência disso, a clamídia é a DST mais difundida na Espanha, e algumas fontes católicas afirmam que 70% das adolescentes já foram infectados em algum momento da vida. Ao longo dos últimos dez anos, as clínicas de aborto andaram mais cheias do que McDonald’s 24 horas depois da balada — o número de interrupções de gestações dobrou nesse período. A boa notícia é que o número de fetos e zigotos aspirados dos úteros das espanholas caiu bastante depois da legalização da pílula do dia seguinte, com 4.000 intervenções a menos em 2010 em relação a 2009. Reportagens recentes sobre a popularidade do comprimido entre os imigrantes latino-americanos apontam para a continuação dessa tendência. Na verdade, imigração é o grande tema em discussão na Espanha no momento, o que está levando o sexo inter-racial a ser aceito. Com a segunda geração de imigrantes chegando ao ensino secundário e cidades como Barcelona e Madri batendo recordes em números de turistas a cada ano, a Espanha está se tornando um caldeirão fétido de raças repleto de cuspe e esperma. Há sutiãs africanos pendurados no lustre, calcinhas venezuelanas no chuveiro e meias norueguesas espalhadas pelo chão.
ORIENTE MÉDIO
ISRAEL
O grande problema na vida sexual dos israe-lenses é que eles não conseguem deixar de levar a política para a cama. Na verdade, política disfarçada de religião, disfarçada de política. As taxas de natalidade entre os judeus ultraortodoxos — que ignoram os métodos contraceptivos e veem como seu dever sagrado povoar a terra de Canaã com pequenos menschen — superam, e muito, as dos judeus mais seculares. Por exemplo, a TFT (taxa de fertilidade total) entre os altamente religiosos ashkenazi haredim subiu para 8,51 nascimentos por mulher em 1996, contra 6,91 em 1980, e a estimativa para 2008 era de um número ainda mais elevado. Isso em comparação com uma TFT nacional de 2,61 — subdividida em 2,9 para os judeus, 3,73 para os muçulmanos, 2,15 para os cristãos e 1,56 para os “outros”. O efeito disso é uma bomba-relógio demográfica, o que significa que qualquer tentativa de reconciliação entre israelenses e palestinos nos próximos 20 anos provavelmente será boicotada pela multidão de filhos desses extremistas. Pelo menos Israel tem de longe as leis mais liberais em relação à homossexualidade em todo o Oriente Médio, algo pelo qual foram recompensados por Jeová com fogo, enxofre e os índices mais altos de contaminação por DST da região.
IRÃ
Os iranianos são exatamente como nós. Se você espetá-los, eles não sangram? Se você enfiar agulhas infectadas no braço deles, eles não contraem o HIV? Sim, e muito: 21.000 casos reportados ao Ministério da Saúde local, apesar de o sexo fora do casamento ser ilegal e punido com pena de morte. Desses casos, 69% das contaminações supostamente ocorreram por agulhas, e 8,9% pelo sexo sem proteção. Entre os portadores do vírus da AIDS, 40% têm entre 25 e 34 anos.
Mas, ao contrário do que você possa pensar, existe certo pragmatismo entre os iranianos que permite aos médicos ensinarem às adolescentes como colocar adequadamente o preservativo — desde que se respeitem os pré-requisitos óbvios: depois do casamento e com as luzes apagadas. E essa postura liberal também se estende aos homossexuais, que têm o direito garantido por lei de escolher um dos quatro métodos de execução depois de serem condenados à morte: forca, apedrejamento, ser partido ao meio por uma espada ou arremessado da torre mais alta da cidade. Uma dica: escolha a torre. Até mesmo esfregar um pênis gay entre as coxas sem penetração é passível de punição (100 chibatadas). Se o castigo já tiver sido aplicado três vezes, e as 300 chibatadas inexplicavelmente não tiverem surtido efeito, então os envolvidos são condenados à morte. O “beijo lascivo” entre os homens também é proibido, pois as autoridades clericais estão tentando varrer do mapa essa antiga tradição persa: antes de o aiatolá reinar sobre o país, os beijos entre homens eram simplesmente uma demonstração rotineira de afeto entre amigos. O sexo é uma evolução natural desse ato no novo milênio.
