Se você reparou bem, a versão online da nossa edição de fevereiro (“Esforço de Guerra: Não Tá Dando Muito Certo“) foi ao ar sem a seção de resenhas. O motivo não é da sua conta, mas antes que haters ou trolls de equipes diversas venham nos chamar de franguinhos covardes, decidimos postar tudo aqui, nesta quinta-feira, pra que a justiça seja feita. E, vai, mal aí se você escutou alguma das porcarias desavisado.
HOLGER
Sunga
Trama
Videos by VICE
Tá, eu sei que já faz um tempinho que saiu esse disco, mas vi uns caras xingando tanto nessas listas chatas de fim de ano que resolvi escutar com calma. É um indie rock moderninho, balançadinho e bem do divertido. Num universinho infestado de clones do Los Hermanos e reedições do rock brasileiro dos anos 80, tá mais do que bom. Realmente não entendi por que ofendeu tanto. Vi que em vários shows a mulherada da platéia fica seminua (procurem, vale uma punhetinha). Será que foi isso que incomodou?
POR MILLI DIAZ
PLANETA DESPERTO
s/t
Independente
Tem uns discos que chegam na VICE e a gente fica sem entender nada. Pra que mandar um disco de pop/rock bunda-mole pra cá? Será que alguém no planeta imagina que exista a menor possibilidade de alguém aqui curtir uma parada dessas? Certamente foi algum desafeto da banda que mandou pra cá só pro disco ser sacaneado. Você, o babaca que fez isso, é um merda. Agora a má notícia: é bem capaz que essa porcaria boboca faça sucesso na rasteira dos graaaandes nomes do pop/rock nacional. Sabe, igual o Jorge Vercilo, que só existe graças ao Djavan. E daí vai tocar pra cacete e antes que você perceba vai ter decorado alguma música idiota contra sua vontade.
POR RI POINÉ
NICKI MINAJ
Pink Friday
Young Monday
Cara, o que aconteceu? Há apenas dois meses a Nicki estava mandando rimas tão boas que me fez ouvir — tensão no ar — Trey Songz, e no repeat. Ela era meio louca: berrava, fazia voz de doida, falava sobre dar/comer cérebros etc. O que acontece é que Nicki é uma ótima rapper, mas ela mal manda um rap aqui, e sem essas interferência habilidosa, você percebe que ela não tem material suficiente pra lançar um álbum. Ou talvez os produtores tomaram as rédeas da parada e fizeram Pink Friday? De qualquer forma, não há desculpas para uns bagulhos tipo: “Onde estão meus cachorros… Randy/Sai do meu pau, vadia… Andy/… Fica contra mim agoooora, te desafio… Bambi”. Nojento.
POR KIMBERLY DENISE JONES
WALVERDES
Breakdance
Monstro Discos
Olha, é uma banda de rock gaúcha, mas juro que é boa. Vai ver que presta por se tratar dum trio. É o quarto CD deles, e como sempre é rock de garagem firmeza, sem frescura. Rock de trabalhador, mas nunca de bancário. Mais pra punk nerd. Mas tenho uma reclamação sim: coloquei altão na sala, afastei os móveis e não consegui encaixar nenhum footwork nos sons.
POR MILLI DIAZ
DEADMAU5
4×4=12
Ultra
*[Pior disco do mês]
Eu sou a única pessoa que se pergunta por que esse cara faz sucesso? É porque ele veste uma máscara Murakami falsa bobinha? Ou porque a mesma máscara faz com que ele seja o único DJ eurolixo com quem as pessoas conseguem se identificar? Com certeza você não consegue defini-lo pelo som. Não vejo outra explicação; é inconcebível que qualquer pessoa ache essa música genuinamente interessante. Além disso ele soletra o nome dele com um 5.
POR ART SHMIEGELMAN
BURRO MORTO
Baptista Virou Suco
Independente
Não adianta o mundo insistir que essa banda é de afrobeat, é post-rock. E o lance desse disco ser todo composto em cima da história de um personagem pra qual foi feito um filme como trilha visual é mais um indício do quanto o post-rock tem a ver mais com progressivo do que com jazz, hardcore ou aquelas instrumentais do Beastie Boys do que todos gostariam de admitir. Dito isso, é bem legal, numas de os-caras-são-barbudinhos-mas-são-cabeludos-também.
