Os fãs de hóquei de Vancouver protestaram mais uma vez depois que seu precioso time Canucks perdeu a Copa Stanley para o Bruins de Boston. Carros foram virados e queimados, barris em chamas surgiram do nada, e policiais lutaram com os hooligans. Como você sabe, Vancouver não é lá uma cidade que está longe da anarquia. Aqui está uma recapitulação dos melhores protestos da cidade, originalmente publicados no Guia VICE de Vancouver.
Em qualquer momento um protesto pode rolar em Vancouver. O Michael Barnholden escreveu um livro de 112 páginas sobre isso recentemente chamado Reading the Riot Act, mas como qualquer outra pessoa que tenha passado muito tempo na escola, ele tenta explicar tudo em termos de conflito de classe. Sim, há uma distância enorme entre os ricos e os pobres, mas não é muito diferente do que qualquer cidade. Além disso, todos os nossos pobres estão dopados demais com heroína pra conseguir até mesmo limpar o próprio cu, quanto mais conseguir brigar com policiais. Talvez você ache isso porque somos super multiculturais e temos minorias visivelmente putas da vida. Mas não temos, e honestamente, não somos super multiculturais. Na verdade, Vancouver não tem nenhum negro. E não é porque estamos na “Costa da Esquerda” também, porque o preço ridículo do aluguel mantém os verdadeiros arruaceiros e artistas subversivos bem longe de Vancouver. Não, na maioria das vezes os protestos simplesmente acontecem como resultado de estupidez bêbada. Não há como prever. Simplesmente acontece, então esteja preparado. Aqui estão alguns destaques da orgulhosa história dos protestos de Vancouver.
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O Protesto da Maconha de Gastown, 1971
Uns jornalistas hippies não estavam muito felizes que seus amigos estavam sendo agredidos pelas autoridades por possuir maconha, então eles organizaram um fumaço coletivo vestidos com aqueles trapos hippies que usavam pra trabalhar. Incluído no folheto da organização estavam instruções sobre o que fazer caso os policiais aparecessem – destruir evidência, anotar o registro dos policiais, esse tipo de coisa. Duas mil pessoas apareceram pra ficar chapadas, fazer batucada e feder. Daí um monte de policiais veio à cavalo e começaram a descer a madeira na cabeça deles. A maconha é maravilhosa por uma série de razões: dirigir, dormir, “sacar” Pink Floyd; mas não vai melhorar sua habilidades numa briga. Os maconheiros reagiram e levaram uma bela surra. Pedras foram jogadas, crânios foram esmagados e, convenientemente, nenhum dos policiais estava usando identificação naquela noite na qual 50 pessoas foram presas. Infelizmente esse tipo de encontro ainda ocorre toda semana. Apesar desse tipo de coisa ser bacana nos anos 70, já passamos da fase da maconha e gostaríamos que a polícia ainda entrasse atropelando todo mundo e descesse o cacete nesses hippies de merda. Você pode fumar maconha tranquilamente em Vancouver e os trastes hippies que promoveram aquele protesto geram mais dinheiro publicitário do que todos os outros jornais de Vancouver combinados.
O Protesto da Copa Stanley, 1994
Os Canucks estavam fazendo uma campanha fantástica nas eliminatórias e festas noturnas ocorriam na Robson Street depois de cada vitória. É a noite da última e sétima rodada do jogo final, e a cidade inteira estava bebendo havia horas, só esperando a celebração. Mas aí os Canucks perderam para o New York Rangers e foderam com a oportunidade de ouro de trazer a Taça Stanley de volta pra casa. Abatida, a cidade inteira decidiu se juntar na Robson Street de qualquer forma. Uma simples vidraça foi quebrada e de repente virou o inferno na terra. As pessoas começaram a destruir a região comercial e a saquear todas as lojas. A polícia entrou com toda a tropa de choque e bombas de gás lacrimogêneo para tentar dispersar os fãs de hóquei que estavam putos. Isso não adianta muito porque todo mundo está bêbado pra cacete e pronto pra brigar por uma causa. A causa era: “Perdemos um jogo de hóquei e estamos tristes”. Das 70.000 pessoas no centro da cidade, 200 se machucaram, 50 foram presas, e uma pessoa morreu quando a polícia atirou nela com uma bala de borracha. Uma boa estatística se você curte protestos.
O Protesto APEC, 1997
A University of British Columbia é a instituição de ensino superior mais superestimada do Canadá, mas eles têm uma piscina bacana e ela foi o cenário de um protesto épico. O encontro da Cooperação Econômica do Pacífico Asiático (APEC) foi uma daquelas reuniões onde os líderes dos bons países do mundo se juntam em uma sala fechada para discutir o destino daqueles países que não se pode ver no mapa. Os encrenqueiros foram previamente presos e um perímetro gigantesco foi demarcado pra manter toda a baderna longe. Em vez que se tocaram que não eram exatamente bem-vindos por ali, os manifestantes atacaram as grades e tentaram arrebentá-las. Quarenta e nove pessoas foram presas e muitas outras tomaram spray de pimenta na cara, incluindo membros da mídia local, o que nunca é uma boa ideia. Houve um grande inquérito público depois que resultou apenas no dinheiro dos contribuintes sendo jogado pela janela, a vida no Terceiro Mundo continua uma bosta, e a maioria das pessoas envolvidas no protesto hoje trabalham em livrarias anarquistas, continuam morando no porão dos seus pais e curtem o som do Michael Franti.
O Protesto do Guns N’ Roses, 2002
Esse foi o protesto mais recente e provavelmente o mais lógico até agora. A porra do Guns N’ Roses voltou e finalmente estava na cidade. Então, dez minutos antes das portas do show abrirem, é anunciado que o show será cancelado porque o Axl não pode subir no palco. Os fãs, se lembrando do show do GN’R cancelado em 1992, usaram barricadas, pedras e latas de lixo para destruir mais de $100.000 em vidro no General Motors Place. A polícia entrou com toda a tropa de choque e bombas de gás lacrimogêneo, cerca de 20 pessoas foram presas e um policial arrancou no tapa os dentes de um pedestre inocente que estava por ali. Os jornais locais fizeram péssimas piadas com o Appetite for Destruction e se referiam à banda como o Guns AND Roses, o que é zoado. O Guns N’ Roses nunca compensou pelo show cancelado.
TEXTO POR MICHAEL MANN VICE CA
TRADUÇÃO POR EQUIPE VICE BR
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