ARÁBIA SAUDITA
A Arábia Saudita não é o tipo de lugar em que a inserção peniana casual é aceita passivamente. A segregação racial implica em que homens e mulheres raramente se misturam, a não ser que sejam casados. Para aqueles que não são, o contato constante com pessoas do mesmo sexo gera um ambiente propício para a homossexualidade circunstancial, assim como acontece nas prisões. O que, é claro, é punível com a pena de morte. Mas, ao que tudo indica, depois de chupar seu “amigo especial” várias vezes, você se acostuma à ideia de arriscar a própria vida.
Em um contraste brutal com os liberais que governam o Irã, o governo saudita não divulga nenhuma estatística sobre a AIDS — a intenção é sugerir que se trata de um país livre do vírus, graças à conduta exemplar de seus habitantes muçulmanos. Apesar de toda essa atividade homossexual clandestina, os sauditas não estão contentes. De acordo com uma pesquisa publicada pelo jornal saudita Al-Madina, 45% dos homens de meia-idade do país não estão satisfeitos com sua vida sexual. Entre eles, 10% se submeteram a algum tratamento médico, e outros 10% aparentemente recorrem à “automedicação”. E as mulheres? Quem se importa? Algumas delas se importam, mas são profundamente reprimidas.
PAQUISTÃO
A sociedade paquistanesa é tão absurdamente hierarquizada e tão terrivelmente pobre que muitos homens sem recursos não conseguem arrumar esposas e acabam recorrendo à prostituição. O mesmo acontece com as senhoritas. Um número altíssimo de mulheres pobres acaba fazendo programas para conseguir se sustentar sem um marido. E apesar de a prostituição ser proibida — “Seus fundamentos são totalmente contrários aos preceitos do islamismo”, de acordo com os Imames–, só na cidade de Karachi existem pelo menos 100.000 mulheres que prestam serviços sexuais, e estima-se que em todo o país cerca de 50.000 homens também atuem como trabalhadores do sexo. Os malishias, que tradicionalmente eram massagistas, hoje, ao que parece, massageiam principalmente uma parte específica do corpo de seus clientes. A maioria desses serviços custa entre 1 e 3 dólares, uma quantia que para o garoto que costura os seus tênis não passa de um sonho. Os dados mais confiáveis sugerem que um malishia atende uma média de 2,3 clientes a cada 24 horas.
Assim como a Tailândia, o subcontinente indiano tem uma população bastante numerosa de travestis. Na Índia, eles são pedintes dos mais insistentes, mas no Paquistão muitas vezes encontram um ramo muito mais lucrativo na prostituição. Em comparação com seus equivalentes masculinos, os transexuais (hijras) têm uma agenda bem mais cheia, o que também pode explicar por que entre eles a AIDS é muito mais frequente. Há pouco tempo, um travesti declarou em uma entrevista que podia tranquilamente atender até 20 clientes por dia — trabalho não faltava.
ÁSIA
COREIA DO SUL

Apesar de tomarem o café da manhã em cima de seus iPads e de disporem de robozinhos para amarrar seus sapatos, os jovens sul-coreanos estão entre os mais conservadores do mundo em relação ao sexo. Trinta e três por cento deles afirmaram que jamais fariam sexo antes do casamento, ou que o sexo só era aceitável caso houvesse a intenção de se casar. A Coreia do Sul tem os índices mais baixos do mundo de gravidez na adolescência — 3 a cada 1.000. A explicação para isso talvez seja a de que eles são os maiores punheteiros do planeta. Ou pelo menos os que mais investem dinheiro nisso. Os alemães gastam em média 7,70 dólares por ano com pornografia, e são deixados no chinelo pelos japoneses, que desembolsam em média 156,75 dólares. Em comparação com os coreanos, no entanto, eles são um grão de areia no deserto. Esses devoradores vorazes de pornografia são capazes de trucidar até mesmo a cifra de seus vizinhos japoneses, gastando impressionantes 526,75 dólares por pessoa anualmente em estímulos visuais. Contextualizando, isso corresponde a nada menos que 27% do mercado mundial. E não é só uma questão de serem hipersexualizados, mas conservadores em seus hábitos contraceptivos. Os coreanos quase não fazem sexo — declararam ter em média 4,4 relações sexuais por mês, um número que os põe apenas na frente dos taiwaneses em comparação com o restante do planeta. Em resumo, esse povo é o equivalente humano daqueles pandas que os funcionários do zoológico de Taipei tentam fazer procriar a todo custo.