POR CHER QUERVARA
HEAVY WINGED
Sunspotted
Type
OK, isso é “pesado” e “detona”, mas isso também parece mais com uma fita do Blue Cheer testando um baterista e um guitarrista ao mesmo tempo. Ou como aquele disco do Sonic Youth que você compra quando está na escola antes de saber quais são os essenciais. Daí você chega em casa e fica desapontado com o que ouve. Existe um público para isso, mas vou apostar aqui que provavelmente eles passam mais tempo comprando amplificadores no eBay do que realmente escutando música.
POR IKE SCHULTZ
OS PEDRERO
Pin Up Gordinha
Läjä Records
Muito amor, devoção e romantismo nesse novo EP (extended play) do conjunto contemporâneo de música jovem Os Pedrero. Contém belos versos que exsudam a apreciação sabedoria de vida, como “toma remédio misturado com cana / vomita e diz que quer mais / com uma saia de seda e calcinha de onça / me lambe com o dinheiro dos seus pais”. Além disso, há alertas à juventude, como “Tatuagem do Diabo” e verdadeiros guias de conduta, como a suave “A.M.F.F. (Agarrar Mulher Feia À Força)”. Em tempos sombrios como os nossos, trata-se de um bálsamo!
POR OLAFF BRISAC
XARÁ
Olha Pros Neguinho
Laboratório Fantasma / Blade
O Xará é um MC joia do Rio de Janeiro. Esse single tem duas músicas, ambas com produção do Damien Seth, além da instrumental e os acapella do título, que tem participação do Emicida. A outra, “Estação Quinze”, tem contribuição do Marechal na batida. Precisa mais?
POR TA RUGO
MR. BOMBA
De Ponta A Ponta
Matilha Cultural
Porra, finalmente alguém se dignou a fazer um disco de rap brasileiro que é pop, mas que não copia as babaquices consumistas dos romanos (que são loucos, e digo isso mesmo que o céu caia sobre nossas cabeças). Quer dizer, não sobe aquela vergonha alheia mil grau pela espinha ao escutar. Mais que isso: tem uns balanços totalmente da curtição – tipo “Biriri”, que você já conhece – e participações monstras, tipo do Criolo Doido e do Sombra, que apavora em “Lojinha”. Cate esse disco e seja feliz você também.
POR AMIRI BATATA
REV. JOHNNY L. JONES
The Hurricane That Hit Atlanta
Dust-to-Digital
É quase impossível ver a religião como algo bacana. Mas então a gente tem o Reverendo “Hurricane” Jones, que mandou sermões quentes e bombas de soul-funk no seu antigo gravador pra distribuir em seu bairro pras pessoas pobres demais pra comparecer à sua igreja viajante. É basicamente uma festa incessante quando o Reverendo começa a cozinhar e o seu mix cru de sangue de Cristo e suor bomba na pista. Sério, essa é a música mais sexy que escutei nos últimos tempos. É a trilha sonora perfeita pra fazer o couro comer, uma vez que você seja casado e nem sonhe em usar camisinha, claro.
POR CAREN KARPENTER
BILL ORCUTT
A New Way to Pay Old Debts
Editions Mego
*[Melhor disco do mês]
Esse álbum nem chega a ser música, porra! Soa como dois gatos de rua brigando por um pedaço de provolone que sobrou de um sanduíche de metro. É como se fosse o bombardeamento de uma clínica de aborto que deu horrivelmente certo: todos dentro estão bem, mas os corpos fumegantes e desmembradas dos protestantes misturados com os cartazes de fetos mortos fica cheirando no bairro por quilômetros. Old Debts saiu ano passado com um LP. Considere esse CD uma segunda chance: salve-se da vergonha e compre essa zona brilhante agora mesmo.
POR HARRISON PUNTA
KEAK DA SNEAK, PSD THA DRIVAH & MESSY MARV
Da Bidness Pt. 2
Smc Recordings
É impressionante que esses caras da Califórnia não conseguem reter público nacional. O Keak tem uma das vozes mais graves na história do hip-hop, o Messy Marv é uma lenda viva, e as raízes divididas entre a Costa Leste/Mississippi do PSD o torna um elo perdido do rap. Além disso, os caras sabem escrever versos com substância. Não é um lance de todas-as-faixas-são-clássicos, mas uma grande apresentação de três fodões de San Francisco.
POR ALEX FALEX FLAMER
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