Desenvolvido originalmente como uma piada entre amigos, o Frog Fractions está naquele gostoso limiar entre um jogo, um não jogo e uma viagem errada de ácido. Controlando um sapo do gênero Dendrobates (às vezes, é bom ter uma irmã bióloga) a suposta intenção do jogo é ensinar frações para a criançada, o que é uma mentira deslavada já que só os pontos que você ganha quando come insetos aparecem em formato de fração. Na verdade, o jogo atravessa alguns gêneros de vídeo-jogos como os shoot’em up (jogo de tirinho para quem não fala a língua britânica), jogo de digitação, jogo de tribunal (tipo aquele Phoenix Wright: Ace Atorney), adventure de texto, simulador de negócios, e ahm, acho que só isso mesmo, mas tem uma “fase” que você tem que encontrar o caminho em um labirinto submarino enquanto uma narração conta a história do boxe. Parece maluco o bastante para você? Deve ser mais maluco do que você imagina.
Começando com a missão de matar os insetos que vão atacar as frutas flutuando sobre sua lagoa, você vai usar sua poderosa língua anfíbia para comer moscas, mosquitos e borboletas. Ao final de cada onda de insetos, você pode usar as frutas que foram salvas dos nojentos para pagar upgrades como língua com mira, frutas mais resistentes aos insetos, etc. Depois de algumas fases, começam a aparecer as novidades, que são o que tornam esse jogo interessante.
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Na primeira vez que joguei Frog Fractions, demorei um pouco para entender o que estava acontecendo quando as moscas que iam aparecendo em minha lagoa estavam com palavras embaixo e por que meu mouse não estava funcionando, aí enxerguei a indicação que era para escrever as palavras no teclado mesmo. Foi uma surpresa gostosa, mas acabei de estragá-la para você que está lendo esta matéria agora. De nada. Aliás, sabe que jogo de digitação é completamente ridículo e animal? The Typing of The Dead. Não, não é uma paródia do The House of The Dead, o clássico jogo de tiro de fliperama da Sega. É uma versão oficial do The House of The Dead 2 em que, em vez de usar uma arminha para atirar nos zumbis, você usa teclados (???). O zumbi aparece na sua frente com sua devida palavra e você tem que digitá-la corretamente o mais rápido possível; se um zumbi pular em cima de você com fome de MIOLOS não é um bom estímulo para você aprender a digitar direito e bem rápido, bom, não sei o que seria. Isso que é gameficação, meus amigos. Lembrando bem, acho que os jogos de digitação foram os únicos que me ajudaram de fato a desenvolver alguma habilidade útil, a não ser que eu tenha que ficar soltando hadoukens repetidamente usando um controle de PSOne para salvar a terra de um meteoro que irá matar a todos nós.
O maravilhoso gameplay de The Typing of The Dead para dreamcast. Detalhe que o personagem tem um dream cast com uma duracell em cima, não me pergunte o motivo.
O jogo é grátis e é possível jogá-lo nesse mesmo navegador que você tem aberto agora, então, não pretendo estragar muitas surpresas. Se você tiver algum espírito desbravador para tentar coisas novas, dá para terminar o joguinho em uma hora de boa, mas tem alguns lugares que provavelmente vão empacar o novo jogador. A barreira mais obvia de Frog Fractions é quando ele vira abruptamente um adventure de texto, o que acontece mais para o final do jogo, mas vale a pena se preparar. Se você nunca jogou um jogo do tipo e precisa de gráficos para jogar, seu mimadinho, imagine um jogo que é apenas um fluxo de texto escrito descrevendo o que está à sua volta. A jogabilidade de um adventure de texto consiste em digitar, precisamente, o que seu personagem vai fazer, por exemplo:
CPU> “Você esta em um quarto de cinco por cinco metros quadrados, existe uma saída para o sul, tem um livro no chão, no canto noroeste tem uma mesa, não há nada sobre a mesa. O que você faz?”
JOGADOR> “Ver Livro”
CPU> “Não entendi esse comando. O que você faz?”
JOGADOR> “Olhar Livro”
CPU> “Você olha para o livro, na capa está escrito ‘Entre Ossos e a Escrita de Maytê Proença, você repara que a publicação é da editora Agir’. O que você faz?”
JOGADOR> “Pegar Livro”
CPU> “Você pegou o livro, o que você faz?”
JOGADOR> “Colocar Livro na Mesa”
CPU> “Você colocou o livro na mesa, você ganhou 50 pontos. O que você faz?”
JOGADOR> “Sair”
CPU> “Não entendi esse comando. O que você faz?”
JOGADOR> “Ir para Sul”
CPU> “Você saiu do Quarto.”
Se não deu para entender, é chato e frustrante pra caralho, mas, curiosamente, recompensador ao final.
A tela inicial do adventure de texto no meio do jogo.
Insetos te odeiam porque eles são racistas.
Na onda gostosa desses jogos meio bizarros, meio arte, Frog Fractions tem uma narrativa que consegue se manter entre as várias mudanças abruptas de gênero; as transições talvez só funcionem tão bem justamente porque a história é completamente surreal e ilógica, mas funcionam. Se você quiser saber como faz sentido um jogo em que você começa comendo moscas, borboletas e mosquitos em uma lagoa e termina de alguma forma produzindo pornografia para insetos, é melhor você parar de enrolar e ir jogar esse negócio de uma vez.
Uma amostra da pornografia que o sapinho produz ao final do jogo, devidamente censurada.
O Pedro Moreira está matando insetos no Twitter: @pedrograca
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