Como se a deplorável vida sexual dos sul-coreanos e a ameaça constante de serem varridos do mapa por um exército de milhões de fanáticos comunistas da Coreia do Norte não fossem suficientes, os sul-coreanos também são o povo com maiores índices de homens e mulheres se queixando de que não estão “plenamente satisfeitos com seus níveis de ereção” (85% e 76%, res-pectivamente).
OCEANIA
AUSTRÁLIA

Apesar das piadas sobre os australianos transarem com ovelhas, existe uma verdade fundamental que reflete sua vida sexual nos dias de hoje: eles não estão nem aí com quem transam. Nove por cento dos australianos se definem como praticantes do swing e outros 3% dizem ser “casados, mas com uma relação aberta”. Ou-tros 8% não são casados, mas têm namoro aberto. Então, além de traírem à vontade, eles ainda se gabam disso.
Os australianos não só gastam o triplo dos britânicos com pornografia (quase 2 bilhões de dólares por ano) como também se expõem na frente das câmeras mais do que qualquer outro povo — um quarto das pessoas que responderam a uma pesquisa em 2010 tinha alguma foto erótica de seus parceiros em seus celulares, e um terço delas já havia feito seu próprio filme pornô caseiro. Mais do que praticamente qualquer lugar, na Austrália as práticas sexuais são pautadas pela pornografia. Mais de 2,5% das mulheres que responderam à pesquisa afirmaram ter um piercing no clitóris. Cinquenta e um por cento das mulheres australianas depilam a região pélvica. Um impressionante número de 37,7% das australianas gosta de fazer sexo anal, e apenas 30% delas se opõem a essa prática. Vinte e sete por cento dos homens costumam abordar mulheres com propostas indecentes, e 29% das mulheres costumam topar a parada. Além disso, 8,5% das mulheres afirmam ter cinco ou mais orgasmos durante o sexo, e 17% dos homens dizem gozar duas vezes.
Mas, como em qualquer bom conto erótico, o perigo mora ao lado: são as neozelandesas que ostentam o título de mulheres mais promíscuas do mundo.
AMÉRICA DO NORTE

ESTADOS UNIDOS
Não é à toa que os americanos vivem discutindo a questão do aborto. Os EUA têm de longe os maiores índices de gravidez na adolescência entre os países desenvolvidos — 55,6 a cada 1.000 partos são de mães adolescentes, superando e muito os 33,4 da Nova Zelândia e os 29,6 do Reino Unido. Porém, enquanto no Reino Unido esse número vem decaindo desde o recorde registrado em 1971, nos EUA a maternidade em idade precoce só cresceu nos últimos anos.
Além de estarem transando mais, os jovens americanos também estão fazendo isso de forma mais segura: em 2007, 62% dos estudantes secundaristas do país afirmaram usar camisinha, contra 46% em 1991. Mas a fornicação entre eles ainda obedece a padrões raciais. Entre os contaminados pelo HIV na faixa etária de 13 a 24 anos, 55% eram afrodescendentes. Além disso, 48% das meninas afro-americanas têm algum tipo de DST, contra 20% das brancas e latinas.
JAMAICA

Ao que tudo indica, os jamaicanos adoram o que os pesquisadores chamam de “sexo transacional”. A prostituição está tão enraizada na cultura do país que um gigantesco setor informal da economia se desenvolveu a seu redor: homens ricos e mulheres pobres trocam serviços sexuais pelas mais diversas coisas, que vão desde carros, sapatos, casa, comida, drogas até elásticos de cabelo, membros artificiais, pula-pulas, caronas e por aí vai. As pesquisas sugerem que 27% da população local têm envolvimento com alguma forma de sexo transacional.
A facilidade e a flexibilidade nas transações sexuais são o que torna a Jamaica o principal destino mundial de mulheres em busca de turismo sexual — americanas e europeias ricas que viajam em grupos de amigas para o país para transar com “garotos de praia” em troca de dinheiro ou presentes. De acordo com algumas estimativas, 80.000 mulheres ocidentais viajam para a Jamaica todos os anos em busca de sexo.
Entre os jamaicanos portadores do vírus da AIDS, 65% são mulheres. Nove por cento dos profissionais do sexo têm AIDS, além de um terço dos homossexuais do sexo masculino. Mas apenas 1,6% dos jamaicanos convive com a doença, o que faz com que agentes de saúde de diversos países visitassem a Jamaica para pesquisar como conter a disseminação do vírus. Talvez tenha algo a ver com a infame aversão dos jamaicanos aos gays — quem sabe não é a profilaxia eficaz da homofobia o que eles queiram exportar.
Quando não estão trepando com donas de casa de Iowa na menopausa ou simplesmente se recusando a contrair o vírus da AIDS, os jamaicanos transam entre si com uma intensidade que reforça todos os velhos estereótipos: 76% dos homens entre 15 e 24 tiveram relações sexuais com múltiplas parceiras jamaicanas nos 12 meses anteriores à pesquisa. Porém, enquanto os rapazes entre 15 e 24 anos disseram ter tido uma média de cinco parceiras no ano, as moças da mesma idade declararam ter tido apenas 1,4 parceiro. Assim são os jamaicanos: bons de cama, ruins de matemática.
MÉXICO

Os mexicanos podem estar atolados até o pescoço com seus cartéis de traficantes assassinos, mas por que ficar choramingando em funerais quando se tem uma vida sexual tão maravilhosa? Em média, as mulheres mexicanas são as mais satisfeitas do mundo na cama (mais de 70% delas afirmaram estar plenamente satisfeitas). Os homens também, com um nível de satisfação sexual de 78%, e isso pode ser porque, segundo eles, as ereções que tiveram ou provocaram foram as mais adequadas de todo planeta — o que os coloca no extremo oposto dos coreanos meia-bombas. O motivo dessas ereções tão firmes também pode ser consequência da qualidade do sexo que eles praticam — como todos os estudiosos das ciências humanas, os sexólogos muitas vezes têm dificuldades para estabelecer uma distinção entre causa e correlação. Com exceção de determinadas populações de risco — como as prostitutas de Tijuana que usam heroína, com uma taxa de contaminação por HIV de 12% —, o México tem índices relativamente baixos de portadores do vírus da AIDS. O problema é que trabalhadores das províncias do oeste do país migram para os EUA, acabam comendo gringas infectadas e contaminam suas mulheres quando voltam para casa. Em Zacatecas e Michoacán, um em cada cinco casos de AIDS envolve pessoas que moraram nos EUA. Os mexicanos provavelmente não esperavam por essa quando assinaram o tratado do NAFTA
AMÉRICA DO SUL
BRASIL
Os brasileiros são os novos italianos. Além de fazerem sexo pela primeira vez com uma idade relativamente baixa — 16 anos —, suas transas estão entre as mais longas do mundo (uma média relatada de 30 minutos, se é que é possível acreditar nisso). Para se ter uma base de comparação, a Rússia é a segunda nação mais rapidinha do mundo, com relações de 12 minutos, e os tailandeses os mais precoces, com transas de 10 minutos. Além de gastar boa parte do seu tempo reunindo imagens mentais de crianças famintas e acidentes automobilísticos para retardar a ejaculação, os brasileiros também são insuperáveis na frequência com que fazem sexo: eles ostentam o maior índice do mundo, com uma média de 7,7 transas mensais. O uso da camisinha vem crescendo nos últimos anos, e isso é muito bom, já que no Brasil o aborto é crime, o que torna estratosféricos os índices de mortalidade nas clínicas clandestinas. O governo brasileiro foi o primeiro a criar cartões virtuais que podem ser enviados para antigos parceiros, informando no melhor estilo de cartões de datas comemorativas que eles também podem ter contraído a DST que o remetente acabou de descobrir que tem.
ÁFRICA
NIGÉRIA

Como a Nigéria está entre os países do mundo que mais praticam a circuncisão feminina, existe uma cicatriz profunda na vida sexual dos nigerianos: um imenso abismo entre hábitos lascivos da população urbana de Lagos e a vida sexual cada vez mais morna e até traumática dos habitantes das zonas rurais, ainda muito influenciados por antigos tabus. A mutilação genital feminina atinge 25% das nigerianas. Trata-se de um número muito inferior ao da vizinha Guiné, onde a circuncisão feminina atinge 98% das mulheres, apesar da existência de uma lei que configura a prática como crime passível de prisão perpétua com trabalhos forçados.
Na Nigéria, assim como em vários outros lugares, quem você é determina como você faz sexo. Uma pesquisa sobre os hábitos sexuais dos homens nigerianos, que levava em consideração diferentes religiões, mostrou que, com 30%, a opção “outras religiões” (em grande parte religiões tribais) constitui o grupo dos que têm “um grande número de parceiras”. Eles são seguidos de perto pelos protestantes, com 29,8%, e, de forma nada surpreendente dado o seu gosto por costurar órgãos genitais e evocar Sharia, os muçulmanos têm a porcentagem mais baixa, 12,5%. Entre as mulheres, apenas as católicas (11,8%) e as protestantes (2,6%) declararam ter “um grande número de parceiros”. Para os nigerianos, o dinheiro é tão importante quanto a religião para determinar quem trepa com quem — a mesma pesquisa revelou que homens e mulheres “de renda elevada” são os que têm mais casos amorosos.
NÍGER
Os nigerinos fazem os americanos parecerem sul-coreanos quando o assunto é gravidez na adolescência. Eles têm os índices mais altos do mundo, com 233 adolescentes a cada 1.000 gestantes (contra 55 a cada 1.000 nos EUA). Em parte, esse desempenho pode ser relacionado ao aspecto cultural dos casamentos arranjados em idades precoces. Eles também não querem que as tetas das mulheres fiquem caídas.
ÁFRICA DO SUL
A África do Sul é basicamente uma encenação constante em escala nacional do número musical “Everyone Has AIDS”, do filme Team America – Detonando o Mundo. A sua mãe, o seu pai, o seu irmão, o seu primo, o seu jardineiro, o dono daquela lanchonete bacana ali na esquina… “AIDS” é a palavra que está na boca do povo, e o vírus da imunodeficiência adquirida está nos fluidos genitais de todos. O auge da contaminação por HIV se deu em 2002, com uma cifra de cair o queixo: 11,4% da população. Desde então, já caiu para 10,2%, registrados em 2009.
Assim como em todos os demais aspectos da vida africana, são as mulheres que pagam o preço mais alto: um índice de contaminação de 13,6%, contra 7,9% dos homens. São registradas 1.400 novas infecções por HIV e 1.000 mortes relacionadas à AIDS todos os dias na África do Sul. Apesar dos milhões de dólares de doadores privados e fundos governamentais gastos na promoção do sexo seguro, faltam bons exemplos por parte dos líderes nacionais. Em 2008, quando o presidente Jacob Zuma foi julgado por estuprar uma mulher sabidamente portadora do HIV, ele afirmou que tomou banho depois do sexo para diminuir o risco de infecção. Depois disso, ele ainda foi pai pela 20ª vez. Felizmente, a iniciativa privada vem aderindo cada vez mais à campanha. No ano passado, quando o produtor Tau Morena financiou o primeiro filme pornô africano totalmente estrelado por negros, ele impôs a condição de que todos os atores deveriam usar camisinha durante as filmagens. Ao término da produção, eles haviam consumido o equivalente à produção de um seringal inteiro.
Juízo aí, galera!
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